Documentário acompanha três mulheres do MTST e revela histórias de luta, solidariedade e resistência nas periferias de Brasília.
Não Existe Almoço Grátis é um filme de Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel que acompanha a rotina de uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), em Brasília. Para contar essa história, os diretores acompanham três militantes que atuam ativamente na organização: Socorro, Jurailde e Bizza. Com distribuição da Descoloniza Filmes, a produção chega aos cinemas em 3 de setembro.
Ao longo do filme, as três mulheres contam, com suas próprias palavras, como chegaram ao MTST e o que encontraram no movimento. Socorro, Jurailde e Bizza representam um grupo que luta pelo direito à moradia da população periférica nos centros urbanos desde 1997.
Cada uma, entretanto, carrega uma trajetória diferente. Bizza, por exemplo, migrou do Nordeste para Brasília ainda muito jovem em busca de emprego. Jurailde, por outro lado, cresceu trabalhando desde criança ao lado da família de agricultores evangélicos.
Apesar das diferenças, essas mulheres negras encontraram no movimento social algo que a vida não lhes proporcionou: acolhimento, informação e uma rede de apoio. Assim, enquanto ouvimos suas histórias, o filme nos leva para dentro de uma ocupação onde elas pretendem construir suas casas. Ao mesmo tempo, acompanhamos o trabalho que desenvolvem dentro do movimento.
Um motivo para acreditar
Acima de tudo, as personagens mostram que o MTST devolveu a elas um motivo para acreditar. Por meio do movimento, fizeram amizades, retomaram sonhos e encontraram forças para seguir em frente. Atualmente, elas também são responsáveis pela cozinha solidária na favela Sol Nascente, onde vivem.
Essa relação com o coletivo fica ainda mais evidente durante a posse presidencial de 1º de janeiro de 2023. Na ocasião, Socorro, Jurailde e Bizza viajaram 30 km até o Distrito Federal para montar uma verdadeira operação de distribuição de comida durante a cerimônia de posse do presidente Lula.

Nesse momento, o filme evidencia uma das principais forças do movimento: o poder do coletivo. Afinal, foi no MTST que elas aprenderam que poderiam transformar suas próprias experiências em ações para ajudar outras pessoas.
Além disso, os depoimentos recuperam um dos períodos mais difíceis de suas vidas: a pandemia de Covid-19. Naquele momento, a fome apertou e muitas famílias não tinham gás ou sequer um fogão para cozinhar. Por isso, a cozinha solidária surgiu como uma resposta direta àquela realidade.
Socorro, por sua vez, também carrega uma história marcada por dificuldades. Depois da morte da mãe, ela sofreu o abandono do pai. Por isso, a família que construiu tornou-se sua principal referência. Agora, com o filho já tendo formado a própria família, o movimento também ocupa um espaço importante em sua vida.
LEIA TAMBÉM: Crítica | ‘Anistia 79’ resgata fatos da ditadura militar para que a história não se repita
Vale a pena assistir a ‘Não Existe Almoço Grátis’?
Sim, vale a pena. Antes de tudo, assistir ao filme permite conhecer um pouco mais sobre um dos movimentos sociais brasileiros mais emblemáticos. Além disso, a produção oferece uma perspectiva diferente sobre organizações como o MTST e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), especialmente em um cenário marcado pela desinformação sobre esses movimentos.
Mais do que apresentar conceitos políticos ou explicar a estrutura do MTST, o filme escolhe contar histórias. E é justamente aí que encontra sua maior força. ‘Não Existe Almoço Grátis’ não busca educar, mas sim mostrar a vida dessas pessoas comuns. Socorro, Jurailde e Bizza não aparecem apenas como militantes: elas aparecem como mulheres, mães, amigas e trabalhadoras, com sonhos, dificuldades, contradições e desejos. Por isso, é fácil reconhecer nelas pessoas que fazem parte das nossas próprias vidas. Elas poderiam ser nossas tias, mães ou avós. De alguma forma, Socorro, Jurailde e Bizza são também a cara desse Brasil.

Além disso, ‘Não Existe Almoço Grátis’ funciona quase como um trocadilho com a própria vida. Muitas vezes, ouvimos essa frase para dizer que nada vem fácil. No caso das protagonistas, essa ideia ganha ainda mais força: elas enfrentaram uma vida difícil e precisaram lutar por quase tudo o que conquistaram.
Ainda assim, elas não deixam de buscar a felicidade. Pelo contrário: encontram no coletivo uma maneira de continuar sonhando e construindo novas possibilidades. Com seus valores, contradições e batalhas, Socorro, Jurailde e Bizza seguem lutando — não apenas por uma casa, mas pelo direito de viver com dignidade e, sobretudo, de serem felizes. E elas têm esse direito. Mais do que isso: elas merecem. Não Existe Almoço Grátis estreia nos cinemas em 3 de setembro.
Não Existe Almoço Grátis
Brasil, documentário, 74min
Elenco: Bizza dos Santos, Jurailde Alves Ferreira e Socorro Rodrigues
Direção: Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel
Distribuição: Descoloniza Filmes
Produção Executiva: Marcos Nepomuceno, Pedro Charbel e Evelyne Lessa
Direção de Fotografia: André Hawk
Colaboração: Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
Montagem: Isabelle Araújo e Daniel Garcia
Roteiro de Montagem: Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel
Colorização: Saulo Silva e Claudia Daher
Música Original: Daniel Simitan
Supervisão de Som e Mixagem: Felipy Andrade (A3pS)
Edição de Ambiências: Rodrigo Andrade
Som e Microfonação: André Ribeiro
Assistente de Edição de Ambiências: Christian S. de Macedo
Design Gráfico: Thiago Rocha Ribeiro
Efeitos Visuais: Brenda Ximenes
Masterização: Gabriel Stefano

📲 Entre no canal do WhatsApp e receba novidades direto no seu celular e Siga o Geekpop News no Instagram

