No terror, ser mãe nem sempre significa amor, às vezes significa medo
O Dia das Mães ocorre todos os anos no segundo domingo de maio e, numa data como essa, não se pode deixar o gênero de terror de lado. Desde Psicose, a figura da mãe se faz presente no horror e, ao longo dos anos, teve diversas representações. No entanto, algumas dessas obras se destacam pela maneira tão diferente de unir o terror e a maternidade. E não só isso, mas também pela forma como a maternidade se vincula a algumas narrativas, tornando impossível separar uma da outra.Por isso separamos algumas dessas figuras nada convencionais e suas obras:
Pamela Voorhees – Sexta Feira 13 (1980)

No primeiro filme, o acampamento Crystal Lake é reaberto após diversas tragédias no passado. Um pequeno grupo de monitores é advertido sobre o local, mas dão pouca atenção e decidem se divertir no local. O que eles não imaginam, é que serão caçados por um assassino brutal.
Uma das primeiras reviravoltas nos filmes de terror, para muitos, é por parte dela. Pamela Voorhees, em um dado momento, se revela como a assassina, que busca vingança pela morte de seu filho Jason no acampamento. Algo que ela culpa os monitores por seu descuido. Porém, apesar da sede de vingança, ela se descuida e acaba sendo derrotada, o que desperta a ira de seu filho Jason, que só viria a surgir no segundo filme.
Ellie – A Morte do Demônio: A Ascensão (2023)

Na produção de 2023, uma mulher viaja para Los Angeles para visitar sua irmã, Ellie, e seus filhos. No entanto, após um dos filhos encontrar um livro antigo e misterioso, a família é abalada por forças demoníacas. E assim, precisam tentar sobreviver ou perecer, num terror dirigido por Lee Cronin.
Em “A Morte do Demônio: A Ascensão”, temos duas versões de mãe e um momento de transição entre elas. No início, conhecemos a Ellie como uma mãe esforçada, focada nos filhos e que cuida da casa. Mas assim que a trama avança, ela é possuída por forças sombrias e se torna algo sombrio, macabro e nada igual a sua primeira versão.
Rosemary – O Bebê de Rosemary (1968)

Em “O Bebê de Rosemary” acompanhamos uma mãe, Rosemary, que se muda para um apartamento num novo bairro junto de seu marido. O problema começa após o falecimento de uma jovem e a estranha aproximação de um casal de idosos na vida da moça. Algo que gera desconfiança nela, que precisará lidar com algo que nunca presenciou antes.
Rosemary é um dos exemplos mais emblemáticos da nossa lista. Ela demonstra como pode ser difícil ser mãe, num cenário com pessoas tão controladoras e ainda com a adição do fator sobrenatural. Fator esse que, sem revelar muito, chega a um encerramento quase surreal de tão sombrio.
Annie Graham – Hereditário (2018)

No terror de 2018, a família Graham começa a desvendar alguns mistérios após a morte da avó. Mesmo após seu falecimento, ela parece estar por perto de sua neta, Charlie. E com isso, um crescente terror toma a casa e a família, que precisa escapar do horror que parece ser sua herança.
Annie Graham, matriarca da família, serve tanto como pilar familiar como conexão entre a avó e o restante da família. Assim, ela se vê em cenários não convencionais e precisa desempenhar o papel de mãe em meio a um caos familiar. Aliado a isso, há todo o horror crescente na trama, que parece tomar a personagem vivida por Toni Collette.
“Mãe” – Noites Brutais (2022)

Em “Noites Brutais” conhecemos uma jovem que, ao chegar na casa que alugou no AirBnb, descobre que um estranho já está lá. Mais do que isso, o estranho também havia alugado o espaço, algo que a deixa com medo e suspeitas. No entanto, ao investigar a casa, eles descobrem um porão oculto e segredos macabros que o local esconde.
A “mãe” do filme é uma das mais diferentes na lista e tem um aspecto de uma criatura, ou quase isso. A mulher que outrora foi sequestrada, teve sua mente deformada e passou a acolher aqueles que chegavam ali como filhos. Mais do que só uma criatura, essa figura se torna um exemplo do que situações sombrias podem fazer com uma pessoa.
Augusta Gein – Monster: Ed Gein (2025)

Deixando um pouco o campo das ficções e indo para o lado real, temos a série Monstro: A História de Ed Gein. A série conta a história de um dos mais conhecidos assassinos em série dos Estados Unidos. Seguindo de um começo difícil no interior até a trajetória que o colocaria como um dos mais famosos serial killers do país.
A mãe de Ed, Augusta, teve grande impacto em sua natureza e isso se deve a forma como ela o criou. Seguindo uma cartilha rigorosa e religiosa, ela afetou a sociabilização de Ed e moldou parte de sua visão da sociedade. Algo que cobraria seu preço após a morte de Augusta, alguns anos mais tarde. Esse cenário levou Ed Gein a cometer barbaridades que inspiraram tanto “Psicose” quanto “O Massacre da Serra Elétrica”.
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Mãe – “Boa noite, mamãe” (2014)

O terror austríaco “Boa noite, mamãe” é um bom exemplo do que uma trama simples, mas bem executada é capaz de fazer. No filme, após uma mãe se afastar de casa devido a cirurgias plásticas, ela retorna ao lar e aos seus filhos gêmeos. No entanto, os garotos não acreditam que a pessoa com o rosto enfaixado seja realmente a mãe deles. E, assim, uma trama de suspense se inicia.
Nesse longa, a figura da mãe parece caminhar num terreno diferente. Algo que é quase alienígena, para os meninos e que é potencializado pela direção. Independentemente das suspeitas deles estarem corretas, a mãe, normalmente sinônimo de segurança, se torna “vilã” e fonte de medo.
Crédito da capa: Divulgação
Estágio sob supervisão de Thiago Satiro.
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