Longa de Tiago Melo mistura urânio, ciência e fantasia em uma história ambientada no sertão da Paraíba

E se o urânio do sertão brasileiro fosse usado em um experimento para acabar com o mosquito da dengue? Essa é a premissa de “Yellow Cake”, novo longa de Tiago Melo (“Azougue Nazaré”), que acaba de ganhar seu primeiro trailer.

Estrelado por Rejane Faria (“Marte Um”, “Vicentina Pede Desculpas”) e Tânia Maria (“O Agente Secreto”), o filme acompanha um grupo de cientistas instalado em Picuí, no sertão da Paraíba. No local, eles conduzem um experimento secreto que utiliza urânio da região para tentar esterilizar o Aedes aegypti, transmissor da dengue.

A física nuclear Rúbia Ribeiro, interpretada por Rejane Faria, integra a equipe responsável pelo projeto. Assim, a partir desse experimento, “Yellow Cake” coloca diferentes formas de conhecimento em contato, aproximando a ciência dos saberes ancestrais enquanto transforma questões relacionadas à mineração em matéria-prima para uma ficção científica brasileira.

Desse modo, o resultado combina ficção científica, fantasia e sátira em uma história que leva um gênero frequentemente associado a futuros distantes para uma paisagem diretamente ligada à realidade brasileira.

“Yellow Cake” estreia nos cinemas de todo o Brasil em 26 de novembro, com distribuição da Olhar Filmes.

De onde veio “Yellow Cake”?

A história do longa começou antes mesmo de existir como ficção. O projeto surgiu a partir de “Urânio Picuí”, curta documental dirigido por Tiago Melo ao lado de Antônio Carrilho.

A produção aborda a história da exploração de terras raras no Brasil por norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Assim, a pesquisa realizada para o documentário abriu caminho para que o cineasta retornasse ao tema da mineração por meio da ficção.

Em “Yellow Cake”, esse passado dá lugar a uma situação imaginada: cientistas chegam a Picuí para utilizar o urânio da região em um experimento contra o Aedes aegypti. Dessa maneira, o elemento que estava ligado à história da mineração passa, então, a movimentar a própria narrativa.

A escolha também coloca Picuí no centro da ficção científica. Em vez de construir um universo distante da realidade brasileira, o filme desenvolve sua história a partir de um território específico, marcado pela presença da mineração e pelos conhecimentos construídos ao redor dele.

Uma ficção científica no sertão

A proposta de “Yellow Cake” não está apenas no experimento com urânio. A produção também usa a ficção científica para aproximar universos que normalmente aparecem separados.

De um lado, estão os cientistas e uma experiência baseada em conhecimentos da física nuclear. Do outro, aparecem os saberes ancestrais relacionados ao território. É nesse encontro que a história desenvolve sua mistura de ciência, fantasia e sátira.

Além disso, o Aedes aegypti também ocupa um papel central nessa combinação. Conhecido pela transmissão da dengue, o mosquito se torna o alvo de uma experiência que tenta interferir em sua reprodução por meio da esterilização.

Assim, a ameaça conhecida do cotidiano brasileiro ganha uma resposta que pertence ao imaginário da ficção científica: um experimento secreto, urânio e uma tentativa de modificar a realidade por meio da tecnologia.

Rejane Faria e Tânia Maria estão no elenco

É nesse cenário que Rejane Faria interpreta Rúbia Ribeiro, física nuclear envolvida diretamente com o experimento. Além disso, Tânia Maria também integra o elenco, ao lado de Valmir do Côco, Spencer Callahan, Alli Willow, Wolfgang Pannek, Rosa Malagueta, Galeguinho Zé Matias e Severino Dadá.

A história foi desenvolvida por Amanda Guimarães, Anna Carolina Francisco, Gabriel Domingues, Jeronimo Lemos e Tiago Melo, que também assina a direção.

A construção desse universo passa ainda pela fotografia de Gustavo Pessoa, pela montagem de André Sampaio e pela trilha sonora original do grupo O Grivo. Com 97 minutos de duração, o longa é produzido pela Lucinda Filmes, Urânio Filmes e Jaraguá Produções, em coprodução com a Cinemascópio e a Olhar Filmes.

Antes dos cinemas, uma passagem pelos festivais

“Yellow Cake” já começou a circular pelo circuito internacional. A produção teve sua estreia mundial no Festival de Roterdã e, depois, chegou ao Brasil pelo Olhar de Cinema, em Curitiba, onde aconteceu sua primeira exibição no país.

Além disso, o longa também passou pelo Los Angeles Latino International Film Festival (LALIFF), nos Estados Unidos, pelo Bildrausch Filmfest Basel, na Suíça, e pelo CineBH, em Belo Horizonte, cidade natal de Rejane Faria.

A circulação internacional continua em outubro. O filme participa do Festival Internacional de Cine de la UBA, na Argentina, entre 30 de setembro e 7 de outubro. Depois, segue para o Sitges Film Festival, na Espanha, de 8 a 18 de outubro, e para o CineEco Seia, em Portugal, entre 9 e 17 de outubro.

No Sitges, festival dedicado ao cinema fantástico, “Yellow Cake” integra a seção Noves Visions.

Quando “Yellow Cake” estreia?

Depois da passagem pelos festivais, o longa chega ao circuito comercial brasileiro.

“Yellow Cake” estreia nos cinemas de todo o país em 26 de novembro, com distribuição da Olhar Filmes.

Enquanto isso, o primeiro trailer já apresenta a mistura de ciência, urânio, sertão e fantasia que conduz a nova produção de Tiago Melo.

Confira o trailer de “Yellow Cake”

Trailer divulgado de “Yellow Cake” (Créditos: Reprodução/YouTube)

Foto de capa: Divulgação