Operação de US$ 110 bilhões reúne franquias como “Harry Potter”, “Batman” e “Missão: Impossível” sob o comando da nova Skydance

A Paramount concluiu nesta terça-feira (6) a aquisição da Warner Bros. Discovery em uma operação avaliada em cerca de US$ 110 bilhões. Com o fechamento do negócio, as duas empresas passam a integrar a mesma estrutura corporativa, que agora se chama Skydance.

A conclusão da operação encerra meses de negociações, disputas judiciais e análise regulatória. A nova companhia reúne dois grandes estúdios de cinema, duas plataformas de streaming e um amplo portfólio de canais, marcas e franquias do entretenimento.

David Ellison permanece como presidente e CEO da Skydance. Ynon Kreiz, ex-CEO da Mattel, assume como co-CEO e ficará responsável pela integração e pelas operações diárias da companhia. Ellison, por sua vez, terá foco na estratégia de longo prazo, na área criativa, nas relações com talentos e em tecnologia.

O que a fusão reúne?

A operação coloca sob o mesmo grupo franquias como “Missão: Impossível”, “Transformers”, “Harry Potter”, “Batman”, “O Senhor dos Anéis” e “Game of Thrones”. A companhia também passa a controlar marcas e negócios de televisão, notícias, esportes e streaming.

Entre os principais ativos estão Paramount Pictures, Warner Bros. Pictures, DC Studios, Paramount+, HBO Max, CBS, CNN, HBO e diferentes canais de TV por assinatura. Além disso, o grupo também reúne operações de notícias como CBS News e CNN, além de propriedades esportivas da CBS Sports e TNT Sports.

Assim, a empresa combinada prevê uma receita anual próxima de US$ 70 bilhões e afirma que pretende alcançar pelo menos US$ 6 bilhões em sinergias anuais dentro de três anos. A Skydance também projeta mais de US$ 10 bilhões em fluxo de caixa livre até 2030.

Logo da Skydance Animation, divisão de animação da nova companhia formada após a fusão entre Paramount e Warner Bros.
Logo da Skydance Animation, divisão de animação da nova companhia formada após a fusão entre Paramount e Warner Bros. (Créditos: Reprodução)

Quais são as condições da fusão?

A conclusão do negócio aconteceu depois que a Justiça dos Estados Unidos aprovou, em 30 de setembro, um acordo entre a Paramount e uma coalizão de 12 estados que contestava a operação por questões relacionadas à concorrência.

Entre as condições está a obrigação de lançar pelo menos 30 filmes nos cinemas americanos nos dois primeiros anos após a fusão. Nos três anos seguintes, o número sobe para 32 lançamentos anuais. Além disso, pelo menos quatro filmes de cada ano deverão ser produções independentes.

A Skydance também deverá investir pelo menos US$ 300 milhões adicionais por ano em produção nos Estados Unidos, totalizando US$ 1,5 bilhão ao longo de cinco anos. Ademais, o acordo ainda estabelece uma janela teatral mínima de 45 dias para os filmes contabilizados na meta e prevê outras exigências relacionadas à distribuição.

Desse modo, caso a companhia não cumpra as metas de lançamentos, poderá enfrentar penalidades que incluem a obrigação de vender sua participação na Miramax. O acordo também prevê investimentos em treinamento profissional e programas voltados à indústria audiovisual.

O que muda para Paramount e Warner Bros.?

Com o fechamento da operação, a Warner Bros. Discovery deixa de existir como companhia independente e passa a ser uma subsidiária integral da Skydance. As ações da WBD deixaram de ser negociadas na Nasdaq, enquanto as ações Classe B da nova Skydance começaram a ser negociadas na Bolsa de Nova York sob o código SKYD.

A união também coloca Paramount+ e HBO Max sob o mesmo grupo. No entanto, a conclusão da fusão não significa que os dois serviços tenham sido imediatamente transformados em uma única plataforma. Além disso, a integração dos negócios de streaming faz parte dos próximos passos da nova companhia.

Com a operação concluída, a Skydance passa a administrar um dos maiores conjuntos de ativos de entretenimento do mundo. A companhia agora terá o desafio de integrar os negócios enquanto busca reduzir custos, ampliar sua presença no streaming e competir com gigantes como Disney, Netflix e outras grandes empresas de tecnologia e entretenimento.

Créditos da capa: Reprodução/Montagem