Gustaf Skarsgård estreia na direção com um terror psicológico que transforma a ilha de Ingmar Bergman em palco para uma aterrorizante história sobre demônios, criação artística e bloqueio criativo
Gustaf Skarsgård, conhecido por seu trabalho em Vikings e irmão de Alexander e Bill Skarsgård, vai estrear na direção de longas-metragens com “O Canibal” (The Cannibal). O filme será um terror psicológico ambientado na ilha sueca de Fårö, antigo refúgio do lendário cineasta Ingmar Bergman.
Escrito pelo roteirista Peter Birro, o longa acompanha um homem atormentado pelo bloqueio criativo que decide retornar à ilha em busca de inspiração para escrever um filme sobre a vida de Bergman. O problema é que o local guarda lembranças perturbadoras e algo muito mais sombrio parece estar esperando por ele.
Na história, Ardalan Esmaili interpreta David, um roteirista em crise que esteve na ilha duas décadas antes, quando foi convidado pelo próprio Bergman. Convencido de que revisitar aquele período e relembrar as conversas que teve com o diretor poderá ajudá-lo a concluir seu novo roteiro, ele retorna à propriedade de Fårö.
Entretanto, a ideia rapidamente se transforma em pesadelo quando David percebe a presença de uma força demoníaca na ilha, aparentemente determinada a impedir que ele termine seu trabalho.
Claes Ljungmark interpretará Ingmar Bergman, enquanto a produção será filmada na própria Fårö, inclusive nos arredores da antiga propriedade do cineasta. A equipe recebeu autorização da Fundação Bergman Estate on Fårö para utilizar o local.
Os demônios de Bergman


A escolha de Bergman como figura central não é por acaso. Considerado um dos grandes nomes da história do cinema, o diretor sueco também exerceu enorme influência sobre o terror psicológico e o chamado terror folclórico.
Filmes como “A Hora do Lobo” e “A Fonte da Donzela” exploraram temas como medo existencial, identidade, culpa e a fronteira entre realidade e pesadelo. A Hora do Lobo, lançado em 1968, é particularmente associado ao gênero e chegou a influenciar cineastas como David Cronenberg e Wes Craven.
É esse lado mais sombrio da obra de Bergman que “O Canibal” pretende explorar. O filme não parece interessado apenas em transformar o cineasta em personagem, mas em mergulhar nos próprios demônios que cercavam sua criação artística.
De acordo com Skarsgård, trabalhar com uma figura tão importante representa um desafio enorme.
“Não há como abordar Bergman a não ser de dentro da gigantesca sombra cinematográfica que o titã projeta.”
O diretor explica que, assim como David tenta escapar da influência quase sobrenatural de Bergman, o próprio filme pretende encontrar sua identidade e se libertar dessa sombra.
Uma história que esperou 30 anos
A ligação de Peter Birro com Bergman torna o projeto ainda mais pessoal. O roteirista contou que conheceu o cineasta quando ainda era jovem e teve a oportunidade de passar um período em Fårö.
Segundo Birro, Bergman chegou a falar sobre seus próprios “demônios” e teria mostrado onde os mantinha: trancados em um congelador.
A lembrança permaneceu com o roteirista durante décadas.
“Por 30 anos, desejei abrir aquela porta do congelador e libertar os demônios. Agora, chegou a hora.”
Com essa premissa, “O Canibal” promete brincar com a própria história do cinema e transformar a influência de um dos maiores diretores de todos os tempos em uma ameaça sobrenatural.
As filmagens começaram na Suécia, mas ainda não há uma data de estreia definida para o longa.
Crédito da capa: Divulgação
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