De Outlast a Darkwood, o horror nos jogos usa do visual ao som para construir o medo

O mundo dos games tem no terror um de seus principais expoentes, reunindo cada vez mais títulos dedicados ao gênero. Muito disso se deve à capacidade do horror de explorar diferentes subgêneros e possibilidades narrativas, mas dois elementos costumam ser fundamentais para uma boa experiência: boas ideias e imersão.

No quesito boas ideias, elas podem ser vistas nas temáticas, narrativas e até no mundo em que o jogo se passa, mas não para por aí. Isso porque a imersão é o que realmente mantém o jogador atento e, quando bem feita, separa medianos de jogos incríveis. Por isso, separamos alguns títulos que exemplificam a boa imersão nos jogos de terror e como esses títulos conseguem prender seus jogadores.

O fator primeira pessoa

Um dos fatores que mais se destaca em jogos do gênero é a câmera na perspectiva de primeira pessoa. O termo serve para destacar o ângulo que o jogo adota, em que a perspectiva emula a visão do personagem em cena. Devido a isso muitos jogos de terror optam por essa visão para o jogo.

No entanto, mais do que apenas um ângulo de câmera, esse fator a contação de história, visto que aproxima o jogador de seus elementos visuais. Porém não é só esse fator que atua na imersão, mas uma boa narrativa e direção de arte, algo que reforça a trama e engaja o player.

Outlast 2

Um dos clássicos de horror nos jogos: Outlast 2 | Crédito: Divulgação/Steam
Um dos clássicos de horror nos jogos: Outlast 2 | Crédito: Divulgação/Steam

A sequência de “Outlast” chegou em 2017 e trouxe um refresco ao mundo do terror. No jogo, jogamos como Blake Langermann, um jornalista que, junto de sua esposa Lynn, atravessam o deserto do Arizona para investigar um assassinato. No entanto, o que era para ser uma reportagem se torna um caos após o helicóptero cair e Blake se ver separado de sua esposa. Para piorar, eles caíram numa aldeia habitada por uma seita chamada “Testamento do Novo Ezequiel”.

Seguindo os moldes do primeiro jogo, Outlast 2 segue apostando no terror gráfico ao longo de sua duração. Mas dessa vez, o terror se desenvolve num cenário ainda maior, que une florestas, montanhas e até milharais para construir sua ambientação. E, quanto aos perseguidores, eles estão mais agressivos do que nunca, porém mais táticos também, exigindo cautela do jogador e aumentando a tensão da jogatina.

No, I’m Not Human

Gameplay de No, I'm Not Human | Crédito: Divulgação/ Steam
Gameplay de No, I’m Not Human | Crédito: Divulgação/ Steam

Dentre opções mais recentes, temos “No, I’m Not Human” e seu terror que une paranoia e suspense. No game, estamos num cenário similar ao de fim dos tempos, onde seres conhecidos apenas como “visitantes” estão se misturando entre as pessoas. E com isso, temos a tarefa de gerenciar aqueles que entram em busca de abrigo, com o objetivo de identificar e eliminar qualquer um desses seres.

A gameplay, embebida em paranoia constante e checagem de pessoas, torna a experiência de jogo divertida, mas de maneira tensa. Algo que é potencializado pelos encontros com alguns dos visitantes principais, que além de antagonistas carregam uma tensão silenciosa em sua presença.

Layers of Fear

O ambiente caótico da mansão de Layers of Fear | Crédito: Divulgação/Steam
O ambiente caótico da mansão de Layers of Fear | Crédito: Divulgação/Steam

Num cenário aparentemente comum, Layers of Fear é um terror ambientado numa mansão sinistra, mas que tem muito a contar. No jogo, assumimos controle de um pintor mentalmente instável e que deseja concluir sua obra prima. O problema, no entanto, é que a mansão está cercada de segredos, quebra-cabeças e um ambiente que se altera a medida em que se explora.

A imersão em Layers se dá pelo ambiente da mansão que, em meio aos puzzles e exploração, se torna um personagem próprio. Em conjunto a isso, a progressão que une narrativa sombria a cenários tensos e claustrofóbicos, é o que nos conecta e deixa na ponta da cadeira. Por isso, o título é essencial aos amantes de terror nos jogos.

Visage

Game Visage | Crédito: Divulgação/Steam
Game Visage | Crédito: Divulgação/Steam

Ainda no terror envolvendo casa, mas numa escala menor temos o jogo Visage e seu terror atmosférico. No game, situado nos anos 1980, assumimos Dwayne, um morador de uma casa repleta de histórias horrendas em seu passado. Em sua jornada, ele terá de encarar os horrores que outros viveram ali, coletar informações e decifrar a história do lugar.

Visage carrega consigo elementos de diversos jogos, como o controle de recursos, seres assombrosos pelos cantos e uma trilha tensa de horror. Por isso, em conjunto com uma trama tensa e envolvente, o jogo é essencial para um fã de terror, unindo terror e narrativa de forma exemplar. Vale mencionar que o jogo é fruto de um financiamento coletivo, o que só impulsiona o futuro brilhante dos jogos indies.

Alien: Isolation

A narrativa retrô e a gameplay contra o Alien são destaques do game | Crédito: Divulgação/Steam
A narrativa retrô e a gameplay contra o Alien são destaques do game | Crédito: Divulgação/Steam

Desde o recente anúncio de uma continuação, recomendar o primeiro é quase obrigatório para quem já jogou o game. Na trama, jogamos como Amanda Ripley, filha de Ellen Ripley, 15 anos após os eventos do primeiro filme.  Nesse cenário, Amanda é abordada por um sintético que a convida para uma missão de resgate da caixa-preta da nave Nostromo. Porém, o que se inicia como uma missão de resgate, ganha novos contornos à medida que Amanda terá de lidar com um inimigo implacável.

Alien Isolation é um dos melhores exemplos nesta lista de como imergir o jogador de forma magistral. Isso porque o aspecto visual entrega uma semelhança com Alien: O Oitavo Passageiro que o jogador realmente se sente nesse mundo. Algo que se expande na presença do Xenomorfo e em toda sua mecânica, que eleva a tensão e desafia a perspicácia do jogador. O game receber uma sequência parece o sinal verde para qualquer um que não conhece o jogo, dar uma chance.

Mouthwashing

Design gracioso e retrô de Mouthwashing | Crédito: Divulgação/Steam
Design gracioso e retrô de Mouthwashing | Crédito: Divulgação/Steam

Ainda no ambiente espacial, temos o intrigante “Mouthwashing” que traz uma fusão interessante entre narrativa não linear e terror psicológico. Na trama, a nave cargueiro Tulpar colide com um asteroide, o que deixa parte dos recursos em um bloqueio, mas felizmente sem maiores avarias. Os tripulantes, em meio ao caos, precisam lidar com a queda de recursos e inúmeros mistérios que são apresentados entre presente e passado.

Em meio a uma arte leve e narrativa envolvente, o jogo aproxima o jogador com uma trama cativante com boas doses de horror, suspense e humor. Algo que ganha mais força pelos personagens na trama e todo o processo de exploração, que se desenrola em resolver puzzles, dialogar e explorar a nave. Por isso, é simples entender como o game conseguiu atrair tanta atenção nos últimos tempos e se destacar no gênero de terror.

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Darkwood

Visão e gameplay de Darkwood, terror de sobrevivência | Crédito: Divulgação/Steam
Visão e gameplay de Darkwood, terror de sobrevivência | Crédito: Divulgação/Steam

Deixando de lado os ambientes em primeira pessoa e indo para outros ângulos de câmera, temos o excelente Darkwood. No game, nos encontramos numa floresta isolada controlando um protagonista sem memórias de como chegou lá. Nesse cenário, temos ainda uma vegetação hostil e um cenário amedrontador para tentar sobreviver, numa ambientação sombria focada na sobrevivência.

A imersão presente aqui se dá pelo caráter visual, que entrega cenários tensos que parecem ter saído de um pesadelo.  A visão de câmera por cima serve tanto para limitar até onde podemos ver, como também manipular a tensão e nos deixar na ponta da cadeira. Além disso, a parte sonora do jogo é um primor próprio, com sons e barulhos para nos deixar nervosos sem nem mesmo saber o porquê.

E, com todas as opções apresentadas, é ainda mais simples compreender como o gênero de terror pode nos conectar e aprofundar em suas tramas. Bem como entender que um bom jogo de terror vai muito além de sustos, se destacando por narrativas únicas e ideias bem fora da caixinha.

Crédito da capa: Divulgação/Steam.