A relação entre os esports e o movimento olímpico acaba de ganhar um novo capítulo, que não é positivo para quem sonha em ver os jogos eletrônicos mais próximos das Olimpíadas

O Comitê Olímpico Internacional (COI), suspendeu a comissão responsável por estudar e desenvolver iniciativas ligadas aos esports. Assim, na prática, isso colococa em pausas as discussões sobre como os esportes eletrônicos poderiam fazer parte do ecossistema olímpico, além de deixar dúvidas sobre os Jogos Olímpicos de Esports, que era previsto para 2025, mas foi adiado para 2027.

A ideia não era colocar games competitivos, como Counter Strike (CS), diretamente dentro das Olimpíadas tradicionais, mas sim criar um evento separado, que ocorreria anualmente e teria identidade própria. Ainda assim, a proposta já era vista como um passo importante para aproximar o universo dos games de uma das maiores vitrines esportivas do mundo

No entanto, o problema é que esse caminho ficou bem menos claro.

Olympic Esports Games: O projeto que ficou pelo caminho

Os Olympic Esports Games chegaram a ser anunciados como uma iniciativa oficial do COI para dar mais esoaço às competições digitais. Dessa forma, a primeira edição era prevista para acontencer Arábia Saudita, país que tem investido pesado no setor e tenta se posicionais como um dos grandes centros globais de esports.

No entanto, a parceria entre o COI e a Arábia Saudita foi encerrada antes do previsto. Assim, o evento deixou de ter sua sede planejada e também parte da estrutura que vinha sendo desenhada para tirá-lo do papel.

Agora, com a suspensão da comissão de esports, o projeto fica ainda mais indefinido. Até o momento, não há uma nova data confirmada, nem uma cidade-sede anunciada e nem detalhes públicos sobre como o Comitê pretende reorganizar essa iniciativa.

Por que é difícil levar os esports ao ambiente olímpico?

Apesar dos crescimento dos esports, aproximar a modalidade do modelo olímpico não é uma tarefa simples. Diferentes dos esportes tradicionais, os jogos eletrônicos pertencem a empresas privadas, como a Riot Games, Valve, Epic Games e Capcom. Então, isso significa que regras, atualizações, licenças e direitos comerciais dependem diretamente das publishers.

Além disso, outro ponto delicado é a escolha dos jogos, pois alguns títulos mais populares envolvem armas, combate ou violência simulada, o que pode entrar em conflito com a imagem que o COI costuma associar às Olimpíadas.

Counter-Strike 2
Créditos: Corsair

Ao mesmo tempo, se o evento escolher apenas jogos considerados mais ”seguros”, corre o risco de se afastar do público que realmente acompanha o cenário.

O que o público poderia ganhar com isso?

Para os telespectadores, uma competição de esports ligada ao COI poderia tornar o cenário mais acessível. Um evento com estrutura olímpica teria potencial para apresentar modalidades, explicar regras, testar atletas e aproximar o público casual de competições que hoje são transmitidas em plataformas como Youtube e Twitch.

Ademais, o título olímpico poderia dar mais visibilidade e legitimidade à modalidade, ajudando a alcançar marcas, patrocinadores e audiências novas.

Arábia Saudita segue avançando nos esports

Mesmo com o fim da parceria com o COI, a Arábia Saudita continua investindo fortemente no setor. O país realiza a Esports World Cup, em Riade, e tenta se consolidar como um dos principais ploso globais dos jogos eletrônicos.

No entanto, a diferença é que esses eventos não fazem parte das Olimpíadas, eles seguem uma lógica própria, ligada à estratégia Saudita para games, entretenimento e tecnologia. Então, enquanto o COI pisa no frio, a Arábia Saudita acelera cada vez mais por fora.

Futuro ainda indefinido

A suspensão da comissão não significa que os esports foram descartados definitivamento das Olimpíadas, mas mostra que o caminho ainda é cheio de obstáculos.

Para que uma Olímpiada de Esports funcione, não basta carregar o nome olímpico, o projeto precisa respeitar a cultura dos games, dialogar com os fãs e, ao mesmo tempo, se encaixar nas exigências do movimento olímpico. Por enquanto, o futuro dos esports nas Olimpíadas segue em aberto.

Imagem de capa: Olympics

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