Enquanto uma aposta aposta em vírus, monstros e sobrevivência, a outra mergulha em traumas e simbolismos

O mundo dos jogos de horror tem, há mais de duas décadas, a presença de Resident Evil e Silent Hill. As duas franquias alcançaram grande sucesso e marcam a memória de fãs da época e dos dias de hoje.

E, graças à escassez do terror nos games da época, a comparação entre as duas obras parecia inevitável. Por isso, trouxemos para vocês uma análise entre o que as duas obras se igualam e se diferenciam, tanto nos tempos antigos como hoje em dia.

Conhecendo as franquias 

Resident Evil teve seu primeiro lançamento em março de 1996. A trama segue a equipe Alpha dos S.T.A.R.S. (Special Tactics and Rescue Service), enquanto investigam os arredores de Raccoon City. Porém, a equipe é atacada por monstros e precisa se refugiar numa mansão próxima. 

No jogo, podemos escolher entre Chris Redfield ou Jill Valentine para jogar e explorar o local e descobrir seus segredos e encontrar uma maneira de escapar.

Enquanto isso, Silent Hill veio um pouco depois, apenas em janeiro de 1999. Na história, jogamos como Harry Mason em sua busca pela filha na misteriosa cidade de Silent Hill. Ao longo do jogo, nos deparamos com uma trama ligada a um culto religioso macabro e diversas criaturas num ambiente nebuloso.

Horror sobrenatural X Terror biológico 

A primeira grande diferença entre as duas tramas é o objeto de horror, aquilo que a história desenvolve sua mitologia. Em Resident Evil, temos um foco massivo no terror biológico, onde tudo gira em torno de criaturas e horrores geradores por experiências que deram errado. E não só isso, mas em criações de uma corporação conhecida como Umbrella, a grande antagonista da saga. 

Além disso, a narrativa do jogo tenta se ancorar na realidade e em situações mais próximas do que conhecemos. Ainda que para isso a franquia use e abuse de diversos “faz de conta” para sustentar essa ideia.

Trecho de Gameplay do primeiro Resident Evil
Trecho de Gameplay do primeiro Resident Evil | Imagem: Divulgação/Internet

Enquanto isso, Silent Hill segue na contramão do seu primo e adentra totalmente no terreno do horror sobrenatural. Nesse cenário, o título já entrega aquilo que acompanharia a franquia: a cidade enevoada e misteriosa. 

No título, temos a presença de cultos macabros, seitas e os horrores pessoais de seus protagonistas, que se tornam parte da realidade.

Alternância de estilos X Permanência na fórmula 

Um ponto que diferenciou os dois títulos ao longo do tempo foi justamente esse ponto.

Silent Hill manteve o foco na cidade título, nos traumas de seus personagens e no horror sobrenatural como foco. As sequências mantiveram essa fórmula e foram se aperfeiçoando em torno dessa mesma ideia, algo que vimos no recente remake de 2024. Aliado a isso, temos o foco total na ideia de survival horror, o que é visto no pouco recurso que temos por todo jogo.

Harry Mason, protagonista do primeiro Silent Hill
Harry Mason, protagonista do primeiro Silent Hill | Imagem: Divulgação

A franquia de Resident Evil, por outro lado, mudou e muito sua “fórmula” ao longo das sequências. Iniciando no estilo clássico e bem próximo ao título primo e abraçando a escassez de recursos e uma gameplay cautelosa. No entanto, em games futuros esse fator seria remodelado, seguindo abraçando a ação ou até alternando entre câmera em primeira e terceira pessoa. Até o aspecto de escassez de recursos seria revisto, flexibilizando o aspecto e adotando novas abordagens.

Enigmas

Um dos pontos que as obras partilham é o gosto por enigmas que fazem os jogadores pensarem. Em Silent Hill, temos desde puzzles clássicos que envolvem números e combinações, até interações com o cenário em geral, algo que torna os enigmas um inimigo à parte.

Puzzles de Resident Evil 2 Remake
Puzzles de Resident Evil 2 Remake | Fonte: Montagem/Internet

Enquanto isso, Resident Evil também tem enigmas que envolvem interação com cenário, mas abraça elementos lúdicos no processo. Desde chaves com naipes que precisam ser encontrados até peças de manutenção de energia que tem elementos de xadrez como adorno. Seja como for, RE abraça a ludicidade ao propor seus mistérios, deixando uma maior dificuldade para seus embates.

LEIA TAMBÉM: Resident Evil | Filme de Zach Cregger pode repetir erro da franquia ao se distanciar demais da essência

Inimigos Marcantes

Pyramid Head, inimigo clássico do terror
Pyramid Head, inimigo clássico do terror | Imagem: Divulgação

Um grande ponto em comum das duas franquias são seus inimigos marcantes e até memoráveis. Por parte de Resident Evil, temos clássicos como Nêmesis, que marcou a franquia tanto no original quanto no remake. Em títulos mais recentes, temos Jack Baker de “Resident Evil: Biohazard” que, mesmo presente em apenas um título, marcou os fãs.

Enquanto isso, Silent Hill nos trouxe um dos vilões mais marcantes dos jogos com seu Cabeça de Pirâmide. O vilão tomou para si uma parte do renome da obra, tornando impossível pensar em um sem se lembrar do outro imediatamente. 

Enfim, jóias do horror nos jogos

Apesar de tudo, as duas obras carregam o carinho dos fãs e um lugar no hall de jogos de terror que marcaram. E não só isso, mas seguem sendo relevantes na cultura pop. Além disso, é inegável o prazer que ambas as franquias trazem ao jogador com suas narrativas, jogabilidade e tensão, algo que as torna memoráveis.

Crédito da capa: Montagem/Reprodução

Estagiário sob supervisão de Thiago Satiro.

Não perca nossas publicações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.