Como a Panini transformou o mercado do álbum de figurinhas com um lançamento esportivo
Estamos em ano de Copa do Mundo e, para além dos encontros durante os jogos, do clima de festa e da expectativa, o ano de Copa tem um elemento importante: os álbuns de figurinha. Febre no Brasil e no mundo, os álbuns se tornaram parte da cultura do futebol. No entanto, eles surgiram muito antes das competições de futebol.
Primeiro nasceram as figurinhas. A Exposição Universal de Paris apresentou as figurinhas pela primeira vez em 1867, durante a feira de arte e indústria que reuniu mais de quarenta países. Já no Brasil, o primeiro registro é de 1895, quando essas então acompanhavam embalagens de cigarros, sabonetes e balas.
O primeiro álbum de figurinhas brasileiro surgiu em 1934 através da bala A Hollandeza. Na época, as pessoas conheciam as figurinhas como cromos e as fixavam no álbum com cola. Foi apenas em 1979, com o lançamento do livro ilustrado “Amar é…” que elas passaram a ser autocolantes.
Os álbuns da Copa do Mundo
O sucesso das coleções esportivas lançadas na década de 1930 impulsionou a criação dos álbuns da Copa do Mundo. Nessa época, os cigarros, chocolates e jornais disponibilizavam cartões e figurinhas de jogadores como brindes, porém, ainda sem ter um álbum.
Foi na Copa de 1934, na Itália, que as figurinhas realmente ganharam força. Na época, algumas editoras europeias passaram a produzir álbuns com jogadores e seleções. No entanto, os álbuns como os conhecemos hoje foram lançados em 1970 pela Panini. O lançamento do primeiro álbum oficial da Copa do Mundo aconteceu no torneio do México. A partir dali, eles passaram a ser padronizados e comercializados mundialmente, com figurinhas produzidas em grande escala.
Assim, a Panini acabou virando sinônimo de álbum da Copa e passou a lançar coleções oficiais em todos os mundiais seguintes. O hábito de trocar figurinhas cresceu exponencialmente e o álbum se tornou parte da cultura do futebol.
Curiosidades que valem a pena relembrar
A Panini surgiu em Modena, em 1960, onde os irmãos Panini revendiam coleções encalhadas de figurinhas como pacotes-surpresa em uma banca de jornal. Nos primeiros anos após o lançamento do álbum oficial, o público atestava ter bastante dificuldade em encontrar algumas figurinhas, afirmando que elas eram raras. Entretanto, a Panini afirma que a distribuição é equilibrada.
Colecionadores consideram o álbum da Copa do Mundo FIFA de 1970 o mais valioso, e leilões já arremataram exemplares raros por valores bem altos. Entre as figurinhas mais procuradas de todos os tempos está a do Pelé nos álbuns antigos, que pode alcançar preços elevados dependendo do estado de conservação.
Existem ainda figurinhas autografadas oficialmente em coleções especiais da Panini, mas elas não costumam estar no álbum comum. Essas normalmente vão para boxes premium de cards colecionáveis ou coleções limitadas e podem valer milhares de dólares.
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O álbum dos álbuns de figurinhas das Copas

Escrito por Marcelo Duarte, o livro “O álbum dos álbuns de figurinhas das Copas” então apresenta um profundo estudo acerca da criação dos álbuns, enquanto resgata as coleções lançadas no Brasil desde 1934. A obra também conta curiosidades, explica expressões como figurinha repetida e figurinha carimbada e faz uma viagem no tempo, mostrando assim como essas publicações se transformaram em uma atividade social ao longo dos anos.
Imagem de capa: Reprodução Panini
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