O crescimento demográfico e da visibilidade das religiões de matriz africana no Brasil impactaram diretamente o mercado editorial, a literatura acadêmica e a produção cultural. Isso em todas as faixas etárias. De acordo com os números oficiais do Censo do IBGE, o número de pessoas que se declararam praticantes de Umbanda e Candomblé triplicou entre 2010 e 2022, indo de 0,3% para 1,05%. Proporcionalmente, foram as religiões que mais cresceram. 

Apesar da ausência de dados oficiais, fatos como a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas e ampliação dos livros infantis e infantojuvenis que tratam do tema, a conclusão é que mais pessoas estão lendo narrativas voltadas para cosmologia e ancestralidade. 

São obras que trazem não apenas mitologias, mas também histórias contemporâneas têm chamado a atenção do público, fazendo com que as editoras invistam em novos catálogos. Por isso, na segunda matéria da nossa série Impressões da Fé, conheça três das principais editoras literárias brasileiras responsáveis pela divulgação de obras que contam a história das religiões africanas.

Pallas Editora: pioneirismo na antropologia das religiões

A Pallas Editora começou sua trajetória em 1975 no Rio de Janeiro. Ela nasceu com o objetivo de consolidar uma visão comprometida com a valorização das tradições africanas e da afro-brasilidade. Foi pioneira por abrir espaço para o registro de saberes ancestrais que haviam sido contados apenas por perspectivas externas. Além de trazer autores clássicos como Conceição Evaristo e Nei Lopes, a editora conta com coleções de referência sobre  culto aos Orixás. Do mesmo modo, títulos com pesquisas aprofundadas sobre o candomblé, além de forte atuação no segmento infantojuvenil.

Malê Editora: diáspora e ficção

A Malê Editora nasceu com o propósito de descentralizar as vozes da literatura brasileira. Atualmente conta com um catálogo voltado para as diásporas africanas e na literatura afro-brasileira. Além de dar voz a autores negros em diversos gêneros literários, a Malê edita títulos que celebram a ancestralidade, as vivências cotidianas, assim como o imaginário mítico dos orixás.

 Mazza Edições: A luta antirracista e pela educação

A Mazza foi fundada em 1981 em Belo Horizonte (MG) por Maria Mazarello, com o compromisso de publicar obras sobre a cultura afro-brasileira e a história da África. O diferencial da Mazza é ser um apoio para educadores que buscam aplicar diretrizes inclusivas e antirracistas. O catálogo conta com várias obras pedagógicas sobre a nobreza e os imaginários dos orixás, divindades mitológicas femininas, sincretismo e festividades tradicionais. 

Imagem de capa: Reprodução | Instagram (@pallaseditora) | Modificada por IA