Após cerca de 15 anos de desenvolvimento 1666: Amsterdam finalmente chegou ao acesso antecipado dirigido por um dos criadores de Assassin’s Creed
Depois de passar mais de uma década envolvido em cancelamentos, mudanças de estúdio e disputas pelos direitos da propriedade intelectual, 1666: Amsterdam finalmente chegou aos jogadores. O novo projeto da Panache Digital Games entrou em acesso antecipado para PC em agosto de 2026 e marca o retorno de Patrice Désilets, desenvolvedor Franco-Canadense responsável por muitos Assassin’s Creed, uma ideia que o acompanha há muitos anos.

Além disso, o título chama atenção por sua proposta. A aventura em terceira pessoa acompanha uma bruxa que precisa investigar demônios escondidos entre os habitantes de Amsterdã durante o dia e enfrentá-los quando revelam suas verdadeiras formas. Entretanto, a história também atravessa diferentes períodos e apresenta um segundo protagonista cuja consciência acaba presa no corpo de um gato.
1666: Amsterdam passou cerca de 15 anos em desenvolvimento
A história de 1666: Amsterdam começou há aproximadamente 15 anos. Patrice Désilets desenvolveu o conceito original durante sua passagem pela THQ Montreal, depois de deixar a Ubisoft.
Entretanto, o projeto enfrentou um grande obstáculo em 2013. Após os problemas financeiros da THQ, a Ubisoft adquiriu o estúdio de Montreal. O desenvolvimento de 1666: Amsterdam acabou sendo interrompido, enquanto Désilets deixou a empresa.
A situação também criou uma disputa envolvendo os direitos da propriedade intelectual. O criador precisou travar uma batalha para recuperar o controle sobre o projeto que havia idealizado anos antes.
Posteriormente, Désilets conseguiu recuperar os direitos de 1666: Amsterdam e levou o desenvolvimento para a Panache Digital Games. Dessa forma, o lançamento do jogo representa a conclusão de uma trajetória marcada por cancelamentos e mais de uma década de incertezas.
Por isso, 1666: Amsterdam possui uma história de desenvolvimento tão importante quanto sua própria narrativa. O título não representa apenas uma nova produção da Panache Digital Games, mas também o retorno de um projeto que parecia ter desaparecido definitivamente.
Patrice Désilets, um dos criadores de Assassin’s Creed, dirige 1666: Amsterdam
Patrice Désilets é conhecido principalmente por sua participação na criação de Assassin’s Creed. O desenvolvedor foi uma das figuras criativas mais importantes dos primeiros jogos da franquia e também trabalhou em produções como Prince of Persia: The Sands of Time.
Além disso, sua trajetória sempre esteve ligada ao uso de períodos históricos dentro de experiências interativas. Em Assassin’s Creed, por exemplo, cidades e acontecimentos de diferentes épocas serviam como parte fundamental da narrativa.

1666: Amsterdam recupera parte desse interesse pela História. Entretanto, a proposta é diferente da franquia da Ubisoft.
Em vez de utilizar Amsterdã apenas como uma recriação histórica, o jogo transforma a cidade do século XVII em um cenário de fantasia sombria. Bruxas, entidades demoníacas e acontecimentos sobrenaturais fazem parte de uma realidade alternativa construída a partir daquele período.
Assim, embora a ligação com Assassin’s Creed seja inevitável por causa de Désilets, 1666: Amsterdam possui um universo próprio e não faz parte da franquia da Ubisoft.
1666: Amsterdam esconde demônios entre seus habitantes
A principal história do jogo se passa em uma versão sobrenatural da Amsterdã no ano de 1666.
Nesse universo, entidades demoníacas conhecidas como Originals vivem escondidas entre os seres humanos. Essas criaturas conseguem assumir identidades humanas e se misturar à população, tornando a investigação uma parte importante da experiência.
A protagonista é Noa Brooklyn, uma jovem ligada ao grupo de bruxas conhecido como Zaindaris. Ela é preparada para assumir o papel de Collector, uma figura responsável por identificar e enfrentar os Originals.

A cada 333 anos, essas entidades voltam a representar uma ameaça. Dessa maneira, Noa precisa descobrir quem são os demônios escondidos pela cidade antes de enfrentá-los.
Essa ideia também cria uma ambiguidade interessante para a história. Noa não atua apenas como uma heroína tradicional que derrota monstros. Seu papel como Collector está diretamente ligado à obtenção dos poderes dessas entidades.
A história atravessa três períodos diferentes
Embora o nome 1666: Amsterdam destaque o século XVII, a história não permanece limitada àquele período.
A narrativa atravessa 1666, 1999 e os dias atuais, utilizando diferentes personagens e acontecimentos para conectar os mistérios do universo do jogo.
Enquanto Noa vive os acontecimentos na Amsterdã histórica, outra parte importante da narrativa está relacionada ao ano de 1999. Além disso, a história também possui uma conexão com o presente.
Portanto, a proposta vai além de uma aventura histórica. O jogo utiliza diferentes períodos para construir um mistério maior, no qual acontecimentos separados por séculos possuem consequências uns sobre os outros.
Aaron viaja de 1999 para a Amsterdã de 1666
Um dos elementos mais curiosos da história envolve Aaron, o segundo protagonista.
Originalmente, Aaron vive em 1999. Entretanto, sua consciência é enviada para o passado e acaba presa no corpo de um gato preto que se torna o familiar de Noa.

Dessa maneira, Aaron mantém sua consciência humana enquanto passa a enxergar e explorar o mundo por meio do corpo do animal. A relação entre os dois protagonistas também ajuda a conectar os acontecimentos de 1999 à narrativa ambientada em 1666.
A presença de Aaron não serve apenas como uma curiosidade narrativa. Sua forma felina também influencia diretamente a jogabilidade.

Enquanto Noa possui poderes de bruxaria e enfrenta as criaturas sobrenaturais, Aaron consegue explorar o ambiente de outras maneiras e acessar situações que seriam impossíveis para a protagonista.
Noa e Aaron apresentam duas formas diferentes de jogar
A alternância entre Noa e Aaron é uma das principais características de 1666: Amsterdam.
Noa representa a parte mais direta da ação. Como bruxa e Collector, ela utiliza magia, exploração e combate para investigar e enfrentar os Originals.
Aaron, por outro lado, oferece uma forma diferente de explorar Amsterdã. Em seu corpo de gato, ele possui maior mobilidade e pode acessar determinados espaços de maneira mais discreta.
Assim, os dois protagonistas possuem habilidades complementares. O jogador pode utilizar as capacidades de Noa para alterar ou interagir com determinados elementos do ambiente e, posteriormente, aproveitar a mobilidade de Aaron para encontrar novas rotas e possibilidades.
Dessa forma, a presença do gato não funciona apenas como um elemento decorativo da fantasia de bruxaria. Aaron representa uma segunda perspectiva sobre o mundo e uma parte importante dos quebra-cabeças e da exploração.
Investigue durante o dia e enfrente os Originals à noite
A jogabilidade de 1666: Amsterdam também é construída a partir de um ciclo entre investigação e confronto.
Durante o dia, Noa explora Amsterdã e procura pistas sobre os Originals. Como essas entidades permanecem escondidas entre os cidadãos, o jogador precisa observar os suspeitos e descobrir quais deles podem representar uma ameaça.
Depois de reunir informações suficientes, os possíveis Originals podem ser marcados.
Essa investigação leva ao Esbat, um ritual no qual os alvos identificados são confrontados e obrigados a revelar suas verdadeiras formas. Portanto, a investigação realizada anteriormente possui consequências diretas durante os confrontos.
Dessa maneira, 1666: Amsterdam tenta criar uma relação entre as duas etapas. O jogador não simplesmente encontra monstros para derrotar. Antes disso, precisa descobrir quem está escondido entre a população.
Bruxaria, exploração e combate fazem parte da jornada
A bruxaria é uma das principais ferramentas de Noa.
Seus poderes não servem apenas para atacar inimigos. A magia também pode participar da exploração e da interação com o ambiente, criando novas possibilidades durante a jornada.
Além disso, o jogo combina combate, furtividade e exploração. Dependendo da situação, o jogador pode enfrentar as ameaças diretamente ou procurar outras formas de avançar.
Entretanto, as primeiras análises do acesso antecipado também apontam que alguns sistemas ainda precisam de aprimoramento.
Críticas recentes destacaram problemas relacionados ao combate, à variedade de inimigos e a alguns aspectos da inteligência artificial. Por outro lado, a ambientação, o sistema de magia e a exploração utilizando Aaron foram apontados como alguns dos elementos mais promissores do jogo.
O uso de inteligência artificial gerou polêmica.
O desenvolvimento de 1666: Amsterdam também foi marcado recentemente por uma polêmica envolvendo o uso de inteligência artificial generativa.
Após a apresentação do jogo, jogadores questionaram alguns assets utilizados em materiais de divulgação e no prólogo. A discussão levou a Panache Digital Games a se pronunciar publicamente.
O estúdio afirmou que algumas versões iniciais de assets haviam chegado ao prólogo, incluindo determinados retratos presentes no jogo e materiais externos de divulgação. A empresa reconheceu o problema e informou que versões feitas por artistas seriam utilizadas para substituí-los.
Posteriormente, a Panache reafirmou que o acesso antecipado e a versão final não incluiriam assets gerados por IA. Patrice Désilets também declarou que o jogo deixaria de utilizar esse tipo de conteúdo, afirmando que a tecnologia havia sido usada apenas durante etapas de concepção e pré-produção.
A situação gerou debates entre jogadores, principalmente porque o uso de IA se tornou um tema cada vez mais controverso dentro da indústria de games.
As comparações com Assassin’s Creed Hexe chamaram atenção
Desde sua revelação, 1666: Amsterdam também passou a ser comparado por fãs e veículos especializados a Assassin’s Creed Hexe.
As comparações são compreensíveis. Os dois projetos possuem uma ligação com a Europa histórica, temas relacionados à bruxaria e uma atmosfera mais sombria.
Além disso, 1666: Amsterdam é dirigido por uma das principais figuras criativas associadas aos primeiros Assassin’s Creed. Por isso, a proximidade entre os conceitos rapidamente chamou a atenção da comunidade.
Alguns fãs chegaram a brincar que Désilets estaria lançando seu próprio jogo de bruxaria antes da Ubisoft apresentar Assassin’s Creed Hexe.
Entretanto, é importante destacar que não existe uma ligação oficial entre os dois jogos. 1666: Amsterdam é uma propriedade independente da Panache Digital Games.
Portanto, as semelhanças devem ser tratadas como comparações feitas pela comunidade e pela imprensa, e não como uma confirmação de influência direta entre os projetos.
Amsterdã é parte importante da experiência
A cidade também possui um papel central na proposta.
As ruas e canais da Amsterdã do século XVII não funcionam apenas como cenário para os acontecimentos. O ambiente faz parte da investigação, já que o jogador precisa explorar diferentes regiões enquanto procura pistas sobre os Originals.

Além disso, a ambientação histórica é combinada com elementos sobrenaturais. Essa mistura permite que o jogo construa uma cidade familiar em termos históricos, mas ao mesmo tempo estranha e ameaçadora.
As primeiras impressões do jogo destacaram justamente esse contraste como um de seus pontos positivos. A recriação da cidade e a atmosfera de fantasia sombria ajudam a criar uma identidade própria para a experiência.
Veja o trailer do jogo:
Onde comprar “1666: Amsterdam”?
“1666: Amsterdam” está disponível em Acesso Antecipado para PC.
A escolha pelo modelo permite que a Panache Digital Games continue desenvolvendo e aprimorando o jogo com a participação da comunidade. Afinal, o título ainda possui sistemas e elementos que devem passar por mudanças antes de sua versão definitiva.
O projeto também possui um prólogo gratuito, que funciona como uma introdução ao universo, aos personagens e aos principais mistérios da aventura.
Assim, os jogadores podem conhecer a proposta antes de avançar para a experiência completa em desenvolvimento. A demonstração apresenta parte do sistema narrativo e ajuda a estabelecer a relação entre Noa, os familiares e as forças sobrenaturais que movimentam a história.
Você pode comprar o jogo 1666: Amsterdam em acesso antecipado para PC nas principais plataformas digitais, como na Epic Games Store e no Steam.
Crédito da Capa: Divulgação / Panache Digital Games
