Muito mais que uma biografia, uma imersão na mente do personagem! Estreou nos cinemas brasileiros o filme Franz, da diretora Agnieszka Holland, que busca apresentar ao público a história de um dos autores tchecos mais influentes do século XX.

Na trama, podemos conhecer um pouco mais da vida de Franz Kafka, desde sua infância em Praga do século XIX até sua morte em Viena, pós-Primeira Guerra Mundial. Passando por vários momentos importantes da vida do autor, o espectador é convidado a embarcar na mente dele por meio da tela.

Uma história real

O longa foge do modelo tradicional das cinebiografias e aposta em uma narrativa muito mais sensorial do que cronológica. Em vez de contar a vida do protagonista do começo ao fim, o filme prefere explorar suas memórias, seus sentimentos e a forma como ele enxergava o mundo.

A montagem faz com que a história seja construída aos poucos, permitindo que o espectador conheça Franz não apenas pelos acontecimentos de sua vida, mas também por suas emoções e lembranças. É um filme que exige atenção, mas que recompensa quem embarca na proposta.

Ao longo da narrativa, acompanhamos diferentes fases da vida de Franz, desde a infância até a vida adulta. Porém, esses momentos não aparecem em ordem cronológica. O roteiro mistura acontecimentos importantes de diferentes épocas, fazendo com que a história pareça funcionar como a memória humana: um conjunto de lembranças que surgem sem seguir uma sequência lógica.

O espectador vê momentos da infância do protagonista, mas que são memórias inseridas já na vida adulta do personagem (parte central do filme). Compreende a relação que ele tem com a família, principalmente por não seguir os sonhos do pai e ter a irmã como confidente e amiga. Entende como ele começou a escrever e os amigos que tinha no meio, inclusive um que não atendeu seu pedido pós-morte.

Cena do filme "Franz" (2025)
Cena do jantar de noivado no filme “Franz” (2025). Crédito: IMDb

Roteiro e direção diferentes do convencional

Um dos aspectos mais interessantes do filme é justamente a maneira como passado e presente convivem na mesma narrativa. Em diversos momentos, vemos a versão adulta do protagonista dividindo espaço com cenas de sua infância. Em outras sequências, o filme nos leva ao presente, quando visitantes caminham pelo museu dedicado à história de Franz, deixando claro que ele já morreu, mas que sua trajetória continua sendo lembrada e reinterpretada.

A direção também merece destaque pelo uso criativo da câmera. Os movimentos de zoom in e zoom out aparecem com frequência, aproximando o espectador de detalhes importantes ou ampliando a visão de determinadas cenas para mudar completamente sua percepção. Além disso, a diretora utiliza movimentos de câmera pouco convencionais, fugindo dos enquadramentos tradicionais e tornando a linguagem visual muito mais dinâmica.

Esses recursos não estão ali apenas por estética. Eles fazem com que o público enxergue os acontecimentos sob a perspectiva de Franz, da mente dele.

Outro ponto que chama atenção é o trabalho visual. O filme brinca constantemente com texturas, sobreposição de imagens e a alternância entre cenas em preto e branco e em cores. Esses elementos não servem apenas para deixar o filme bonito, mas também ajudam a diferenciar lembranças, sentimentos e momentos da narrativa.

Vale a pena assistir a “Franz”?

O filme pode ser lento e cansativo em alguns momentos, até mesmo considerado confuso. Mas, se peca um pouco no roteiro, a obra cinematográfica ganha destaque na maneira como a diretora escolheu fazer as imagens. Uma boa sacada foi introduzir personagens, como o tio, o amigo e o médico, que fazem uma quebra da quarta parede e conversam diretamente com o público, contando a história do protagonista.

É uma obra que convida o espectador a sentir e interpretar junto com o personagem. Sem seguir uma narrativa linear, o filme obriga o espectador a estar atento a cada detalhe. No fim, a mensagem que fica é que Franz não teve a oportunidade de vivenciar o sucesso de suas obras. Com isso, percebemos que algumas vidas continuam existindo por meio das memórias que deixam para trás… Mesmo que essas pessoas queiram apagá-las antes de partir.

Ficha Técnica

Franz
República Tcheca, Polônia, Alemanha, França, 2025, 127 min.
Direção: Agnieszka Holland
Roteiro: Marek Epstein
Elenco: Idan Weiss, Peter Kurth, Katharina Stark, Sebastian Schwarz e Daniel Dongres
Produção: Sarka Cimbalova e Agnieszka Holland
Direção fotográfica: Tomasz Naumiuk 
Classificação: 16 anos
Distribuição brasileira: A2 Filmes

Imagem de capa: IMDb

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