Os bastidores da moda podem ser cheios de segredos. No longa Vidas Entrelaçadas (“Couture“), protagonizado por Angelina Jolie, podemos acompanhar um pouco da vida de mulheres que vivem no universo da moda. E, talvez, esse seja o trabalho mais pessoal da vida da atriz.

Lançado mundialmente no Festival Internacional de Toronto de 2025, o filme retrata a vida de três mulheres: uma cineasta (vivida por Jolie), uma modelo e uma maquiadora. Os destinos delas se cruzam durante a efervescente Paris Fashion Week. 

Três histórias que se cruzam…

A trama começa apresentando Maxine, personagem vivida por Angelina, uma cineasta amante do gênero terror/gótico. Logo descobrimos que ela foi contratada para fazer o filme de abertura de um desfile e, por isso, acabou abrindo mão do tempo com a filha adolescente. Também entra a informação de que ela está passando por um divórcio turbulento e que o foco da vida dela agora é a carreira por trás das câmeras. Porém, uma notícia inesperada pode mudar o rumo da vida dela.

Em seguida, chega a vez de Anyier Anei ganhar a tela, dando vida à modelo Ada. A jovem abandonou os estudos, mentiu para o pai e foi para Paris em busca da chance de se tornar uma modelo de sucesso. Ela representa a inocência de uma pessoa que cai de paraquedas no mundo da moda, sem amigos e sem saber quais são os truques para sobreviver ao caos e às cobranças.

A última personagem que é apresentada é Angèle (Ella Rumpf), uma maquiadora que está tentando sobreviver. Mas logo fica claro que o sonho dela é se tornar uma escritora. Ela coloca no papel tudo aquilo que vivenciou nos bastidores da moda. Inclusive, em alguns momentos, ela se torna a pessoa que está contando a história para o público.

Apesar de as três mulheres não terem tantas cenas em conjunto, é possível perceber que cada uma está passando por uma experiência no mesmo universo. Diria que Angèle acaba servindo como uma conselheira para Ada e Maxine, já que ambas têm diálogos interessantes sobre a vida com a maquiadora. Além disso, é ela acaba narrando a parte final da história.

Ella Rumpf e Anyier Anei em cena de "Vidas Entrelaçadas".
Ella Rumpf e Anyier Anei em cena do filme “Vidas Entrelaçadas”. Crédito: IMDb

Ritmo lento, roteiro sem emoção

O roteiro aborda temas interessantes e que servem de reflexão, como tomar decisões difíceis sobre a vida ou ir em busca de um sonho. No entanto, ele peca ao ser razo e não trazer uma conexão com o telespectador.

A história da protagonista talvez fosse a que devesse ter mais impacto para quem está assistindo, mas não há tanta emoção nas cenas para fazer o telespectador entrar de cabeça na história. É possível sentir pena quando ela descobre que está doente, sentir o quanto ela entra em conflito sobre o tratamento e o futuro da carreira, a vida como mulher. Porém, não há profundidade.

Quem conhece Angelina Jolie consegue imaginar que a história de Maxine é um tanto quanto pessoal para a atriz por se tratar de câncer de mama (doença que levou a vida da mãe dela). Apesar de Jolie fazer um trabalho fenomenal com a personagem, trazendo emoção até mesmo na forma de olhar, o texto não contribuiu para a existência de uma conexão com o público.

O mesmo acontece com as outras personagens. A própria Angèle mal aparece em cena, tendo uma introdução e aparecendo novamente nos minutos finais. Até mesmo Christine (Garance Marillier), a jovem costureira que está fazendo o vestido que Ada vai usar no primeiro desfile da carreira, consegue ganhar mais tempo de tela.

Vale a pena assistir “Vidas Entrelaçadas”?

Para quem gosta de experienciar o mundo da moda, esse filme faz o seu papel. Angelina Jolie traz um lado humano para a personagem principal, mesmo com um roteiro que não traz um momento épico ou uma mudança drástica. Talvez esse seja o ponto alto do filme, assim como as performances de Ella Rumpf e Anyier Anei.

O roteiro é lento, fazendo com que exista uma sensação de que o tempo não está passando. A fotografia é bonita, assim como a trilha sonora, que agrega um pouco de emoção à obra cinematográfica. O final é fechadinho, dando indícios do destino de cada uma das personagens e deixando algumas respostas para a imaginação de cada telespectador.

“Vidas Entrelaçadas” já está disponível nos cinemas brasileiros.

Ficha Técnica

Vidas Entrelaçadas
EUA, França, 2025, 106 min.
Direção: Alice Winocour
Roteiro: Alice Winocour
Elenco Principal: Angelina Jolie, Ella Rumpf, Anyier Anei, Louis Garrel e Vincent Lindon
Produção: Charles Gillibert, William Horberg, Angelina Jolie e Zhang Xin
Direção de Fotografia: André Chemetoff
Classificação: 12 anos
Distribuição brasileira: Synapse

Imagem de capa: IMDb