Filme de Authentic Games com Marco Túlio estreia em 14 de maio e mistura nostalgia, bastidores e construção coletiva para alcançar fãs antigos e novos públicos
Mais de dez anos de estrada separam o quarto de adolescente das telonas de todo o Brasil. Afinal, dezenas de turnês, livros, dublagens, produtos e uma legião de fãs transformaram o Minecraft em ponte para algo muito maior. Agora, Marco Túlio, o Authentic Games, alcança um novo patamar: o cinema. Dessa forma, Authentic Games no Império Desconectado chega aos cinemas no dia 14 de maio. O Geek Pop News teve acesso exclusivo aos bastidores da produção: o youtuber de 20 milhões de seguidores e o diretor Bruno Murtinho revelaram detalhes emocionantes sobre a criação do filme, as dificuldades técnicas da animação, a parceria com Manolo Reis e, além disso, o que mais o público pode esperar dessa aventura que conecta gerações.
Authentic Games: da tela do quarto para as telonas
Quando Marco Túlio ligou a câmera pela primeira vez em 2011, ele tinha um objetivo modesto, pelo menos para os padrões astronômicos que alcançaria depois. “Quando eu comecei, minha aspiração era chegar a 100 mil seguidores no YouTube. Pra mim já era o máximo que a gente podia chegar“, conta.
Ele não imaginava, naquele quarto de adolescente, que cruzaria o país em turnês, dublaria jogos, lançaria livros e se tornaria um dos maiores criadores de conteúdo da história do Brasil. Muito menos que chegaria ao cinema. “Não imaginava jamais estar vivenciando tudo que nós vivenciamos nesses últimos mais de 10 anos”, revela.
A gratidão, segundo ele, tem uma origem clara. Marco é cristão e atribui toda a trajetória à fé. “Sou cristão, acredito em Jesus Cristo, então acredito muito nesse favor de Deus na minha vida, sempre guiando, sempre cuidando.”
O que poucos sabem, porém, é que a semente do cinema foi plantada muito antes do YouTube. Marco conta que, quando criança, adorava brincar de gravar filmes com os primos na casa dos avós. “A gente brincava de gravar filmes, olha que loucura. Tinha até um filme em especial que o meu tio amava passar nos natais em família, aqueles filmes constrangedores que a gente gravava quando era criança.”
Décadas depois, aquelas brincadeiras viraram um longa-metragem. Marco reconhece o simbolismo de tudo isso. “Hoje poder ver isso se tornando forma, atingindo as telonas de todo o Brasil, me sinto muito alegre, feliz e contente.”
Authentic Games e os anos de preparação, ainda que sem saber
Diferente de artistas que migram do digital para o cinema sem lastro técnico, Marco construiu sua familiaridade com as câmeras ao longo de mais de uma década. Ele mesmo traça o paralelo: “Você não aprende a tocar no teclado da noite para o dia. Você vai ter que se dedicar ali horas, dias, meses, até mesmo anos para poder se aperfeiçoar.”
Essa filosofia aplicada ao próprio ofício significou milhares de horas gravando, editando, se apresentando ao vivo e sentindo a energia do público. “Rodando turnês pelo Brasil, lidando, conversando com pessoas, sentindo a energia das pessoas ali, face a face no dia a dia, alguns trabalhos que nós fizemos anteriormente, lançamos desenhos animados, participamos de dublagem de filme, de jogo, participações em programas de TV. Eu acredito que tudo isso contribui.”
Cada projeto, segundo ele, teve sua singularidade. A soma de todas essas experiências criou um criador de conteúdo preparado para o desafio de um longa. “Claro que para poder atuar, até para dublar um filme, você tem um nível de dedicação, tem efeitos técnicos”, explica.
O desafio técnico da dublagem às cegas
Um dos aspectos mais curiosos da produção revelados por Marco diz respeito ao processo de dublagem. Ao contrário do que muitos imaginam, os atores não viram as cenas prontas enquanto gravavam suas falas. “Nós dublamos o roteiro sem necessariamente ver as cenas. A gente tinha a intenção da cena, tinha ali, às vezes, o storyboard de como acontecia. A partir da intenção da cena, aplicávamos a dublagem. A gente não via o vídeo.”
Em alguns momentos, o elenco chegou a se reunir presencialmente no estúdio, mas cada um permanecia em sua própria cabine. “Teve um dia que nós gravamos em um estúdio com todo o elenco, mas cada um individualmente, na sua cabine, fazendo a sua voz.”
A parte live action, por outro lado, funcionou de forma mais colaborativa. “As passagens de roteiro também, a gente fazia muito junto. Lá foram inúmeras passagens, tanto virtuais quanto presenciais. O roteiro era um caderno gigante de todo o longa, das falas que vão sendo construídas. Você vai repetindo, vai falando, vai fazendo, vai mudando, testa online, testa presencialmente, e depois cada um vai pra sua cabine.”
Marco confessa que não se lembra de um momento em que todos estiveram juntos na mesma cabine dublando. Cada ator trabalhava com seu roteiro, suas anotações e gravava as intenções de voz individualmente.
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A ideia que nasceu em 2007 e quase foi de outro artista
O diretor Bruno Murtinho, responsável por dar forma a Authentic Games no Império Desconectado, trouxe à tona uma história de bastidor que pouca gente conhece. A ideia original do filme não nasceu com o Authentic Games. “Essa ideia, na verdade, nasceu em 2007 com uma grande artista brasileira. Uma coisa pessoal da vida dela aconteceu e ela não pôde levar adiante. Eu guardei essa ideia numa gaveta de sinopses”, revela.
O destino, porém, quis que a história encontrasse seu protagonista anos depois. A Sony Music chamou Murtinho para dirigir um especial do Marco Túlio para o canal Multishow. O diretor admitiu sem rodeios: “Eu não sabia o que era Marco Túlio. Eu vim entender o que era o Authentic Games.”
A ficha caiu quando ele chegou cedo ao local do evento, no Espaço Américas, em São Paulo. “Tomei um susto com a fila. Nunca tem ninguém. Tinha uma fila gigante. Eu falei: ‘caramba, são os Beatles que vão tocar aqui’.”
Aquele foi o primeiro contato de Murtinho com o tamanho da base de fãs do youtuber. Ele dirigiu o show, depois mais uma diária de outra apresentação e, em seguida, fez a proposta. “Cara, eu tenho uma ideia aqui maravilhosa. Uma ideia que era para uma outra artista e que não foi adiante e que eu gostaria de adaptar para o Marco Túlio.”
A resposta da Sony foi imediata. “Era uma sexta-feira. As pessoas viram o roteiro e falaram: ‘cara, a gente quer fazer isso agora. O que você tá fazendo domingo?’ Eu falei: ‘domingo eu não tô fazendo nada, domingo eu vou à praia’. ‘Não, vamos por favor domingo para Minas’.”
Dois dias depois, Murtinho já estava na casa da família de Marco Túlio, em Minas Gerais, apresentando a ideia. Eles amaram. O resto, como ele diz, é história.
Criando um mundo quadrado, mas nem um pouco limitado
Uma das marcas registradas do universo de Authentic Games é a estética quadrada, herdada do Minecraft. Murtinho fez questão de transportar essa identidade visual para o filme, mas com um desafio adicional: tudo precisava ser funcional e cinematográfico. “Esse mundo tem que parecer um computador visto de cima, um laptop aberto, uma máquina vista de cima. Esse skate tem que ser assim, essa coisa tem que ser assim, esse lugar tem que ser assim. Ao mesmo tempo, tudo tem que ser quadrado, porque vinha de uma referência grande do Minecraft do Marco. Não pode ter aresta nenhuma dentro dessa história.”
O diretor conta que mandava milhares de fotos de referência para a equipe, explicando cada detalhe do ambiente. “As pessoas perguntavam: ‘mas como é que é esse mundo? Porque só você sabe’.”
No fim das contas, a experiência foi profundamente pessoal. “Foi incrível. Foi um trabalho que a minha criança interior pirou. Se divertiu muito.”
O vilão, Manolo Reis e a construção dos diálogos no longa
Um dos pontos altos do filme, segundo Marco, é a performance de Manolo Reis. Esse dublador lendário deu voz a personagens como Robin, da DC, e Sonic. Manolo interpreta o vilão da trama e, curiosamente, essa foi uma novidade até para ele. Murtinho revelou: “Manolo nunca tinha feito um vilão. E a voz que ele criou para mim é absolutamente perfeita para o personagem.”
Marco, visivelmente emocionado ao lembrar do encontro com o dublador na pré-estreia, completou: “Quando eu estive presente com o Manolo uma segunda vez, agora na pré-estreia, eu me emocionei, porque me veio a recordação de chegar da escola, tirar a minha mochila, sentar na frente da TV para assistir alguns desenhos, e ele estava ali, dando voz para o Robin, para o Sonic e outros. Ter a presença dele me fez sentir muito, muito honrado.”
A construção dos diálogos não veio apenas da experiência de Manolo, no entanto. Murtinho, que foi ator muitos anos antes de dirigir, sabia da distância geracional entre ele e o elenco jovem formado por Marco Túlio, Cauê, Andrei Soares, o Spock, e outros. “A gente se reuniu dois dias no hotel, no Rio de Janeiro, todo mundo trancado. Eu lia os diálogos e falava: ‘agora fala isso como você falaria no seu canal’. Aí eles falavam isso, isso e isso. Eu falava: ‘ok, vai ser esse o texto’.”
Em alguns momentos, os próprios criadores de conteúdo sugeriam ajustes. “Bruno, vamos falar dessa maneira, porque a minha audiência vai entender melhor.” Murtinho ouvia e adaptava. O resultado, segundo ele, são diálogos naturais, gostosos e fiéis à linguagem do público.
E o tal do vilão? O que o trailer deixou no ar sobre o Authentic Reverso
O lançamento do trailer gerou uma enxurrada de teorias entre os fãs. A mais repercutida envolvia a identidade do vilão. Muitos acreditaram que poderia ser o “Authentic Reverso” , uma versão sombria do próprio protagonista. Quando questionado se essa possibilidade passou pela sala de roteiro, Marco foi cauteloso, mas brincou. “Vou deixar na mão da galera. O nosso roteirista, Bruno Murtinho, com sua criatividade, consegue construir histórias maravilhosas. Quem sabe, vou deixar no ar, quem saberemos ter o Authentic Reverso?”
Ele fez questão de enaltecer o trabalho de Manolo Reis como o vilão do filme. “Eu acredito que o Manolo, quanto vilão do filme, foi espetacular. A trajetória dele, tenho sempre falado, não deixo de enaltecer e reconhecer a carreira brilhante.”
Sobre o final, que fica propositalmente em aberto, Marco desconversou com um sorriso. “O final do filme ficou entreaberto. Vamos ter uma continuação? Eu não queria dar spoiler, né? Então é isso aí, está nas mãos de Deus e da galera.”
“Seja resiliente”: o recado de Marco para o próprio passado
Em um dos momentos mais sensíveis da entrevista, Marco olhou para trás. O que ele diria ao garoto de 15 anos que, sozinho no quarto, gravou o primeiro vídeo sem saber o que o esperava? A resposta veio sem hesitação. “Eu iria falar: cara, acho que é bom você não conhecer a jornada. Mas os dias maus não são tão maus assim, eles passam. Seja resiliente, busque sabedoria do Espírito em Cristo Jesus o quanto antes, e permaneça fazendo tudo aquilo que vier às suas mãos. Faça com a melhor e maior qualidade possível. Seja resiliente, forte e corajoso na sua jornada. Você vai precisar. Vai lá, campeão.”
Ele riu e completou: “Acho que não era bom eu ter vindo aqui falar com você.”
Para os fãs, aqueles que acreditaram desde o primeiro vídeo e que sonham em trilhar caminhos semelhantes, o recado foi de gratidão e pertencimento. “Pessoal, nosso carinho genuíno se estende além do YouTube. Eu tenho a oportunidade de, por vezes, encontrar vocês nas ruas, nas atividades profissionais, e vejo que a nossa conexão vai além dos games. É uma conexão genuína, real, de um carinho, de um afeto, de querer ver vocês bem.”
Ele citou encontros inesperados com fãs em aeroportos, hotéis, quartéis do exército e até dentro de aviões. “Me orgulho bastante de saber que vocês estão bem, que vocês estão crescendo, evoluindo. Permaneçam abençoados. A gente continua juntos, não somente nas telinhas, agora nas telonas. E a partir disso, gente, o céu é o limite.”
Para quem é esse filme? Marco Tulio responde
Faltando pouco para a estreia, a pergunta que não quer calar é: afinal, quem é o público de Authentic Games no Império Desconectado? Marco dividiu a resposta em três camadas geracionais.
“Para aqueles que são mais velhos, é um encontro de um momento que nós vivenciamos juntos. Somente nós que vivenciamos uma época, aquele YouTube lá nos auges de 2015, 2016, sabemos o que significa. É difícil explicar, porque a gente vivenciou. Quem sabe, sabe. Quem viveu, viveu.”
“Pra galera mais nova: prazer, eu sou o Authentic, tô chegando com tudo. A gente tem muitas histórias novas pra construir e vivenciar juntos.”
“E pros papais e mamães: em breve nós também estaremos de outras formas conversando aí. Na verdade agora é pros maninhos que já se tornaram papais. A gente vai estar de outras formas nos comunicando.”
O resumo, segundo ele, é simples. “É um encontro de um momento marcado nosso de podermos estar juntos. E, pros novos, ser conhecido também. Prazer, sou o Authentic. Quero poder estar aí presente no seu dia a dia levando alegria, vídeos que te divertem, deixando o seu dia mais divertido.”
O que esperar de Authentic Games no Império Desconectado
A estreia acontece no dia 14 de maio em circuitos de todo o Brasil. Nesse cenário, o filme chega às telonas carregado de simbolismo. Mais do que isso, ele não representa apenas uma animação protagonizada por um youtuber. “Authentic Games no Império Desconectado”, nesse sentido, consolida uma trajetória construída com consistência, fé e uma conexão rara entre criador e público.
Marco Túlio, por sua vez, nunca tratou seus seguidores como números. Ao longo dos anos, ele construiu uma relação próxima, marcada por reconhecimento, memória e afeto. Esse vínculo ultrapassa o ambiente digital e se reflete diretamente na experiência proposta pelo filme.
Ao mesmo tempo, Bruno Murtinho traduz esse universo para o cinema com sensibilidade. Vindo da música e dos videoclipes, o diretor encontra um equilíbrio entre linguagem jovem e cuidado técnico. A animação se sustenta visualmente, os diálogos mantêm naturalidade e a presença de Manolo Reis reforça a força dos personagens.
Assim, mais do que um novo passo na carreira de Marco Túlio, o filme se estabelece como um ponto de encontro entre diferentes gerações. Ele conecta passado e presente, internet e cinema, público e criador. No fim, é essa relação que sustenta a narrativa e amplia o alcance da história para além das telas.
Confira o trailer:
Foto de capa: Divulgação
Estagiária sob supervisão de Mário Guedes
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