Sabe quando termina um filme e você fica pensando, “o que será que vai acontecer daqui pra frente”? Quando assisti O Diabo Veste Prada pela primeira vez, fiquei imaginando como seria a vida da Andy daquele ponto em diante, será que a Miranda melhoraria, será que a Emily cresceria na vida? Pois bem, agora sabemos tudo isso em O Diabo Veste Prada 2.

Dirigido novamente por David Frankel, a sequência de um dos filmes mais queridos de quem ama moda chega aos cinemas para mostrar como a vida é cíclica. Andrea trabalha em um jornal, como sempre sonhou, e se realiza como jornalista, até que uma demissão em massa abre portas para seu retorno à Runway Magazine, que agora sofre com uma má reputação e precisa recuperar sua credibilidade.

A fórmula aqui é muito parecida com a do primeiro filme, mas com mudanças substanciais no enredo. O mundo mudou, o jornalismo mudou, a moda mudou, e tanto a Runway quanto Miranda estão se adaptando a essa nova era. A manda-chuvas, pressionada pelas mudanças de comportamento da sociedade, precisa maneirar no seu jeito firme, por vezes cruel, enquanto a revista luta para sobreviver em meio à digitalização e à força das redes sociais.

Meryl Streep em O Diabo Veste Prada 2
Foto cortesia de 20th Century Studios.

Um dos pontos mais interessantes do filme é justamente essa leitura do presente. O roteiro tenta mostrar que mudanças são inevitáveis, tanto para o lado bom quanto para o lado ruim. Ao mesmo tempo, escancara a realidade das profissões, especialmente do jornalismo, com demissões em massa, cortes de custos, acúmulo de funções e a necessidade constante de reinvenção. E aqui o filme deixa de ser apenas entretenimento e passa a dialogar diretamente com quem vive esse mercado.

Mas falar da obra sem escorregar em spoiler é um desafio. O que posso dizer é que, pela primeira vez, vemos uma Miranda Priestly vulnerável, menos intensa, quase cansada de sustentar a própria imagem. Existe um olhar mais humano sobre essa relação com seus funcionários, e isso muda completamente a dinâmica da narrativa. Ao mesmo tempo, também vemos como essa convivência pode ser destrutiva, especialmente ao observar quem Emily Charlton se tornou.

E aqui entra uma das minhas maiores ressalvas. Emily, que já foi um dos motores dramáticos mais interessantes do primeiro filme, aparece deslocada. Sua presença parece mais funcional do que orgânica, quase como uma ponte para que Andrea brilhe novamente. Falta impacto, falta consequência, falta propósito.

Emily Blunt como Emily Charlton em 20th Century Studios’ THE DEVIL WEARS PRADA 2. Foto cortesia de 20th Century Studios.

Ainda assim, é impossível negar a força do conjunto. O Diabo Veste Prada 2 mantém a intensidade narrativa do original e consegue ser tão envolvente quanto. Mérito do roteiro de Aline Brosh McKenna e do próprio Frankel, que entendem o peso desse universo e não se rendem à tentação de agradar de forma fácil. Eles acertam justamente por permanecerem fiéis à essência construída há quase duas décadas.

No fim das contas, é um filme divertido, bonito e bem elaborado, com poucos erros e muitos acertos. Em meio à falta de criatividade que ronda Hollywood, essa sequência surge como um respiro, provando que, quando há cuidado e propósito, continuações podem sim ser tão boas quanto seus originais.

Foto de capa: Cortesia de 20th Century Studios.

FICHA TÉCNICA
Direção | David Frankel
Roteiro | Aline Brosh McKenna e David Frankel
Produção | Wendy Finerman
Elenco | Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt
Fotografia | Florian Ballhaus
Montagem | Mark Livolsi
Figurino | Patricia Field
Música | Theodore Shapiro
Título original | The Devil Wears Prada 2
Gênero | comédia, drama
Duração | 120 Minutos
País e ano de produção | Estados Unidos, 2026
Distribuição | 20th Century Studios

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