Publicado pela Plataforma21, livro apresenta uma mansão cercada por vegetação ameaçadora, transformações grotescas e um protagonista queer e autista

Uma mansão isolada, jardins que parecem ter vida própria e segredos familiares capazes de transformar o próprio corpo em uma ameaça. Essa é a atmosfera de “Não entre nos jardins“ (Hazelthorn), novo livro de CG Drews, que chega ao Brasil pela Plataforma21 apostando em uma combinação de terror botânico, horror corporal e suspense sobrenatural.

A história acompanha Evander, um jovem de 17 anos que vive sob o controle de seu tutor, Byron, na mansão Hazelthorn. Para continuar na propriedade, ele precisa respeitar três regras: nunca deixar a mansão, jamais entrar nos jardins que cercam o local e nunca ficar sozinho com Laurie Lennox-Hall, seu antigo amigo de infância.

A rotina muda completamente após a morte grotesca de Byron. Ao descobrir que herdou toda a fortuna da família, Evander começa a investigar os acontecimentos que cercam a mansão e os motivos por trás das regras impostas durante tantos anos. Ao lado de Laurie, neto do falecido tutor, ele precisa enfrentar lembranças fragmentadas e uma história familiar marcada por mentiras.

Quando a vegetação se transforma em ameaça

Em Não entre nos jardins, a natureza assume um papel central na construção do horror. Trepadeiras, raízes, espinhos e esporos começam a avançar pelos cômodos da mansão, como se procurassem alguma coisa. A ameaça, porém, ultrapassa os limites da propriedade: o próprio corpo de Evander começa a apresentar sinais perturbadores de transformação, com raízes e espinhos surgindo em sua pele.

As alterações físicas se misturam às lacunas na memória do protagonista, que não consegue distinguir suas próprias lembranças das histórias que ouviu durante a vida. A dúvida sobre o que realmente aconteceu em Hazelthorn acompanha a investigação e amplia o mistério em torno da família.

A obra combina elementos de horror corporal e terror botânico para explorar temas como identidade, pertencimento, manipulação e autonomia. A vegetação que invade a mansão também funciona como parte dos segredos que a família tentou manter enterrados.

Representatividade e romance em meio ao horror

Outro elemento importante da narrativa é a relação entre Evander e Laurie. Marcados por um passado de violência, ressentimentos e desconfiança, os dois precisam reconstruir a convivência enquanto tentam descobrir o que aconteceu com Byron e quais mistérios ainda permanecem escondidos na propriedade.

A relação ganha contornos românticos e apresenta um romance aquileano, expressão utilizada para histórias de amor e desejo entre homens. O livro também coloca no centro da narrativa um protagonista queer e autista, cuja trajetória envolve a busca por autonomia em um ambiente marcado pelo isolamento e pelo controle de suas escolhas.

Com 288 páginas, “Não entre nos jardins“ chega ao mercado brasileiro pela Plataforma21, com tradução de Carlos César da Silva e classificação indicativa a partir de 14 anos.

“Não entre nos jardins“ está disponível para compras no site da VR Editora.

Crédito da capa: Divulgação / Adaptação