Novembro chega aos cinemas hoje, dia 30 de outubro, uma coprodução internacional com a produtora gaúcha Vulcana

Dirigido por Tomás Corredor, o longa aborda a tomada do Palácio da Justiça, em Bogotá, pelo grupo guerrilheiro M-19, em 6 de novembro de 1985. Assim, o filme nos mostra M-19, juízes e cidadãos civis encarando uma nação a beira do precipício, enquanto estão presos no banheiro do Palácio.

Entretanto, Novembro não parece ser um longa-metragem, e sim, um curta que acabou se tornado maior. A ideia da história é não mostrar heróis ou vilões, mas ser um alerta sobre o que ocorreu naquele fatídico dia em Bogotá. Desse modo, o filme se perde em não conseguir contar essa história e deixa muitas pontas soltas do que realmente queriam falar.

Com personagens esquecíveis e uma história mais jogada do que contada, Novembro carece da forma de tornar público o 6 de novembro. Além disso, conta com problemas de encher informações soltas para aumentar a duração do filme do que fazer elas contarem a história.

Novembro - guerrilheiro e cidadãos/Divulgação Sinny e Vulcana
Novembro – Guerrilheiro e Cidadãos/Divulgação Sinny e Vulcana

Gritarias e perdidos na maneira de contar a história

Novembro tentou criar uma atmosfera de perigo constante, com bombas e barulhos intermitentes durante a história. Contudo, não conseguiram tirar proveito desse impacto, e não sentia essa gravidade que queriam apresentar. Assim, o filme pareceu ter cenas jogadas e faltou sincronizar uma com a outra para nos apresentar a história.

Nesse sentido, com essa falta de sincronia, muitos cenas pareciam de pessoas gritando umas com as outras do que aquela disputa de poder ou de se proteger de tudo. O filme nos coloca para vivenciar pela perspectiva da guerrilheira Clara Helena (Natalia Reyes), mas não conseguimos ter uma ligação com ela, ou trazer uma aproximação mesmo que distante.

Dessa forma, o longa tem momentos de gritarias e brigas, que não se transformam em impactos da história. Junto a isso, não conseguem trazer a melhor maneira de nos contar sobre o fato histórico.

A tomada do Palácio da Justiça

Uma das maiores críticas que temos ao ensino do Brasil, é a falta de ensinar sobre a América Latina. E a tomada do Palácio da Justiça em Bogotá não é um tema muito tratado para o público brasileiro conhecer. Desse modo, senti Novembro muito mais distante para entender a história, e que nem todos iriam conhecer essa tomada do grupo guerrilheiro.

Sendo assim, não vejo como um problema do filme, mas também é algo preciso a ser pensado se todos conhecem sobre esse marco histórico. Em partes que mostram gravações reais, o longa aparenta só jogar para o público como se fossem entender o que está acontecendo, mas que não é um problema do filme, e sim de historiografia latino-americana.

Entretanto, essas gravações pareciam mais estar ali para aumentar o tempo de duração do que adicionar algo na história. Elas não tinham falas ou declarações da época, era somente uma forma de mostrar como estava o exército do lado de fora do Palácio. Mesmo assim, é bom conhecer uma história tão importante da América Latina, e entender um pouco mais do que rodeia o Brasil e o mundo.

Vale a pena assistir “Novembro”?

Descobrir e entender a história da América Latina é super importante, principalmente para os brasileiros que deixam os “hermanos” de lado. Novembro tem problemas na forma de contar a história e de fazer nós conectarmos com tudo, mas também é uma porta de entrada para conhecermos mais até mesmo sobre nós.

Novembro tem um impacto social e nos mostra como os países ao redor são parecidos uns com os outros. Assim, temos uma ligação que precisa ser mais forte, e o filme ajuda nesse aspecto de compreender sobre esses histórias desconhecidas dos países latinos.

Imagem de crédito: Divulgação/Sinny Comunicação e Vulcana Cinema

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