Estagiária sob supervisão de Mário Guedes e Laura Silveira
Bancada da Pipoca reúne candidaturas comprometidas com o audiovisual nas eleições de 2026
Oito entidades do audiovisual brasileiro lançaram a Bancada da Pipoca, iniciativa apartidária que busca colocar o cinema e o audiovisual entre as pautas das eleições de 2026. A proposta certifica candidaturas à Presidência da República, ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados. Para isso, os candidatos precisam assumir compromissos com uma agenda de políticas públicas voltada ao desenvolvimento do setor.
A iniciativa parte da defesa de que o audiovisual deve ser tratado como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo, previsibilidade e continuidade. Para as entidades que participam do movimento, o setor possui importância tanto econômica quanto cultural e tem impacto na geração de empregos, na inovação tecnológica e na projeção internacional da produção brasileira.
“Precisamos de uma verdadeira política de estado para seu desenvolvimento, e não apenas ações intermitentes de governo. A Bancada da Pipoca tem como objetivo organizar o campo político, com candidaturas que se comprometam a lutar pelo desenvolvimento social e econômico do nosso setor”, afirma Matheus Peçanha, diretor Sudeste da API (Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro).
Como funciona a Bancada da Pipoca
A participação ocorre por meio de um cadastro na plataforma oficial da iniciativa. A candidatura deve informar os mesmos dados registrados na Justiça Eleitoral. Em seguida, a equipe da Bancada da Pipoca confere as informações e, após a validação, libera o selo oficial e inclui a candidatura em uma plataforma pública de consulta. O sistema permite que eleitoras e eleitores acompanhem as candidaturas que aderiram à agenda e filtrem os nomes de acordo com o cargo e o estado. Também é possível gerar o selo de apoio que pode ser compartilhado nas redes sociais. Até 17 de agosto de 2026, 20 candidaturas haviam aderido à iniciativa. Os nomes pertencem a sete partidos e estão distribuídos por quatro estados.
As candidaturas que aderem à Bancada da Pipoca assumem compromissos estabelecidos na Agenda Política Consensual do Cinema e do Audiovisual. O documento foi construído a partir de demandas de profissionais, produtoras independentes, entidades representativas e trabalhadores da cultura.
A agenda está dividida em cinco eixos:
- Regulação, Direitos e Segurança Jurídica
- Financiamento, Desenvolvimento Econômico e Inovação
- Internacionalização e Inserção Global
- Trabalho, Formação e Pluralidade
- Infraestrutura, Difusão e Memória Audiovisual
Entre as principais propostas estão a regulamentação dos serviços de streaming, o descontingenciamento das receitas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), a regulamentação da inteligência artificial nas indústrias criativas com proteção aos direitos autorais e à propriedade intelectual, além da ratificação de acordos de coprodução internacional já assinados.
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Impacto econômico do audiovisual
De acordo com os dados apresentados pela iniciativa, o setor audiovisual movimenta aproximadamente R$ 27 bilhões por ano, o equivalente a 0,5% do PIB brasileiro. A atividade também gera mais de 300 mil empregos diretos e indiretos e recolhe cerca de R$ 9 bilhões anuais em tributos. Segundo a consultoria internacional Olsberg/SPI, até 67% dos custos de uma produção audiovisual são destinados a outros segmentos da economia. A atividade também impulsiona cerca de 60 setores, incluindo turismo, transporte, tecnologia e alimentação.
Apesar desse impacto, o segmento independente enfrenta problemas relacionados à descontinuidade de políticas públicas, insegurança regulatória e dificuldade de acesso a financiamento.
Responsáveis pela iniciativa
A Bancada da Pipoca reúne oito entidades que representam diferentes áreas do audiovisual brasileiro: ABRA (Associação Brasileira de Autores Roteiristas), ABRACI (Associação Brasileira de Cineastas), ABRANIMA (Associação Brasileira de Empresas Produtoras de Animação), API (Associação das Produtoras Independentes de Audiovisual), APACI (Associação Paulista de Cineastas), BRAVI (Brasil Audiovisual Independente), CONNE (Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste) e SICAV (Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual)..
“A Bancada da Pipoca é uma ferramenta importante não somente para buscar adesão de candidaturas político-partidárias ao fortalecimento do audiovisual brasileiro, mas também para já iniciar a construção de uma nova frente parlamentar de apoio ao cinema e audiovisual no congresso nacional”, afirma Matheus Peçanha, diretor Sudeste da API (Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro).
Com o lançamento, a Bancada da Pipoca passa a funcionar como uma plataforma de acompanhamento das candidaturas que assumem compromissos com o setor. A proposta é ampliar a participação do audiovisual no debate eleitoral e aproximar as demandas de profissionais e empresas das decisões políticas que podem impactar o futuro da indústria brasileira.
Foto capa: Divulgação
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