Dos romances clássicos aos pares que quebraram tabus, as histórias de amor na ficção também influenciam, especialmente no Dia dos Namorados, a maneira como o público entende o amor e a diversidade

Nesta semana, é inevitável lembrar dos casais da ficção que ajudaram a moldar nossa ideia de romance. Seja nas telonas ou nas séries de TV, essas histórias atravessam o tempo, provocam emoções e, muitas vezes, nos fazem refletir sobre como vivemos (ou idealizamos) o amor. Muito além de corações partidos ou finais felizes, casais fictícios também desafiam padrões, discutem diversidade e deixam marcas na cultura pop.

Personagens como Jack e Rose, de Titanic (1997), eternizaram o amor arrebatador e trágico. Rachel e Ross, de Friends (1994–2004), representaram os altos e baixos de um relacionamento moderno, com idas e vindas que muitos espectadores reconheceram na própria vida. Enquanto isso, Callie e Arizona, de Grey’s Anatomy (2005–2021), ajudaram a ampliar a visibilidade de casais LGBTQIAPN+ em horário nobre, com uma trama que tratou temas como maternidade, sexualidade e separação de forma sensível.

Amores diversos que romperam padrões na ficção

Dia dos Namorados: casais da ficção - I Love Lucy
Lucy e Ricky Ricardo são um dos casais mais icônicos das séries de televisão | Foto: CBS Photo Archive

Ao longo das décadas, a ficção também foi responsável por incluir narrativas que fugiam do casal “padrão” e abriam espaço para afetos diversos. Em Moonlight (2016), Chiron e Kevin protagonizam uma história delicada sobre autodescoberta, masculinidade e desejo. Em Pose (2018–2021), Angel e Lil Papi mostram que é possível construir amor em meio à marginalização, em uma série que deu voz à comunidade trans e latina dos anos 1980 e 1990.

Mesmo em épocas menos abertas à diversidade, personagens como Shug Avery e Celie, de A Cor Púrpura (1985), mostraram que o afeto entre mulheres negras também merece espaço. Essa representação, no entanto, foi silenciada por muito tempo. Lucy e Ricky Ricardo, em I Love Lucy (1951–1957), trouxeram para a televisão um casal latino e inter-racial. Com humor, a série abordava a dinâmica de um casamento real em tempos conservadores.

Dia dos Namorados: como os romances da ficção moldam nosso jeito de amar

Outros romances marcaram gerações pela força do melodrama, como Dona Flor e Vadinho, do clássico brasileiro Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976). Também conquistaram o público os casais que uniram fantasia e aventura, como Han Solo e Leia Organa, de Star Wars (1977–1983). Mais recentemente, o casal sul-coreano Yoon Se-ri e Ri Jeong-hyeok, de Pousando no Amor (2019–2020), se tornou um fenômeno do streaming.

Além disso, entre os mais jovens, Troy e Gabriella, de High School Musical (2006–2008), se tornaram símbolo de um romance leve e musical. O casal marcou uma geração que cresceu assistindo ao Disney Channel.

Para quem prefere paixões intensas, Scarlett O’Hara e Rhett Butler, de E o Vento Levou (1939), ainda são uma referência. Hoje, no entanto, suas atitudes também geram discussões sobre relações abusivas e dinâmicas de poder.

Dos clássicos ao contemporâneo, do drama ao humor, esses casais da ficção têm em comum a capacidade de despertar sentimentos. No Dia dos Namorados, também fazem o público refletir sobre como o amor é vivido, sentido e representado em diferentes tempos e contextos. Afinal, a arte também ensina a amar, ou, no mínimo, a questionar por que amamos como amamos.

Redator em experiência sob supervisão de Levi Gois Pires

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