Sob o nome Skydance, aquisição de US$110 bilhões reúne dois dos maiores estúdios de Hollywood
Em uma negociação histórica avaliada em US$110 bilhões, a Paramount Skydance oficializou nesta terça-feira, 6, a aquisição da Warner Bros. Discovery, no que deve ser tornar um dos maiores grupos de entretenimento do mundo.
A operação reúne dois dos maiores estúdios de Hollywood e coloca sob o mesmo grupo marcas como Paramount Pictures, Warner Bros., HBO, CBS, CNN, Nickelodeon, MTV e Discovery. Marcas esse que detém franquias de sucesso à exemplo de “Harry Potter”, “Senhor dos Anéis” e “Missão: Impossível”.
A junção entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery vai operar sob o nome Skydance, conforme anunciado pelo presidente-executivo, David Ellison. A escolha busca criar uma nova identidade corporativa, mas sem apagar a história dos dois estúdios que continuarão existindo como marcas próprias dentro da nova estrutura — postura semelhante ao modelo que a Disney adota com a Marvel e a Lucasfilm, por exemplo.
A fusão, por si só, representa um marco na história de Hollywood. Mas, o que muda para quem assina streaming, vai ao cinema ou acompanha essas produções?
Afinal, a fusão irá criar um novo serviço de assinatura?
Atualmente, a Warner Bros. Discovery e a Paramount mantêm suas próprias plataformas de streaming: a HBO Max e a Paramount+, respectivamente. Mas, os catálogos das duas empresas não estão restritos a esses serviços. Por meio de acordos de licenciamento, filmes e séries de suas marcas, também podem ser encontrados em outras plataformas. É o caso da Paramount+ que, no Brasil, tem diversos títulos oferecidos no Prime Video por meio de uma assinatura adicional.
Com a aquisição, a intenção da Skydance é integrar as operações de streaming sob o comando de Casey Bloys, atual chefe da HBO e da HBO Max. No entanto, ao invés de reunir os dois catálogos em um só lugar, a expectativa é de que os dois streamings funcionem separadamente, mas com um pacote de assinatura combinada.
A prática não é nova. Desde 2024, a Disney+ e a HBO Max possuem um acordo de pacote conjunto, que permite que o consumidor possa ter acesso às duas plataformas com desconto em comparação à compra separada. Esse pacote específico não foi lançado no Brasil, mas apresentou bons resultados nos Estados Unidos, atraindo mais de 2 milhões de novos assinantes em 2024, segundo dados do Antenna.
Como não há um prazo anunciado para que todas essas mudanças sejam concluídas, a expectativa é que a integração dos serviços aconteça de forma gradual. Valores, novos nomes de assinaturas e a reorganização dos catálogos só devem ser definidos nos próximos meses.
Leia mais: É oficial! Paramount conclui fusão com Warner Bros. e cria a Skydance


(Créditos: Reprodução/Skydance)
E o cinema, como fica?
Um dos principais debates durante a negociação das duas empresas foi o futuro dos lançamentos de filmes no cinema. Isso porque a fusão reúne duas grandes produtoras que terão, juntas, um grande potencial de crescimento dentro das plataformas de streaming em um momento em que Hollywood discute cada vez mais o espaço de lançamentos no cinema.
Nos últimos anos, a Warner Bros. Discovery apresentava uma média entre 10 a 15 filmes lançados anualmente nos cinemas, incluindo sucessos recentes de bilheteria como “Barbie” e “The Batman”. Apenas em 2025, a empresa teve 11 lançamentos nos cinemas, entre eles sucessos como “Sinners” e “A Minecraft Movie”.
Já a Paramount vem passando por uma expansão significativa de sua produção cinematográfica. Em 2025, o estúdio lançou oito filmes nos cinemas. Para 2026, a previsão da empresa subiu para 15 lançamentos, praticamente o dobro do ano anterior. Entre os sucessos recentes podem ser incluídos “Missão: Impossível – O Acerto Final” e “Pânico 7”.
Diante das novas tendências, o acordo de fusão entre as duas empresas prevê compromissos específicos para os lançamentos cinematográficos. A nova companhia deverá lançar pelo menos 30 filmes por ano nos dois primeiros anos e 32 filmes por ano nos três anos seguintes, divididos igualmente entre as duas empresas. Além disso, os filmes incluídos nessa meta deverão permanecer nos cinemas por pelo menos 45 dias antes de serem disponibilizados no streaming, uma janela de lançamentos mais “amigável”.
Qual o futuro da Skydance?
Com a fusão concluída, a próxima etapa é definir como essa estrutura gigantesca vai funcionar na prática. David Ellison continua no posto como presidente e CEO, ao lado de Ynon Kreiz, como co-CEO. As surpresas vêm nos outros cargos da nova empresa.
No cinema, Dana Goldberg e Josh Greenstein, que vieram da Paramount, passam a comandar a divisão de filmes. Eles substituem os antigos chefes da categoria da Warner Bros., Pamela Abdy e Michael De Luca. Já a DC Studios mantém James Gunn e Peter Safran no comando. A dupla continua responsável pela direção criativa e estratégica do universo da DC em filmes, televisão, animação, games e outras áreas.
No streaming, uma das principais peças será Casey Bloys, atual chefe da HBO e da HBO Max. Ele agora passa a ser co-presidente e diretor de conteúdo da divisão de streaming da Skydance, responsável pela estratégia e pelo conteúdo das operações que envolvem HBO Max e Paramount+.
Imagem de capa: Reprodução/Skydance
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