Do sobrenatural à fantasia sombria, o autor transforma experiências pessoais em histórias intensas e imersivas
O medo pode nascer de lugares muito diferentes. Às vezes, ele está em uma criatura impossível, em uma realidade que começa a se distorcer diante dos nossos olhos ou simplesmente naquele canto escuro do quarto que parece esconder alguma coisa. Para o escritor baiano H. F. Pessoa, foi justamente uma experiência desse tipo que deu origem a uma de suas principais obras: O Diário de Hass.
Nascido em Vitória da Conquista, na Bahia, Pessoa construiu uma trajetória que vai muito além da literatura. Formado em Direito e pós-graduado em Direito Penal e Criminologia, ele também já atuou como músico e hipnoterapeuta. Na escrita, encontrou espaço para reunir diferentes experiências e explorar universos marcados pela fantasia sombria, pelo sobrenatural e por elementos de terror psicológico.
Sua relação com a literatura, no entanto, não foi simples desde o início. Vivências relacionadas ao TDAH e dificuldades de leitura acabaram se transformando em combustível para uma proposta que busca tornar a experiência literária mais acessível, intensa e imersiva. Em vez de enxergar essas dificuldades apenas como obstáculos, o autor passou a utilizá-las como parte de sua própria maneira de construir histórias.
Uma experiência sobrenatural que virou literatura
E foi em 2008, depois de ter a janela de casa arrombada e começar a sentir que havia alguém escondido no canto mais escuro de seu quarto, que surgiu a experiência que posteriormente daria origem a “O Diário de Hass“. O que começou como uma sensação inquietante acabou crescendo para além da experiência pessoal e, segundo o próprio autor, ganhou vida própria, a ponto de hoje ele se considerar apenas o narrador da história.
Em entrevista ao GeekPop, H. F. Pessoa fala sobre sua relação com o sobrenatural, o processo de criação sem roteiros ou esquemas prévios, a importância da acessibilidade na literatura, o crescimento do terror entre os leitores brasileiros e os diversos projetos que pretende tirar da gaveta em 2026. Entre eles estão O Antologista, ID, Carne e Presas – Livro 1 e novos volumes de O Diário de Hass.
Confira a entrevista completa:
Antes de tudo, nos conte um pouco sobre você
Nascido em Vitória da Conquista, Bahia, sou um escritor focado no sobrenatural, terror psicológico e fantasia sombria. Além de atuação literária, possuo formação como advogado, sendo pós-graduado em Direito Penal e Criminologia, e carrego experiências anteriores como músico e hipnoterapeuta.
Motivado por minhas próprias vivências com o TDAH e dificuldades de leitura, transformei os desafios no principal motor de inovação literária. Hoje, atuo ativamente na defesa da acessibilidade literária, criando obras pensadas para mentes inquietas e leitores que buscam experiências narrativas imersivas e intensas.

1 – Sobre o que é o livro “O Diário de Hass”? De onde veio essa inspiração? Foi algo pensado desde o início ou nasceu naturalmente durante a escrita?
O Diário de Hass nasceu a partir de uma experiência sobrenatural que eu tive em 2008, após a minha janela ser arrombada e eu passar a ter a sensação de que havia mais alguém no canto mais escuro do meu quarto à espreita.
2 – O terror costuma refletir os medos da sociedade. Quais são os temas e inquietações contemporâneas que mais aparecem nas suas histórias?
Meu foco é fantasia sombria, alguns elementos de terror surgem eventualmente nas obras. Sobre os temas, eles surgem conforme a escrita vem, não são pensados. O Diário de Has já adquiriu vida própria, hoje eu sou o narrador.
3 – Na sua visão, o que diferencia uma boa história de terror de uma história que realmente permanece na mente do leitor?
Intensidade, visceralidade, verossimilhança, ineditismo e o principal, o enredo que não enrola o leitor, um livro focado na história.
4 – Muitos autores dizem que escrever terror é uma forma de enfrentar seus próprios medos. Você se identifica com essa ideia?
Pode ser verdade. Comigo também foi assim em algumas situações, mas em outras o terror apenas fluiu.
5 – Como é seu processo criativo? Você começa pelos personagens, pela atmosfera ou por uma cena específica?
A história surge em pedaços, eu começo a anotá-la, sem saber onde vai parar e quando tenho material suficiente para saber mais ou menos a direção, eu começo e deixo a própria história se guiar. Sem roteiros, sem esquemas de personagens, apenas fluência na escrita.

6 – O terror brasileiro vive um momento de crescimento. Como você enxerga o espaço do gênero no mercado editorial nacional e o interesse dos leitores?
Percebi uma procura de leitores mais jovens pelo gênero. O espaço ainda é tímido, tem crescido, mas os leitores desse nicho são aficionados pelo tema e sempre voltam em busca de novas histórias.
7 – Se pudesse adaptar um dos seus livros para o cinema ou para uma série, qual escolheria e por quê?
O Diário de Hass para série, livros únicos como ID, para o cinema. Apenas por uma questão de tamanho de conteúdo. É impossível colocar uma saga do tamanho da saga O Diário de Hass em um único filme.
8 – Quais autores e obras mais influenciaram sua escrita e ajudaram a construir sua identidade como escritor de terror?
Como escritor de fantasia sombria e terror, posso dizer que os jogos, séries e filmes, me influenciaram mais do que os próprios livros. Devido ao TDAH e a péssima experiência literária no colégio, eu não conseguia enxergar, por muito tempo, a literatura como algo prazeroso. Sou um leitor tardio. Mas, depois que comecei a ler por livre e espontânea vontade, não parei mais. No entanto, 90% das minhas histórias antecedem essa fase como leitor, por isso não posso nem atribuir a escrita dos meus livros a essas referências.
09 – Para encerrar, quais são seus próximos projetos e o que os leitores podem esperar de H. F. Pessoa nos próximos meses?
Neste ano de 2026, nós teremos o lançamento de O Antologista, ID, Se Eu Te Tocar (já foi lançado), Carne e Presas – Livro 1, O Diário de Hass – Volume 5 – Parte 2, O Diário de Hass – Volume 1 (edição colecionador). Resolvi desengavetar projetos antigos (abrir a caixa de pandora, como disse para os leitores), pois escrevo desde a adolescência, e transformá-los em livros.
Os livros de H. F. Pessoa estão disponíveis aqui.
Crédito: Divulgação / Montagem
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