Malu carvalho, do Grupo Eureka, destaca como a prática oferece um tempo mais desacelerado para poder se conectar com suas experiências pessoais
Em celebração ao Dia Nacional do Livro Infantil, no próximo sábado (18), é interessante refletir sobre o papel da literatura no desenvolvimento infantil na modernidade. Entre telas que nunca se desligam, rotinas aceleradas e questões socioemocionais em alta, abrir um livro e ouvir uma história volta a ter seu lugar de prestígio na cultura.
O dia nacional, que homenageia o escritor Monteiro Lobato, é um momento ideal para pensarmos na leitura como uma alternativa para o dia a dia acelerado e estimulante que as crianças vivem. Assim, vale pensar a prática como uma experência em que crianças e jovens podem reconhecer sentimentos e aprender a nomear emoções.
Mais sobre a literatura na infância
De acordo com a especialista em Leitura do Grupo Eureka, Malu Carvalho, os livros oferecem algo cada vez mais raro no cotidiano contemporâneo: tempo para sentir e refletir. Assim, ela argumenta que os livros infantojuvenis devem funcioncar como espaços de experiência, nos quais sentir, imaginar e pensar são ações inseparáveis.
“Em um contexto marcado pelo excesso de estímulos e pelo aumento da ansiedade, a leitura cria um tempo mais desacelerado, em que crianças, jovens e adultos podem se conectar com suas próprias experiências por meio das histórias. Ao encontrar personagens que vivem conflitos, dúvidas e descobertas, o leitor se reconhece, projeta sentidos e, muitas vezes, elabora emoções de maneira singular, mediada pela imaginação e pela relação com o texto”, afirma.
Exemplos de livros
Essa perspectiva pode ser observada em diferentes obras recentes da literatura infantil brasileira. Um dos títulos de destaque é “Os Barcos”, de Eliandro Rocha e Alexandre Rampazo, com publicação da editora Casa do Lobo. Em resumo, a obra aborda a memória das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul a partir de um olhar infanti e comenta sobre temas como perda, medo e solidariedade.
Leia também: Saúde mental: Livros para crianças entenderem os sentimentos
Já “A Minha Pessoa Preferida” (Casa do Lobo), de Kiara Terra e Cinara Saiónára, explora a saudade e a imaginação como ferramenta diante das ausências. E também, em “As cores de Tó”, Flávia Ribas e Rodrigo Andrade abordam a elaboração de perdas e traumas com delicadeza. A partir do uso de cores para representar emoções, acriança aprende uma linguagem simbólica para falar da dor.
Imagem de capa: Reprodução
📲 Entre no canal do WhatsApp e receba novidades direto no seu celular e Siga o Geekpop News no Instagram