A atriz Luiza Caspary, conhecida nacionalmente por dar voz à Ellie na franquia The Last of Us, acaba de entrar para o elenco do longa
O cinema de horror brasileiro continua encontrando novas formas de transformar traumas históricos em linguagem cinematográfica e “Ventre Aberto” talvez seja um dos projetos mais ambiciosos surgidos recentemente dentro desse cenário.
Anunciado como um drama de terror psicológico ambientado nos últimos anos da escravidão no Brasil, o longa dirigido por Gabriel Vinícius e roteirizado por Lucas Maia, do canal Refúgio Cult, ao lado do próprio diretor, pretende unir horror autoral, crítica social e reconstrução histórica em uma narrativa marcada por paranoia, opressão e violência estrutural. E agora, o projeto acaba de ganhar um reforço importante em seu elenco.
Luiza Caspary entra para o elenco do filme

A atriz Luiza Caspary, conhecida principalmente por dublar Ellie na versão brasileira de The Last of Us, foi confirmada no elenco de “Ventre Aberto”.
Segundo o diretor, a entrada da atriz representa um passo importante nessa fase de pré-produção.
“A entrada da Luiza representa um movimento importante dentro dessa etapa de pré-produção. Além da identificação imediata com o público geek e gamer através de The Last of Us, ela é uma atriz extremamente sensível e potente, algo que conversa diretamente com o tom emocional e psicológico que estamos construindo para a obra.”
A participação da atriz também aproxima o projeto de um público já acostumado com narrativas densas, dramáticas e emocionalmente intensas, características que o filme pretende abraçar desde sua concepção.
Até o momento, a produção confirmou oficialmente apenas Luiza Caspary no elenco. No entanto, a produção já adiantou que irão anunciar ,em breve, novos nomes, especialmente os atores do núcleo negro da narrativa.
Sobre o que é “Ventre Aberto”?
A trama acompanha pessoas escravizadas em uma pequena fazenda isolada durante os momentos finais do regime escravista no Brasil.
Enquanto a possibilidade da abolição começa a se tornar inevitável, os jovens herdeiros brancos da propriedade mergulham em um estado crescente de paranoia e desespero diante da perda de poder e controle.
Ao mesmo tempo, o espaço da fazenda passa a se transformar em algo cada vez mais sufocante, física, psicológica e espiritualmente.
Segundo a produção, o horror do filme se constroi de forma atmosférica e simbólica, utilizando elementos sobrenaturais não como espetáculo, mas como manifestações da memória coletiva, da violência histórica e dos traumas deixados pela escravidão.
Horror político e influências do cinema contemporâneo

“Ventre Aberto” assume explicitamente o horror como ferramenta política. A proposta do longa é utilizar o gênero não apenas como entretenimento, mas como mecanismo para investigar a permanência das estruturas de opressão racial no Brasil e os impactos históricos da escravidão que continuam reverberando no presente.
O projeto dialoga diretamente com o chamado horror autoral contemporâneo. Especialmente nas produções da A24 e cineastas como Jordan Peele e Ryan Coogler, que transformaram o gênero em espaço de debate social, racial e psicológico.
Como referências, estão filmes marcados por tensão psicológica, simbolismo e construção atmosférica, onde o sobrenatural surge como extensão direta do trauma humano e histórico.
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Pesquisa histórica e compromisso com precisão
Um dos pontos mais enfatizados pela equipe é o rigor histórico da produção.
O roteiro foi desenvolvido a partir de uma pesquisa aprofundada sobre o Brasil do final do século XIX. Para isso houve acompanhamento especializado e colaboração de historiadores para garantir precisão contextual, iconográfica e cultural.
A ideia é evitar que o horror funcione de maneira superficial ou fantasiosa. Pelo contrário: a intenção é fazer com que o medo surja justamente da realidade histórica que inspira o longa.
Além disso, esse cuidado também reforça a proposta do projeto de unir cinema de gênero com memória histórica e reflexão social.
Um dos projetos mais interessantes do horror brasileiro recente
“Ventre Aberto” surge para ocupar um espaço ainda pouco explorado pelo cinema nacional que é o horror histórico com forte carga psicológica e política. E isso acontece em um momento extremamente interessante para o gênero no Brasil, com produções de terror cada vez mais ambiciosas, autorais e dispostas a transformar traumas sociais e históricos em linguagem cinematográfica. Em vez de apenas reproduzir fórmulas tradicionais, o longa busca utilizar o horror como ferramenta de memória, desconforto e reflexão.
Misturando trauma histórico, espiritualidade, violência estrutural e tensão atmosférica, o longa quer provocar desconforto não apenas através do sobrenatural, mas da própria memória coletiva do país.
Crédito da capa: Divulgação
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