Quando recebi o convite para assistir a O Bosque Selvagem, fiquei muito empolgado porque sou muito fã de animações em stop motion, como A Fuga das Galinhas (2000), A Noiva Cadáver (2005), A Casa Monstro (2005), Coraline e o Mundo Secreto (2009), entre outras.
Já vi diversos vídeos explicando como são feitas as filmagens, o quanto esse processo é minucioso e quanto tempo pode levar para produzir um filme como esse. Vou tentar falar um pouco sobre a história e os sentimentos que tive ao assistir ao filme. Mas o que posso adiantar é: este filme tem algumas das histórias e cenas mais bonitas que vi em 2026.
A história acompanha Prue McKeel, uma menina cuja vida muda completamente quando seu irmão mais novo é sequestrado por um bando de corvos e levado para a Floresta Impassável. Junto com seu amigo Curtis, ela decide entrar nesse lugar desconhecido para resgatá-lo e acaba envolvida em uma luta por um mundo secreto cheio de criaturas e perigos.
Das páginas para as telonas
O Bosque Selvagem faz parte de uma trilogia de livros infantojuvenis formada por O Bosque Selvagem (Wildwood, 2011), O Bosque Subterrâneo (Under Wildwood, 2012) e O Império do Bosque Selvagem (Wildwood Imperium, 2014). Os livros são escritos por Colin Meloy e ilustrados por Carson Ellis, que também são responsáveis pelo roteiro da adaptação para o cinema.
O filme é produzido pelo LAIKA Studios, estúdio conhecido por produções em stop motion e responsável por outros filmes de grande sucesso, como Coraline.
A direção é de Travis Knight, que tem boas obras no currículo, como Bumblebee (2018), conhecido como um dos melhores filmes do universo de Transformers, e He-Man e os Mestres do Universo (2026), que me tirou boas risadas neste ano. Ele também tem uma vasta experiência em animações em stop motion, com ParaNorman (2012) e o incrível Kubo e as Cordas Mágicas (2016).
O filme abre com uma cena bem perturbadora e tensa, algo que eu não esperava ver em uma animação. Logo no começo, já fica claro que a história será triste e sombria.
Depois acompanhamos Prue McKeel, uma adolescente que mora com os pais e seu irmão mais novo, Mac. Como toda boa adolescente, Prue não cumpre o que prometeu aos pais e sai de casa com Mac.
Ao andar pela cidade com o irmão, conhecemos Curtis, o amigo tagarela de Prue, que funciona como o alívio cômico do filme, mas sem forçar.
Como é mostrado nos trailers, Mac é “sequestrado” por uma revoada de corvos e levado diretamente para a Floresta Impassável. Quando vemos a floresta, automaticamente pensamos: “Se eu entrar aí, sou uma pessoa morta”, algo que o próprio Curtis fala para Prue.
A floresta tem um tom muito sombrio, com neblina, um breu forte e vários sons saindo das árvores. Mas Prue não pensa duas vezes. Ela precisa buscar o irmão de qualquer maneira.
Dentro da floresta, somos apresentados a um lugar lindo e bastante diverso em cores, plantas e animais. Uma coisa que se destaca no filme é a beleza. Dá para perceber como o diretor teve muito cuidado e, afirmo, muito carinho com esse filme.
O projeto levou muitos anos para ser produzido, e isso é visto na telona. As cores são muito vivas, e os movimentos e detalhes impressionam. Só tenho elogios para o que foi mostrado visualmente.

Uma dor dividida por todos
Dentro da floresta, Prue e Curtis percebem rapidamente que aquele lugar é realmente muito perigoso. Os dois correm e acabam se separando enquanto tentam lutar por suas vidas.
Não há cenas com sangue, mas o filme mantém um peso emocional muito forte.
Prue conhece outro personagem importante, Lars Svik, o Governador. É com ele que temos uma explicação da história que se conecta com a cena vista no começo do filme e também mais detalhes sobre a vilã, que quem tem o azar de encontrar primeiro é Curtis.
Curtis é levado para o lado mais sombrio da floresta e conhece pessoalmente Alexandra, a Governadora Dowager.
Aqui temos uma personagem muito bem elaborada. Ela é uma vilã convincente desde o começo e também uma bruxa poderosa, com um enorme exército.
Alexandra está de luto e sente muita dor, mas obriga todos ao seu redor a sentirem o mesmo que ela. Não demonstra arrependimento e se mostra uma vilã impiedosa, sem remorso em tirar do caminho qualquer pessoa que atrapalhe seus planos.
Conforme Prue e Curtis avançam pela floresta, novos personagens são apresentados.
Curtis conhece Septima, uma ratazana com quem cria uma linda amizade e que, com certeza, será responsável por algumas lágrimas de quem assistir ao filme. Ele também conhece Brendan, o Rei dos Bandoleiros, e seus aliados, guerreiros que lutam contra a vilã e querem impedir a destruição daquele mundo.
Prue conhece Owl Rex, uma coruja velha e sábia que governa as aves boas, já que os corvos trabalham para Alexandra. Também conhecemos a General Uma, uma gigantesca águia que atua como soldada de Owl.
Depois de uma tragédia, Prue encontra a Sra. Ifigênia, indicada para ajudá-la. Ela é uma anciã de um pacato vilarejo e explica para Prue mais sobre a magia e sobre a ligação da própria jovem com aquele mundo.
Prue finalmente descobre onde seu irmão está e conhece Alexandra. É nesse momento que temos mais uma demonstração da crueldade da vilã.
Prue fica arrasada e acredita que tudo está perdido e que o único caminho é aceitar o rumo que as coisas tomaram.
É então que ela descobre toda a verdade sobre ela e seu irmão Mac, em uma reviravolta que já vimos em outras histórias clássicas e contos infantis, mas que aqui é apresentada com um peso capaz de emocionar.
Prue entende o que precisa fazer e conta com a ajuda do seu amigo e aliado Curtis para tentar impedir o plano sombrio e criminoso da Governadora, pedindo ajuda a todos que conheceram durante a jornada.
É aqui que o filme chega a uma de suas maiores cenas. A batalha é gigantesca e intensa, deixando o espectador aflito a todo momento. As sequências são eletrizantes e muito bem feitas, e fiquei impressionado com a qualidade apresentada.
Considerações finais
O Bosque Selvagem é gigantesco. A direção é impecável e o roteiro prefeito. Dá para perceber que o diretor e os roteiristas tiveram muito carinho e colocaram muito coração nesse projeto.
Na minha opinião, é um filme que tem potencial para aparecer entre os premiados da temporada. E, se isso acontecer, será merecido.
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