“Criaturas Impossíveis“, de Katherine Rundell, apresenta um mundo mágico em apuros, duas crianças sem medo de lutar pelo que acreditam e criaturas fantásticas que são tão incríveis quanto podem ser fatais.
Ao longo das 371 páginas, essa fantasia infantojuvenil leva o leitor para uma jornada entre os mares do Arquipélago. Entre ilhas misteriosas e grandes segredos, a dupla de heróis improváveis enfrenta diversos desafios enquanto tenta salvar a magia, conhecida como glimourie.
Criaturas Impossíveis
Cristopher é uma criança como outra qualquer, exceto pelo fato de que animais o seguem em todos os lugares. Desde muito pequeno, ele está acostumado a receber pequenos presentes, como moedas, de animais que cruzam seu caminho. Eles estão sempre subindo na sua cabeça, se escondendo em suas roupas e pedindo carinho. Uma característica que o garoto herdou da já falecida mãe.
Quando o pai precisa viajar a trabalho, ele acaba passando um tempo na casa do avô materno. Apesar do parentesco, os dois possuem um relacionamento distante e o garoto não sabe nada sobre o homem. No entanto, ele logo descobre um grande segredo. O avô é o guardião de um reino escondido chamado Arquipélago. Assim, ele é o responsável por manter o mundo em segurança e guardar para sempre esse grande segredo.
Mal Arvorian é uma corajosa garota do Arquipélago que mora com a tia-avó e seu bichinho de estimação. Com uma certa dificuldade de se manter dentro das regras, ela viaja sempre com sua capa voadora e, assim, acaba percebendo o enfraquecimento do glimourie. Ainda assim, é apenas quando um estranho tenta matá-la que ela se dá conta de que precisa de ajuda. É dessa forma que Mal encontra uma passagem para o mundo real e dá de cara com Cristopher. Juntos, os dois precisam descobrir o que está acontecendo e lutar para salvar o Arquipélago.
O mundo mágico
O livro começa com um mapa do Arquipélago, seguido do Bestiário do Guardião, que contém a descrição detalhada de cada uma das criaturas, contendo um pequeno desenho. Ali é possível diferenciar quais criaturas são inocentes e quais são letais, além de outras características importantes.
Ainda que algumas criaturas sejam do conhecimento geral, outras são criadas pela autora. Ao longo da narrativa, é um pouco complicado distinguir qual criatura faz o quê, mas, pela jornada dos personagens, é mais fácil inferir.
O Arquipélago é muito bem trabalhado. Todas as ilhas citadas são bem descritas, sendo impossível não se sentir dentro delas. Mesmo com o meu péssimo senso de direção, consegui entender a distância entre os locais e, ao contrário do que pensei, não fiquei nada perdida. O desenvolvimento do mundo mágico é a melhor parte da história.
O desenvolvimento dos personagens
A história é contada pelo ponto de vista de duas crianças, então em alguns momentos fica um pouco complicado. Enquanto Cristopher acaba amadurecendo com o tempo, Mal retrocede. O importante papel que ela desempenha fica de lado quando acaba fazendo birra mesmo. Entendo que é um comportamento normal de uma criança em apuros, sozinha no mundo, mas esse temperamento volátil e incapaz de ouvir me distanciou bastante.
Outros personagens interessantes surgem ao longo da jornada e é impossível falar de “Criaturas Impossíveis” sem citar Irian e Nighthand. Nighthand comanda um navio com mão de ferro e, ainda assim, se sentiu compelido a ajudar as duas crianças. Já Irian é dona de um conhecimento ímpar e também acaba no meio dessa aventura.
Entre as criaturas apresentadas, Jacques é o meu preferido. O pequeno dragão entrega a dose de humor de que a história tanto precisava. Suas tiradas ácidas e comentários inteligentes aliviam a trama, que algumas vezes acaba um pouco pesada demais.
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Impressões sobre o livro
O livro começa com um ritmo acelerado que se mantém durante toda a narrativa. São cenas de lutas e reviravoltas o tempo todo, tornando a leitura fluida e nada cansativa. No entanto, tive um pouco de dificuldade com o desenvolvimento, principalmente quando se tratava de mal.
A personagem se revolta com pequenas coisas, transforma certos acontecimentos em algo muito maior do que é e é incapaz de ouvir um não. Entendo que isso seja não somente da idade, como também da natureza dela, mas acabou ficando cansativo em alguns momentos. Ainda assim, acredito que essa visão aconteceu por eu estar bem fora da faixa de idade do público-alvo. O público jovem com certeza vai amar acompanhar essa história, mesmo com o temperamento complicado da personagem principal.
O final me deixou triste e chocada. Jamais pensei que aconteceria o que aconteceu e levei um tempo para me recuperar dessa enorme reviravolta. O gancho para o segundo livro aparece logo depois e é impossível não se perguntar o que vai acontecer nos próximos volumes.
Imagem de capa: Reprodução | Amazon | Faro Editorial
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