Depois de ganhar destaque com “Marte Um” e atuar na novela das 21h da Rede Globo, a atriz mineira Rejane Faria assume o protagonismo de “Vicentina Pede Desculpas”, novo filme de Gabriel Martins

A atriz Rejane Faria vive um dos momentos mais importantes de sua carreira. Depois de interpretar Chica na novela das 21h “Três Graças”, da TV Globo, a atriz mineira volta ao cinema como protagonista de “Vicentina Pede Desculpas”, novo longa de Gabriel Martins. O filme teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto e passou pela competição oficial do Festival de San Sebastián, além de integrar a programação do Festival do Rio.

A parceria entre a atriz e Gabriel Martins, porém, não começou agora. Antes de colocar Rejane como protagonista, o diretor já havia trabalhado com ela em diferentes momentos. O encontro dos dois ganhou outra dimensão com “Marte Um”, filme de 2022 que acompanha uma família negra de classe média baixa e foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar de 2023. Rejane interpretou Tércia, a mãe da família Martins.

Por “Marte Um”, Rejane recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival Sesc Melhores Filmes e venceu o Prêmio Guarani na mesma categoria. A repercussão do filme ajudou a ampliar a presença da atriz em produções nacionais e internacionais.

Como Rejane Faria descobriu a paixão pela atuação

A relação de Rejane Faria com a arte começou antes mesmo de ela pensar em seguir carreira como atriz. Em Belo Horizonte, ainda jovem, ela já se apresentava como cantora em uma banda formada por amigos da região da Lagoinha. O grupo tocava em bares e também participava de festivais de música pelo interior de Minas Gerais. 

Alguns anos depois, enquanto trabalhava nos Correios, empresa onde atuou já na área cultural, ela descobriu que havia um grupo de teatro formado por funcionários. Como já cantava, foi inicialmente convidada para participar musicalmente de um espetáculo infantil. A experiência acabou levando a um convite para atuar, o que revelou sua verdadeira vocação: ser atriz. 

A experiência nos palcos também levou a mineira a buscar formação na área. Rejane estudou Artes Cênicas no UNI-BH e Teatro na UFMG. Durante esse período, participou de um grupo de estudos voltado para textos latino-americanos, experiência que contribuiu para a criação do Quatroloscinco – Teatro do Comum, coletivo fundado em 2007 do qual continua fazendo parte. 

Rejane Faria em evento da novela “Três Graças” (Créditos: Reprodução / @rejatriz)

Do teatro para o cinema 

A estreia profissional de Rejane no cinema aconteceu com “Quinze”, dirigido por Maurilio Martins e produzido pela Filmes de Plástico. A atriz foi apresentada ao diretor por pessoas ligadas ao teatro e acabou chegando ao projeto sem precisar passar por um teste convencional. A partir dali, novos trabalhos apareceram. Rejane passou por filmes como “Rapsódia para um Homem Negro”, “Paterno”, “Nada”, “No Coração do Mundo” e “Temporada”.

Em “Rapsódia para um Homem Negro”, sua atuação lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival Guarnicê. Já “Paterno” representou uma oportunidade que surgiu de maneira inusitada: a atriz havia feito um teste para “Aquarius”, de Kléber Mendonça Filho, mas não ficou com o papel. O material da audição, porém, chegou ao diretor Marcelo Lordello, que se interessou pelo trabalho da atriz e a procurou para seu filme.

A trajetória da atriz seguiu passando pelo teatro, pelo cinema e pela televisão. Em 2022, Faria foi homenageada pela 16ª CineBH, que destacou sua trajetória no audiovisual e no teatro. Nos últimos anos, ela também esteve em filmes como “A Melhor Mãe do Mundo”, dirigido por Anna Muylaert, “Cinco Tipos de Medo”, “O Último Episódio”, de Maurilio Martins. Seu próximo lançamento, “Yellow Cake” ganhou seu primeiro trailer na última quarta-feira (30).

No teatro, um dos trabalhos mais recentes foi “Velocidade”, produção do Quatroloscinco que aborda questões relacionadas ao tempo das pessoas e a velocidade da vida atual.

A atriz mineira também conquista espaço na televisão 

A chegada ao horário nobre marcou um momento diferente na carreira da atriz, que vinha construindo seu nome principalmente no teatro e no cinema. O convite para “Três Graças” aconteceu depois de trabalhos em produções como “Pablo & Luisão” e “Confia: sonhos de cria”, além de uma participação em “Vale Tudo”.

Na novela de Aguinaldo Silva, Rejane interpretou Chica, personagem que chega à trama ao lado do marido Célio, vivido por Otávio Muller. O casal passa a morar com a filha Alaíde (Juliana Alves) e o genro Rivaldo (Augusto Madeira). A personagem se envolve na trama do bairro Aclimação, especialmente ao suspeitar de tudo que acontece na mansão de Arminda, vilã interpretada por Grazi Massafera.

Em meio a esse momento de ascensão no olhar do público de todo o país, “Vicentina Pede Desculpas” surge como outro capítulo da carreira da atriz. Depois de interpretar Tércia em “Marte Um”, Rejane assume uma personagem central e conduz uma história que já começou sua trajetória fora do Brasil antes mesmo da estreia comercial.

O longa foi escolhido para representar oficialmente o Brasil no Prêmio Goya 2027, na categoria de Melhor Filme Ibero-americano. Da música aos palcos, do teatro ao cinema e da televisão aos festivais internacionais, a trajetória de Rejane Faria reúne diferentes momentos de uma carreira construída ao longo de mais de vinte anos. 

Foto capa: Divulgação