A Revolução dos Bichos é uma adaptação inspirada na obra de George Orwell, publicado em 1945. Dirigido por Andy Serkis, a obra tenta dar luz a essa história através de uma animação muito bem desenhada. Nessa crítica aqui irei analisar o filme, sem comparação com o livro exatamente. Em outra oportunidade irei fazer a comparação dos dois.
Uma Fábula moderna (ou nem tanto)
Na história acompanhamos os animais de uma fazenda, que após se darem conta de que iriam morrer por conta das dívidas do fazendeiro, decidem se rebelar e tomam para si não somente a propriedade como também a liberdade. Após isso eles precisam dar conta do dia a dia do lugar. É aqui que conhecemos Lucky, Napoleão, Bola-de-Neve, Sansão, Benjamim e Garganta.
Na dublagem original um elenco de estrelas dá voz aos animais. Nomes como Seth Rogen, Gaten Matarazzo, Steve Buscemi, Glenn Close, Laverne Cox, Kieran Culkin, Woody Harrelson, Jim Parsons, Kathleen Turner entre outros.
Vale lembrar que a história do livro de Orwell foi escrita em 1940, um período entre guerras com um mundo turbulento. Mas a premissa sociológica parece funcionar até os dias de hoje, e essa adaptação moderniza alguns aspectos, talvez para tentar não ser a adaptação definitiva e fugir de comparações extremas. Porém, entretanto e, todavia, não acredito que conseguirá.
De toda forma, Serkis consegue entregar um filme dinâmico, com uma história um tanto quanto divertida, com referências interessantes, mas é insuficiente na linearidade como um todo. É um frenesi que atrapalha a história em alguns momentos, e que você acaba perdendo um pouco da noção do que está rolando na tela.

Os personagens funcionam bem, apesar de em alguns momentos parecer estar assistindo A Fuga das Galinhas, ou algo similar. Inclusive, quero aproveitar o gancho para dizer que o filme não é um desenho animado para crianças. Obviamente o tema é muito complexo para elas, e a história dificilmente será entendida, e as piadas ou subtramas não funcionariam para os pequenos. Só que eu também tenho minhas dúvidas se alguns adultos vão entender a lógica do filme, principalmente aquelas que não leram o filme. A história trabalha muito nas entrelinhas, então, é preciso entender e ouvir bem o que está acontecendo para acompanhar. A geração que assiste filmes mexendo no celular, não vai entender.
Durante os três atos, a história contada nada de braçada nos dilemas sociais da humanidade, desde a meritocracia, o socialismo, o capitalismo, o consumismo, crueldade animal, especulação imobiliária, e até mesmo ambientalismo. E eu acho que é nesse ponto que o filme, com pouco mais de uma hora e meia se perde. São muitas, muitas frentes para serem trabalhadas, e nenhuma delas dá para ser superalimente abordadas. Claro, entendo que é uma adaptação para entretenimento, porém, cria-se uma expectativa muito forte quando você instintivamente vai comparar com as obras de Orwell.
Dito isso, predito dizer que quem quiser assistir com um coração mais leve e menos pretensão, pode encontrar aqui um momento muito interessante perante a tela, trazendo reflexões mistas e até mesmo uma certa dose de conflitos internos. Eu gostei muito do filme, mesmo na loucura, ele agrada demais. E eu gostei também bastante da animação em si, principalmente quando colocada junto a dublagem dessas estrelas.
O resultado final, para mim, é positivo, mas esse é um daqueles filmes que acredito ser incapaz de cair em um consenso.
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