Autor revolucionou a literatura brasileira ao abordar questões raciais e sociais


Nascido no mesmo dia da assinatura da Lei Áurea, Lima Barreto (1881-1922) dedicou sua vida e trabalho para provar que a liberdade jurídica era apenas o começo. Neste 13 de maio, para celebrar não apenas o dia da abolição, mas também o aniversário de um dos maiores autores da literatura brasileira, selecionamos quatro obras essenciais para compreender o Brasil pós-abolição. 

O material percorre o legado do escritor que desafiou as normas ao transformar a rotina suburbana em assunto de relevância nacional. Filho de uma escrava liberta e de um tipógrafo, Lima Barreto sempre focou nas questões raciais e na desigualdade social, construindo uma identidade brasileira vinda da periferia. 

O autor nunca teve em vida o reconhecimento que merecia, um reflexo do que narrava em suas obras. Confira um guia com obras fundamentais para conhecer Lima Barreto.

Créditos: Lafonte

Recordações do Escrivão Isaías Caminha

Considerada a obra mais autobiográfica do autor, fala sobre o racismo institucional no pós-abolição. Narra a trajetória de um jovem negro que chega ao Rio de Janeiro com grandes sonhos e pretensões. No entanto, Isaias, o protagonista, enfrenta o preconceito inserido na sociedade. Apesar de sua inteligência e cultura, não consegue se inserir. É uma ótima leitura para o 13 de maio, uma vez que mostra como a abolição não tornou os libertos parte da sociedade.

Clara dos Anjos

A obra é um retrato da vulnerabilidade da mulher negra e do preconceito de classe. Clara é uma jovem suburbana e mulata que se envolve com um rapaz branco de classe média que se aproveita de sua fragilidade e inocência. A obra é uma denúncia sobre o racismo, principalmente contra as mulheres, mostrando que no pós-abolição não existia proteção social para as famílias e para as jovens negras.

Créditos: ePub | Martin Claret

Triste Fim de Policarpo Quaresma

Apesar de a sátira central que guia a narrativa ser ao governo, no livro Lima Barreto mostra que o Brasil oficial (políticos e militares) ignora o Brasil da realidade, renegando sua própria gente. O autor afirma que a República não integrou os ex-escravizados e descendentes e, desse modo, não é uma nação igualitária.

Conta a história do major Policarpo Quaresma, nacionalista extremado, cuja visão sublime do Brasil é vista com  desdém e ironia. Defensor da língua tupi, seguidor de manuais de agricultura e com grande interesse em livros de viagem, Policarpo é um “patriota” que defende a nação a todo custo.

Toda a Crônica de Lima Barreto

Essa coletânea traduz a essência da carreira de jornalista de Lima Barreto. Em cerca de 460 artigos publicados em revistas, antologias e semanários, o autor questiona o simbolismo do 13 de maio e a celebração em torno da Princesa Isabel, enquanto os ex-escravizados permaneciam sem direitos. Lembrando que as crônicas e artigos de Lima Barreto para a imprensa, foram essenciais para que 13 de maio se transformasse no Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo.



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