Estudo mostra mudança no comportamento dos jogadores e aponta crescimento sustentado do PC até 2028
Mais da metade da receita de jogos para PC já vem de títulos que não estão entre os 20 mais populares do mercado. O dado, revelado em um novo relatório da Newzoo, reforça uma mudança importante no consumo de games e indica uma transformação na dinâmica da indústria global.
De acordo com o estudo, esses jogos representaram 56% da receita – ou seja, o faturamento global gerado no setor de games – no mercado ocidental de PC em 2025. Em 2022, essa participação era de 48%. Além disso, o tempo de jogo dedicado a esses títulos também aumentou, passando de 33% para 42% no período.
Crescimento de jogos fora do topo amplia disputa por atenção
O avanço dos jogos menos populares mostra que os jogadores estão distribuindo melhor seu tempo entre diferentes experiências. Ainda assim, essa diversificação não elimina a força dos grandes sucessos.
O levantamento indica que os 20 jogos mais populares continuam dominando boa parte do mercado. No entanto, hoje é necessário um número maior de títulos para concentrar o mesmo volume de atenção. Em 2025, 80% do tempo de jogo no PC estava espalhado por 79 games, enquanto em 2022 esse alcance era atingido por apenas 52.

Essa mudança é a chamada “economia da atenção”, na qual o tempo dos jogadores se tornou o recurso mais disputado. Como resultado, novos lançamentos enfrentam mais dificuldade para ganhar espaço, especialmente diante de jogos já consolidados e atualizados constantemente.
Consoles avançam, mas seguem dependentes de grandes franquias
Nos consoles, o movimento de diversificação também aparece, embora em ritmo mais lento. No PlayStation, os jogos fora do Top 20 representam 38% da receita. Já no Xbox, chega a 35%.

Apesar do crescimento, o comportamento nesses dispositivos ainda é mais concentrado em grandes franquias. No caso do Xbox, o modelo baseado em assinatura amplia o número de jogos acessados, mas o total de dinheiro gerado com vendas e conteúdos extras segue concentrado em poucos títulos.
Além disso, o tempo de jogo fora dos principais sucessos varia entre as plataformas. No Xbox, esses jogos concentram 45% do engajamento, enquanto no PC o índice é de 42% e, no PlayStation, de 38%.
Modelo de negócios muda e prioriza receita contínua
A mudança no perfil de consumo também afeta a forma como as empresas ganham dinheiro. Dessa forma, o modelo tradicional, baseado em grandes lançamentos, perde espaço para estratégias de monetização contínua. Assim, cresce a presença de jogos gratuitos, microtransações e sistemas de progressão pagos. A receita deixa de se concentrar no momento da compra e passa a ser diluída ao longo do tempo, conforme o jogador permanece ativo:

Essa lógica favorece jogos como serviço, que conseguem manter comunidades engajadas por longos períodos. Além de aumentar a pressão sobre novos títulos, que precisam disputar atenção em um ambiente cada vez mais saturado.
Como os dados do relatório impactam o Brasil?
O Brasil é conhecido por ser um país tradicionalmente forte no PC. Assim, tende a se beneficiar do crescimento dessa plataforma no cenário global, já que o custo elevado dos consoles ainda limita o acesso de parte da população.
Em contrapartida, o PC oferece mais flexibilidade e facilita o acesso a jogos gratuitos, que são amplamente populares no mercado brasileiro. Além disso, o comportamento dos jogadores no país acompanha a tendência internacional.
Dessa forma, títulos gratuitos e baseados em serviços contínuos concentram grande parte do engajamento, o que reforça o alinhamento com o novo modelo da indústria.
A concentração de receita em poucos jogos dificulta a entrada de novos desenvolvedores, especialmente os independentes. Com menos visibilidade e investimento, estúdios brasileiros enfrentam barreiras maiores para competir globalmente.
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PC deve liderar crescimento da indústria até 2028
A projeção da Newzoo indica que o PC deve crescer mais rapidamente que os consoles nos próximos anos. A expectativa é de expansão anual de 6,6%, acima dos 4,4% previstos para os consoles.
Se esse ritmo se mantiver, o PC deve ultrapassar os consoles em receita global até 2028. O crescimento é impulsionado pela entrada de novos jogadores, principalmente jovens, além de um ecossistema mais aberto e acessível.
Imagem de capa: Reprodução
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