O Estrangeiro (2025) é um filme do diretor François Ozon. O cenário do longa é a Argélia de 1930, ainda sob o domínio francês, onde Meursault, um jovem de origem francesa, leva uma vida pacata em seu pequeno apartamento. A produção estreia no Brasil em 16 de abril, com distribuição da California Filmes.
Esta é uma nova interpretação do livro homônimo de Albert Camus, publicado em 1942. Desta vez, Benjamin Voisin é o protagonista desta narrativa, que conta a história de um homem que vive sozinho, em uma vida sem grandes emoções. Meursault é um homem de poucas palavras, gestos e expressões; não costuma demonstrar sentimentos e apresenta apatia na maior parte do tempo.
Essa figura, completamente passiva em relação ao seu universo, é incapaz de tomar decisões diretas e se posicionar em qualquer situação. Seja em seus relacionamentos com vizinhos, amigos ou com sua namorada, Meursault nunca demonstra sentimentos ou reações.
Enredo
Nesse contexto, a história do personagem se desenvolve a partir do velório de sua mãe, que faleceu no asilo onde morava. Meursault parece não saber o que fazer ou como se comportar: ele vai aonde dizem que deve ir e faz aquilo que lhe é orientado. Nos dias após o velório, ele acaba se envolvendo romanticamente com Marie, uma colega de trabalho.
Assim como muitas mulheres da época, a jovem leva o relacionamento a sério e pretende oficializá-lo. Mais uma vez, o homem se mostra passivo diante das situações que a vida lhe apresenta. Ele parece gostar da companhia de Marie, mas não demonstra isso. Quando ela está presente, tudo bem; mas, se ela não estiver, tudo bem também.

Da mesma forma, ele age com Raymond, seu vizinho. Ele não escolhe ter amizade com esse homem, mas acaba criando um laço por acaso. É assim que Meursault define boa parte de sua vida: um acaso. Portanto, quando se vê em um tribunal, acusado de assassinato, suas declarações são extremamente confusas para o juiz e para o público.
Em meio a tanta apatia, fica difícil saber quais são as intenções de Meursault. Ele não demonstra ambição, medo nem sonhos. E, assim, é julgado pela justiça e pela sociedade.
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Vale a pena assistir ‘O Estrangeiro’?
Eu não consegui me conectar com essa história. A apatia e a indiferença do protagonista me incomodaram profundamente, quase como uma psicopatia. Devo confessar que não li o livro que deu origem à obra nem assisti à adaptação anterior; portanto, meus comentários são exclusivamente baseados neste filme.
Cabe ressaltar que a produção consegue transmitir o contexto histórico da época. Assim como o Brasil, a Argélia foi colônia por muitos anos — nesse caso, sob domínio francês. Dessa forma, é possível observar a relação entre colonos e nativos, bem como a disparidade social entre esses grupos.
Vale a pena esperar para assistir no streaming, mas, para quem quiser conferir nos cinemas, O Estrangeiro estreia em 16 de abril.
O Estrangeiro
França, Bélgica, Marrocos| 2025 | Drama, Crime | 122 min.
Diretor: François Ozon
Roteiro: François Ozon, com colaboração de Philippe Piazzo, baseado no livro homônimo de Albert Camus
Elenco: Benjamin Voisin, Rebecca Marder, Pierre Lottin, Denis Lavant, Swann Arlaud
Fotografia: Manuel Dacosse
Música Original: Fatima Al Qadiri
Montagem: Clément Selitzki
Distribuidora: California Filmes

Imagem de capa: Reprodução/ IMdb
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