Ultraman, um herói icônico com a missão de defender o mundo dos kaiju, tem sido uma figura central em incontáveis mangás, videogames e longas-metragens. No filme “Ultraman: A Ascensão” (Ultraman: Rising), dirigido por Shannon Tindle, o herói adota um bebê kaiju, representando uma mudança drástica e inesperada na narrativa tradicional.

Essa reinterpretação, mais focada na dinâmica entre pais e filhos, traz uma nova perspectiva ao legado do personagem. No entanto, essa nova abordagem também levanta questões sobre a coerência dentro do universo estabelecido. Além disso, “Ultraman: A Ascensão” tenta reimaginar a tradicional narrativa do herói, misturando temas de paternidade com ação de ficção científica.

Papai Ultraman

Ultraman
Imagem: Industrial Light & Magic

A princípio, a decisão de Ken de adotar um bebê kaiju parece ser uma estratégia para atrair um público mais jovem e impulsionar a venda de produtos derivados. De fato, essa é uma fórmula popular em animações modernas. No entanto, essa escolha também serve como metáfora para os obstáculos da paternidade e os desafios de equilibrar responsabilidades pessoais e heroicas.

A animação em CGI, realizada pela ILM, é visualmente impressionante, especialmente nas cenas noturnas onde Ultraman enfrenta monstros em combates épicos. Contudo, o roteiro, escrito por Tindle e Marc Haimes, sofre de excessiva exposição e diálogos forçados. Além disso, momentos emocionais importantes são frequentemente subestimados por soluções rápidas e mudanças de destino que diminuem o impacto dramático.

Paternidade é complicado

Ultraman
Imagem: Industrial Light & Magic

Os coadjuvantes, como Ami (Julia Harriman), uma repórter mãe solteira, e Mina (Tamlyn Tomita), uma inteligência artificial, aprofundam a história. Entretanto, suas subtramas são pouco desenvolvidas, deixando o foco principal sobre Ken e sua jornada de aceitação como herói e pai. Além disso, a tentativa de equilibrar humor e drama, com cenas envolvendo os desafios de cuidar de um bebê kaiju, muitas vezes parece deslocada em relação ao tom geral do filme.

O clímax, uma batalha vibrante contra Mega Gigantron, é um espetáculo visual. Contudo, falha em ressoar emocionalmente devido à falta de construção consistente ao longo do filme. A ideia de sacrifício parental é abordada, mas a narrativa frequentemente evita consequências permanentes, optando por resoluções fáceis que diluem a mensagem.

Vale a pena?

Ultraman
Imagem: Industrial Light & Magic

Em conclusão, “Ultraman: A Ascensão” é uma tentativa ambiciosa de revitalizar o legado do personagem, introduzindo elementos modernos e temáticas familiares. Apesar de ser visualmente deslumbrante e ter momentos de verdadeira diversão, o filme é prejudicado por um roteiro inconsistente e um desenvolvimento superficial dos personagens. Fãs de longa data podem se sentir divididos, enquanto novos espectadores, especialmente os mais jovens, talvez apreciem a nova abordagem. No entanto, para que Ultraman realmente se eleve a novos patamares, futuras produções precisarão equilibrar melhor a ação grandiosa com narrativas mais profundas e emocionalmente envolventes.

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