Plataforma da Apple TV segue longe de ameaçar a dominância de Netflix e Amazon Prime, mas sequer pretende fazer isso
Um dos streamings mais “jovens” de Hollywood, a Apple TV está ganhando cada vez mais evidência com o público global. Não à toa, a plataforma é dona de alguns dos principais sucessos da TV estadunidense nos últimos anos, como “Ruptura“, “Ted Lasso“, “The Morning Show“, “O Estúdio“, “Falando a Real” e “Pluribus“, entre outros, que alcançaram êxito também como “queridinhas” das premiações.
Embora ainda seja chamado de um streaming de “nicho”, a Apple TV é uma das plataformas que mais cresce no Brasil, o que transformou o país em um dos pilares do crescimento da marca no mundo. Inclusive, nosso público já representa a segunda maior audiência, atrás apenas dos Estados Unidos.
O crescimento da relevância brasileira nos números está colocando o país no radar da plataforma, que possui planos para o futuro envolvendo expandir suas produções para além da indústria estadunidense. Mas, afinal, o que explica esse aumento do público do Brasil nos números da Apple?
Apple TV admitiu erros e recalculou rota
Desde que chegou ao mercado global há sete anos, a Apple TV vêm realizando “correções de rota”, reformulando suas estratégias. Uma delas já começa pelo nome, que era vendido inicialmente como “Apple TV+” e agora está passando por uma reformulação, sem o “+”. Mas, esse detalhe obviamente não é o principal fator que contribuiu para o aumento da visibilidade da marca.
Depois de anos priorizando apenas o público usuário de iPhone, a Apple finalmente admitiu que essa tática estava limitando sua audiência. Com isso, o streaming lançou seu aplicativo para Android e para mais modelos de Smart TVs a partir de fevereiro de 2025. A empresa não escondeu que a mudança era necessária para aumentar o número de assinantes.
Essa estratégia combinada com o sucesso das séries deu resultado no Brasil. De acordo com as pesquisas quadrimestrais do portal Just Watch, a Apple TV chegou a saltar para a quinta posição no ranking de streamings que mais geram engajamento no país durante a reta final de 2025.
A Amazon Prime assumiu a liderança ao ultrapassar a Netflix nesse quesito, com 21% contra 19% do streaming “vermelho”. Atrás da dupla que lidera em popularidade no país, está o Disney+ (18%), a HBO Max (11%) e, enfim, a Apple TV (9%), que tomou o quinto lugar do Globoplay (8%).
Leia mais: Os lançamentos mais promissores da Apple TV+ para 2026 e o que eles representam para o streaming

A Apple quer competir com a Netflix e outras gigantes do mercado?
Sim, a Apple TV não chega perto de competir em qualquer país com os números de engajamento e assinantes do quarteto Netflix, Amazon Prime, HBO Max e Disney+. Porém, a empresa sequer pensa em fazer isso. Em entrevista concedida para a Folha de São Paulo em fevereiro deste ano, o chefão do streaming, Eddy Cue, admitiu que a estratégia jamais passou por “brigar contra os gigantes”.
Pelo contrário, a empresa sempre utilizou como máxima a famosa frase “menos é mais”: a Apple sabe que não pode competir com o volume de lançamentos da Netflix, e por isso quer produzir menos para focar na qualidade. “Nós começamos este serviço há sete anos, não para ser a plataforma com a maior quantidade de conteúdos, mas com a melhor qualidade”, explicou Cue.
Isso também explica porque a empresa não compra direitos de produções já lançadas. A meta é manter o catálogo apenas com produções originais. “Isso é parte do DNA da Apple em todas as suas operações. Nenhum serviço começou do zero como nós. Nós não quisemos licenciar séries e filmes, porque estávamos focados em fazer os nossos próprios”, completou Cue.
Com isso, o streaming admite que não vencerá a competição contra seus concorrentes, mas segue tendo como meta criar um público fiel e atrair olhares através da contratação de grandes nomes de Hollywood. A aclamação crítica e o sucesso nas premiações estadunidenses surgem dessa estrutura.
Apple TV irá lançar produções brasileiras?
A resposta para esta pergunta é sim, a Apple quer lançar projetos brasileiros. Porém, isso não ocorrerá por agora. O aumento do público no Brasil recolocou a indústria brasileira no radar. Segundo Eddy Cue, o objetivo é, sim, investir no Brasil no futuro, mas ainda não há qualquer projeto em andamento.
Neste momento, a Apple abrange apenas três indústrias: a dos Estados Unidos, do México e da Colômbia. Os dois últimos citados tratam-se de investimentos feitos recentemente, que já renderam séries como a comédia “Acapulco“, uma produção mexicana. Com isso, a meta é se estabelecer nas indústrias em que já trabalha, antes de buscar novos ares.
Imagem de capa: Reprodução/IMDB
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