Há um mês, o público brasileiro pôde acompanhar a chegada de um novo streaming no mercado. O Tela Brasil se tornou a primeira alternativa 100% gratuita e exclusiva do nosso país, e já estreou com um catálogo amplo com mais de 500 obras disponíveis.

Não à toa, o projeto lançado pelo Ministério da Cultura estreou com força e superou 2,4 milhões de acessos logo nos primeiros três dias. Clássicos como “A Hora da Estrela“, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Carandiru” se tornaram as obras mais assistidas do Tela Brasil.

Um mês depois, a plataforma se prepara para uma expansão tecnológica. Disponível neste momento apenas no navegador, o Tela Brasil ainda ganhará aplicativos para Android e iOS, bem como sua versão para Smart TVs. Mas, afinal, por que e como o Brasil criou um novo serviço de streaming do zero?

Entenda por que o Brasil investiu em um streaming próprio

A resposta para a primeira parte da pergunta é simples. O Tela Brasil faz parte de uma série de iniciativas do Governo Federal que buscam promover a democratização do acesso à cultura no país. Anteriormente, o Ministério da Educação (MEC) já havia estreado um projeto com ideia similar, o MEC Livros, uma biblioteca digital com mais de 25 mil obras disponíveis gratuitamente.

Por este motivo, o Tela Brasil conta com um catálogo exclusivo de produções brasileiras. A plataforma estreou com um total de 555 títulos disponíveis. A curadoria para a seleção de obras abrangeu séries, filmes, curta-metragens, documentários e animações.

  • 267 curtas-metragens;
  • 139 longas-metragens;
  • 85 médias-metragens/telefilmes;
  • 64 séries.
filme "O Menino e o Mundo" disponível no Tela Brasil
Filme “O Menino e o Mundo”, que foi escolhido como representante do Brasil na disputa por uma nomeação ao Oscar de Melhor Animação em 2016. (Créditos: Divulgação/Filme de Papel)

O raio-X financeiro da criação do Tela Brasil

A pedido do GeekPop News, o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, detalhou como realizou o investimento para erguer um novo serviço de streaming do zero. Ao todo, a criação do Tela Brasil custou R$ 9.153.948,13 ao Governo Federal.

Desse total, R$ 4.006.448,13 financiaram o desenvolvimento tecnológico das ferramentas e da infraestrutura da plataforma, sendo R$ 2.995.016,13 para a versão de navegador e os aplicativos para Android e iOS. Já os demais R$ 1.011.432,00 estão sendo investidos no desenvolvimento da versão para Smart TVs, que promete ter compatibilidade com diferentes modelos de aparelhos.

O licenciamento das obras que fazem parte do catálogo do streaming custou um total de R$ 4,37 milhões. Desse valor, R$ 570 mil foram direcionados especificamente para o licenciamento de produções brasileiras indicadas pelo Brasil para representar o país em edições do Oscar. Vale destacar que os contratos vigentes neste momento possuem validade por 48 meses. Parte dos títulos no catálogo já eram de titularidade do Ministério da Cultura, e portanto não precisaram ser licenciados.

Junto a isso, o MinC também investiu R$ 747,5 mil nas ferramentas de acessibilidade da plataforma e também das obras de titularidade do próprio órgão. As produções que passaram por licenciamento contaram com um pacote de acessibilidade incluso no valor do licenciamento. Para finalizar, os demais R$ 30 mil que completam o orçamento total foram utilizados para a licença anual de execução de música junto ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição).

Imagem de capa: Embrafilmes/Divulgação/Sony Pictures

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