Ato Noturno dos diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon é um suspense erótico gravado em Porto Alegre. O filme fez sua estreia mundial em 2025, no Festival de Berlim, durante a mostra Panorama. Agora, a produção brasileira faz sua estreia nacional no dia 15 de janeiro com distribuição da Vitrine Filmes, através da Sessão Vitrine Petrobras.
Ao longo da obra, acompanhamos um ator e um político, Matias e Rafael, que vivem um caso em sigilo e, juntos, descobrem ter fetiche por sexo em lugares públicos. À medida que se aproximam do sonho da fama, mais intenso se torna o desejo de se colocarem em risco.
Essa é uma narrativa talvez um pouco distante para alguns. Confesso que no começo, pensei que ‘Ato Noturno’ traria uma energia de “gays trambiqueiras” e protagonistas, mas na verdade acabei vendo essa história por outro lado. Matias e Rafael são dois jovens gays que estão correndo atrás de seus sonhos, porém eles percebem que precisam abrir mão de muitas coisas para conquistá-los.
Como LGBTs ainda precisam se camuflar
Por um momento, fiquei até um pouco triste com a situação dos personagens LGBTs. Apesar de toda estética noturna e erótica, ‘Ato Noturno’ também mostra a realidade desses indivíduos que precisam se esconder para “caberem” na sociedade. Isso revela que nada mudou desde os anos 80, como vimos em ‘Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente”.

Apesar disso, Gabriel Fryas (Matias) e Cirillo Luna (Rafael) carregam uma contradição e uma ferocidade em seus papeis. Mais do que vencer na vida e ter sucesso, os dois desejam o prazer e não querem abrir mão disso. Mesmo que custe caro. Ainda que eu tenha refletido de outra forma, ‘Ato Noturno’ não é um filme triste, bem longe disso. Ele é tenso e provocador, sempre com alguma coisa chamando atenção. Em algumas cenas tive a sensação que era eu que ia se pega em algum momento constrangedor.
LEIA TAMBÉM: Crítica | “De Férias com Você” aposta nos clichês e encanta
Vale a pena assistir ‘Ato Noturno’?
Sim, vale a pena. ‘Ato Noturno’ não é filme linear, ele aposta nas contradições, na hipocrisia, nos estereótipos e tudo mais que você puder imaginar. Não há como objetivo ser um filme sério. O roteiro, também assinado por Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, aposta em trazer a tona todos as aventuras e os perigos que a noite pode proporcionar e os desdobramentos das escolhas de cada personagem.
Um exemplo disso é que Matias é capaz de passar a perna no amigo Fábio (Henrique Barreira) para conquistar algo que deseja. E Rafael é capaz de se camuflar entre as pessoas para conseguir o mesmo. Uma boa definição para esse longa é dizer que ele poderia ser comparado a uma das obras de Nelson Rodrigues. Misturando realidade com um leve toque de fantasia, ai está Ato Noturno, que estreia nos cinemas brasileiros em 15 de janeiro.
Imagem de capa: Divulgação
📲 Entre no canal do WhatsApp e receba novidades direto no seu celular e Siga o Geekpop News no Instagram e acompanhe conteúdos exclusivos.
