Minissérie da Netflix produzida em parceria com a O2 Filmes retrata os bastidores da campanha do tricampeonato brasileiro

Brasil 70: A Saga do Tri é uma minissérie da Netflix que resgata o tricampeonato mundial 56 anos após a final do Estádio Azteca. Ao longo de cinco episódios, a narrativa dramatiza o feito não apenas como celebração esportiva, mas como retrato de uma geração que carregou o peso de representar um país dividido entre a glória no futebol e os anos mais sombrios da ditadura militar.

A produção traz Pelé (Lucas Agrícola), Tostão (Ravel Andrade), Jairzinho (Gui Ferraz), Gérson (Fillipe Soutto), Rivellino (Daniel Blanco), Carlos Alberto (Caio Cabral) e outros nomes indispensáveis para a conquista, como os técnicos João Saldanha (Rodrigo Santoro) e Zagallo (Bruno Mazzeo). Ao longo dos capítulos, o público é convidado a mergulhar nos bastidores da campanha rumo ao título. Por isso, posicionar esses personagens dentro do contexto histórico da época é de extrema importância.

Em 1970, o Brasil enfrentava mais um ano de ditadura militar com o governo de Emílio Garrastazu Médici, o quarto presidente deste período e o 28º na história nacional. Os ânimos andavam bastante acirrados, o controle militar era ostensivo e alguns grupos de militantes organizados adotavam estratégias cada vez mais arriscadas.

João Saldanha como um nome crucial no título

Para aprofundar o sentimento nacional, o primeiro episódio relembra a derrota de 1966 quando Pelé sofre uma entrada violenta durante a partida contra Portugal. O clima de desesperança e a reprovação popular eram tão grandes que o Rei do Futebol disse que aquela seria sua última copa.

Com a chegada do próximo ciclo, a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), escolhe João Saldanha como novo técnico da seleção brasileira. Saldanha tinha divergências políticas claras contra a CBD e o Governo Médici, porém ficou encarregado de montar a escalação que mudaria o destino do futebol nacional.

Com esta missão, o técnico decide escalar os maiores nomes do futebol daquele período, formando uma seleção de craques e camisas 10. Habilidade não faltava no grupo, mas ainda era preciso conectá-los.

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O cenário do ‘pão e circo’

Além da pressão habitual do campeonato, existia um fator externo que influenciava diretamente este time de estrelas. O entretenimento trazido pela Copa era de interesse do governo militar, sendo assim, o presidente da república investia e influenciava diretamente dentro dos vestiários. O clima se tornou insustentável quando Médici decidiu interferir na escalação de João Saldanha, exigindo que o técnico convocasse Dadá Maravilha — estrela do Atlético Mineiro, na época.

Após a eliminatórias a equipe ficou sem líder, até que Zagallo (Bruno Mazzeo) chega para substituí-lo. A recepção entre os jogadores não foi das mais positivas, o grupo já estava acostumado com o jeito de Saldanha. Contudo, Zagallo e sua comissão técnica não tinham outra opção, o plano precisava dar certo.

Com saída de Saldanha, que evitava a interferência política, o caminho ficou livre para os mandos e desmandos do presidente. A seleção passou a ser usada como instrumento de propaganda do governo. Era preciso transmitir a ideia de povo feliz, próspero e ordeiro para que a população não se revoltasse contra os militares.

Vale a pena assistir ‘Brasil 70: A Saga do Tri’?

'Brasil 70: A Saga do Tri' relembra os tempos áureos da seleção e inspira novas gerações
Rodrigo Santoro e Bruno Mazzeo como Saldanha e Zagallo, respectivamente, em ‘Brasil 70: A Saga do Tri’ // Crédito: Reprodução / Netflix

Se você gosta de história nacional e está em clima de Copa do Mundo, vale a pena! Eu, pessoalmente, não sou uma fã tão assídua de futebol e tão pouco sei de coisas táticas de jogo, mas sei reconhecer a importância do esporte para nosso país. Ver essa capítulo tão importante da nossa história foi um presente.

Mesmo já tendo ouvido inúmeros relatos de pessoas que viveram esse período áureo do futebol, ainda era difícil ter dimensão dele. Dessa forma, as atuações de Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo, Lucas Agrícola, Daniel Blanco, Gui Ferraz, Ravel Andrade e tantos outros, foi crucial para o desempenho da produção. Além de interpretar, os atores estão muito parecido com os homenageados, o trabalho de caracterização e produção de elenco é impecável.

Terminei a série emotiva com a conquista daquela seleção. Me peguei ansiosa em alguns momentos esperando pelo desfecho, mesmo sabendo que seria positivo. Acredito que uma das coisas mais bacanas desta série é que ela não poupa os detalhes, mas mostra os traumas, os erros e os acertos de cada ídolo. Tudo isso está no DNA do brasileiro, é impossível não se comover com sua própria história.

Trazendo um pouco mais de esperança para a atual campanha do hexa, Brasil 70: A Saga do Tri está disponível na Netflix.

Imagem de capa: Reprodução / Netflix / Marcelo Maragni

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