Filmes e séries nórdicos ganham espaço no streaming com narrativas centradas em crime, relações humanas e paisagens marcantes

Nos últimos anos, produções nórdicas passaram a ocupar um espaço relevante no catálogo da Netflix. Séries e filmes vindos de países como Dinamarca, Suécia e Noruega ampliaram o interesse do público por histórias com ritmo mais contido e foco em tensão psicológica. O crescimento desse tipo de conteúdo acompanha a demanda por narrativas fora do eixo tradicional de Hollywood.

O chamado “nordic noir” se consolidou como um dos principais gêneros dessas produções. Tramas policiais, investigações complexas e personagens moralmente ambíguos aparecem com frequência. Ao mesmo tempo, os roteiros exploram temas sociais e conflitos pessoais. A ambientação, marcada por cenários frios e urbanos, contribui para a construção do tom das histórias.

Dentro desse contexto, a plataforma reúne títulos que variam entre suspense, drama e ficção. A seleção inclui produções recentes e obras já consolidadas entre o público. A seguir, veja uma lista com 10 filmes e séries nórdicos disponíveis na Netflix que ajudam a entender o alcance e a diversidade desse tipo de conteúdo.

O Abismo – Suécia (2023)

Filmes e séries nórdicos no Netflix - "O Abismo"
Tuva Novotny na filme | Crédito: Reprodução/IMDB

A trama acompanha Frigga (Tuva Novotny), gerente de segurança de uma mina, que tenta conciliar as demandas do trabalho com a vida familiar. No entanto, sua rotina muda quando a cidade de Kiruna começa a sofrer os impactos da exploração mineral, com sinais de colapso estrutural que colocam moradores em risco. A partir disso, a narrativa desenvolve um cenário de tensão crescente, no qual decisões profissionais e pessoais passam a se sobrepor.

Nesse sentido, o filme se inspira parcialmente em um evento real ocorrido em 2020, quando um tremor relacionado à atividade mineradora atingiu a região no norte da Suécia. Embora não tenha deixado vítimas, o episódio evidenciou os riscos associados à exploração intensiva. Dirigido por Richard Holm, o longa conta ainda com Kardo Razzazi e Felicia Truedsson no elenco.

Troll da Montanha 1 e 2 – Noruega (2022 e 2025)

Troll da Montanha 1 e 2
Cenas dos filmes | Crédito: Jallo Faber | Netflix/Divulgação

O Troll da Montanha” apresenta uma narrativa que combina folclore nórdico e filme de desastre. A trama se inicia quando uma explosão em uma montanha desperta uma criatura ancestral que passa a avançar em direção à capital Oslo. Nesse contexto, a história acompanha a paleontologista Nora Tidemann (Ine Marie Wilmann), convocada pelo governo para investigar a ameaça. Além disso, o filme constrói o conflito a partir do choque entre progresso humano e forças naturais, ao retratar o troll como uma entidade ligada à destruição de seu habitat.

Já “O Troll da Montanha 2” dá continuidade aos eventos do primeiro filme e amplia o universo apresentado. Dessa vez, um novo troll surge e se dirige à cidade de Trondheim, exigindo uma nova resposta dos protagonistas. Com isso, Nora retorna ao lado de Andreas (Kim S. Falck-Jørgensen) e do capitão Kris (Mads Sjøgård Pettersen), enquanto a narrativa passa a explorar mais profundamente a mitologia nórdica. Ao mesmo tempo, o longa reforça temas ligados à preservação ambiental e intensifica as sequências de ação, ainda que a recepção tenha apontado diferenças na construção dos personagens.

O Homem das Castanhas – Dinamarca (2021)

O Homem das Castanhas
Mikkel Boe Følsgaard e Danica Curcic | Crédito: Reprodução/IMDB

A série “O Homem das Castanhas” acompanha uma investigação policial em Copenhague após o assassinato de uma jovem. A detetive Naia Thulin (Danica Curcic) e seu parceiro Mark Hess (Mikkel Boe Følsgaard) assumem o caso e, desde o início, encontram um elemento incomum: um boneco feito de castanhas deixado na cena do crime. A partir disso, a narrativa se desenvolve com foco na busca por um serial killer, utilizando uma abordagem centrada na análise psicológica e na reconstrução dos acontecimentos.

Além disso, conforme a investigação avança, os detetives identificam uma conexão direta entre os crimes e o desaparecimento da filha de uma ministra ocorrido um ano antes. Nesse contexto, a série amplia o escopo da trama ao integrar questões políticas e pessoais ao caso central. Criada por Søren Sveistrup, a produção mantém uma atmosfera marcada por tensão e estrutura narrativa concentrada em seis episódios.

O Assassino de Valhalla – Islândia (2019)

O Assassino de Valhalla
Cena da série | Crédito: Reprodução/IMDB

O Assassino de Valhalla” apresenta, inicialmente, um caso de assassinato que desencadeia uma investigação mais ampla na Islândia. A partir disso, a detetive Kata (Nína Dögg Filippusdóttir) passa a lidar com uma série de crimes semelhantes, enquanto, ao mesmo tempo, o investigador Arnar (Björn Thors) retorna ao país para colaborar com o caso. À medida que a apuração avança, os crimes começam a se conectar, sobretudo por meio de um antigo internato chamado Valhalla. Nesse contexto, a narrativa combina elementos de investigação policial com conflitos pessoais dos protagonistas.

Além disso, a série desenvolve sua trama de forma gradual, aprofundando o mistério conforme novos elementos surgem. Por outro lado, o ambiente contribui diretamente para o tom da narrativa, com cenários frios e isolados que reforçam a tensão. Ao mesmo tempo, os personagens apresentam camadas mais complexas, o que sustenta o andamento da história. Assim, mesmo seguindo estruturas conhecidas do gênero, a produção mantém um ritmo consistente e prioriza o desenvolvimento da investigação e das relações entre os envolvidos.

Clark – Suécia (2022)

Filmes e séries nórdicos no Netflix - "Clark"
Bill Skarsgård no filme | Crédito: Reprodução/IMDB

A minissérie “Clark” acompanha, inicialmente, a trajetória de Clark Olofsson, criminoso sueco que se tornou figura pública antes mesmo do caso que inspirou o termo Síndrome de Estocolmo. Ao longo dos episódios, a narrativa reconstrói sua juventude e seus primeiros crimes, enquanto evidencia seu comportamento impulsivo e suas relações instáveis. Além disso, a trama mostra como ele desenvolve vínculos superficiais com pessoas ao seu redor, ao mesmo tempo em que se mantém focado em interesses próprios. Nesse contexto, a história alterna entre fatos reais e a versão narrada pelo próprio protagonista.

Por outro lado, a série adota uma abordagem dinâmica para contar essa trajetória, com ritmo acelerado e linguagem visual marcada por cortes rápidos. Ao mesmo tempo, o uso do próprio Clark como narrador permite distorções na narrativa, o que levanta dúvidas sobre a veracidade dos acontecimentos apresentados. À medida que a história avança, essa construção começa a ser questionada, sobretudo nos episódios finais, quando a imagem criada pelo protagonista entra em contraste com uma versão mais realista. Assim, a produção explora a dualidade entre carisma e comportamento egocêntrico, mantendo o foco no desenvolvimento do personagem.

Os Casos de Harry Hole – Noruega (2026)

Detetive Harry Hole
Tobias Santelmann e Ellen Helinder | Crédito: Netflix/Divulgação

A série “Os Casos de Harry Hole” chegou à Netflix no dia 26 de março, apresentando uma nova adaptação do personagem criado por Jo Nesbø. A trama acompanha um detetive experiente, porém instável, que investiga uma série de crimes enquanto enfrenta conflitos pessoais. Ao mesmo tempo, a narrativa se desenvolve em Oslo, marcada por uma atmosfera de tensão constante. Além disso, o protagonista precisa lidar com suspeitas de corrupção dentro da própria polícia, o que amplia o alcance do caso e intensifica os desafios da investigação.

Por outro lado, a produção se baseia no livro “A Estrela do Diabo” e estrutura sua história ao longo de nove episódios, com foco em reviravoltas e pistas que mantêm a incerteza ao longo da trama. Nesse contexto, o elenco inclui Tobias Santelmann, Joel Kinnaman e Pia Tjelta, que dão suporte ao desenvolvimento dos personagens. Ao mesmo tempo, a série adota elementos do chamado “nordic noir”, com estética fria e abordagem psicológica. Dessa forma, além da investigação criminal, a narrativa explora o desgaste emocional do protagonista, propondo uma releitura mais aprofundada do universo já apresentado anteriormente no cinema.

The Rain – Dinamarca (2019-2020)

Filmes e séries nórdicos no Netflix - "The Rain"
Lucas Lynggaard Tønnesen na série | Crédito: Reprodução/IMDB

The Rain” é uma série dinamarquesa de ficção científica e suspense pós-apocalíptico lançada pela Netflix. A trama começa quando um vírus transmitido pela chuva elimina grande parte da população da Escandinávia, forçando os irmãos Simone e Rasmus a se refugiarem em um bunker. Seis anos depois, eles deixam o abrigo em busca do pai, um cientista que pode ter respostas para a crise. Ao longo da jornada, eles se unem a outros sobreviventes e enfrentam um cenário marcado por isolamento, riscos constantes e incertezas.

Além disso, a série se desenvolve ao longo de três temporadas, explorando não apenas a sobrevivência, mas também as relações humanas em um ambiente extremo. Nesse contexto, a narrativa aborda dilemas éticos ligados à ciência, especialmente em torno da possível cura e do papel de Rasmus na história. Ao mesmo tempo, a produção aposta em uma ambientação sombria e em conflitos entre grupos, combinando ação e drama. Dessa forma, “The Rain” constrói uma história centrada tanto no colapso social quanto na evolução de seus personagens ao longo do tempo.

Inferno em La Palma – Noruega (2024)

Inferno em La Palma
Anders Baasmo e Thea Sofie Loch Næss | Crédito: Reprodução/IMDB

A série “Inferno em La Palma”, produção norueguesa, rapidamente entrou no top 10 da Netflix ao retratar uma viagem de férias que se transforma em desastre. A trama acompanha uma família que vai até a ilha de La Palma, no oceano Atlântico, mas enfrenta um cenário extremo após um tsunami atingir a região e levantar a ameaça de uma erupção vulcânica. Dessa forma, o enredo se desenvolve a partir da luta pela sobrevivência em meio a eventos naturais de grande escala.

Por outro lado, embora os personagens sejam fictícios, a história dialoga com acontecimentos reais. Isso porque a ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias, registrou uma erupção vulcânica em 2021 após décadas de inatividade. Nesse contexto, o desastre provocou destruição de casas, deslocamento de milhares de pessoas e impactos econômicos na região. Assim, a série utiliza elementos inspirados em fatos reais para construir sua narrativa, mantendo o foco em uma história ficcional.

Os Assassinatos de Åre – Suécia (2025)

Os Assassinatos de Åre
Amalia Holm | Crédito: Benjam Orre/Netflix

Os Assassinatos de Åre”, lançada pela Netflix, acompanha uma pequena cidade afetada pelo desaparecimento de uma jovem durante uma noite de nevasca. A partir disso, a detetive Hanna Ahlander, afastada de suas funções, se junta ao investigador local Daniel Lindskog para conduzir o caso. Conforme a narrativa avança, surgem novos eventos e suspeitos, enquanto a investigação revela que o crime está ligado a conflitos envolvendo pessoas próximas da vítima. Ao mesmo tempo, a parceria entre os protagonistas se mostra tensa, influenciada pela pressão e pela falta de recursos da polícia local.

Além disso, a série apresenta um segundo caso, envolvendo a morte de um ex-esquiador, o que amplia o escopo da trama. Inicialmente, as investigações seguem caminhos incertos, porém, aos poucos, revelam motivações pessoais e relações complexas entre os envolvidos. Nesse contexto, fica evidente que os dois crimes não estão conectados, embora ambos exponham tensões familiares e sociais.

Katla – Islândia (2021)

Filmes e séries nórdicos no Netflix - "Katla"
Cena da série | Crédito: Reprodução/IMDB

A série “Katla” acompanha os acontecimentos na pequena cidade de Vik, na Islândia, após a erupção de um vulcão que transforma completamente a rotina local. Com a maior parte da população tendo deixado a região, o local passa a abrigar apenas alguns moradores e equipes de pesquisa. Nesse cenário isolado, um evento incomum chama a atenção: uma mulher surge na geleira coberta de cinzas, inicialmente tratada como uma turista perdida. No entanto, logo se descobre que ela é uma versão mais jovem de alguém que viveu na cidade anos antes, o que levanta questionamentos sobre o que realmente está acontecendo.

À medida que novos casos semelhantes surgem, a narrativa se aprofunda em um mistério que envolve versões duplicadas de pessoas, algumas ainda vivas e outras já mortas. Além disso, os acontecimentos passam a impactar emocionalmente os moradores, que precisam lidar com traumas do passado e situações não resolvidas. Nesse contexto, a série constrói sua trama de forma gradual, combinando elementos de ficção científica, drama e suspense, enquanto explora as consequências desses fenômenos na vida dos personagens e na dinâmica da cidade.

Imagem de capa: Reprodução/IMDB