Pedro Alonso segue como destaque em uma temporada marcada por romances exagerados, tensão irregular e uma estética mais sombria 

Berlim continua expandindo o universo criado por “La Casa de Papel”, porém chega com uma proposta que se aproxima mais de um drama romântico escrito por um adolescente do que de um thriller criminal. Em vez de ação e adrenalina constante na série principal, “Berlim e a Dama com Arminho” é centrado no roubo de uma obra de arte lendária e nos jogos emocionais entre os personagens. 

O novo spin-off da Netflix é desenvolvido pela dupla Álex Pina e Esther Martínez Lobato. Ambientada em Sevilha, no sul da Espanha, a trama continua a história de Andrés de Fonollosa (Berlim), que agora lidera um novo golpe envolvendo uma valiosa obra de arte, enquanto sua equipe se envolve em conflitos internos. 

O elenco principal inclui Pedro Alonso como Berlim, Michelle Jenner como Keila, Tristán Ulloa como Damián, Bergoña Vargas como Cameron, Julio Peña como Roi, Joel Sánchez como Bruce e Inma Cuesta como Candela. Além de José Luis García Pérez como Álvaro Hermoso de Medina, Marta Nieto como Genoveva Dante e Luis Callejo como Santos. 

Uma estética fria, elegante e melancólica 

Visualmente, a estética acompanha totalmente a mudança de tom da série. Diferente da energia vibrante de “La Casa de Papel” e até de “Berlim: As Joias de Paris”, aqui parece tudo mais escuro, frio e melancólico. A fotografia aposta em sombras fortes, ambientes silenciosos, criando uma atmosfera quase depressiva em alguns momentos. 

A paleta de cores também ajuda a transmitir essa mudança. Tons frios e ambientes escuros dominam grande parte das cenas, fazendo a série assumir, em alguns momentos, um clima próximo de um terror psicológico.  

Um thriller criminal que perde força no meio da temporada

Berlim, Keila e Cameron encaram o inimigo capturado em uma estética sombria e tensa, marcada pelo silêncio e pela frieza do momento | Crédito: Netflix/Reprodução.

A minissérie conta com um roteiro que tenta seguir uma abordagem mais sofisticada e psicológica. A narrativa foca menos na adrenalina do assalto e mais nos conflitos pessoais da equipe. Entretanto, a ideia funciona melhor apenas nos episódios iniciais.

Pedro Alonso segue como um grande destaque, ao entregar um protagonista carismático, manipulador, sedutor, conseguindo sustentar grande parte das cenas pela presença do personagem. 

Outro personagem que ajuda a elevar a tensão da trama é Santos, interpretado por Luis Callejo. Introduzido no segundo episódio, ele rapidamente se torna uma das presenças mais assustadoras da temporada. 

Enquanto boa parte da série mergulha em romances e dramas emocionais exagerados, o personagem consegue entregar poucas cenas que realmente transmitem sensação de tensão e perigo. Sua perseguição contra Keila e Bruce adiciona um clima quase de thriller psicológico à temporada. 

O mais interessante é que a série evita transformar Santos apenas em um vilão descartável. Mesmo depois de ser brutalmente ferido e derrotado, o personagem sobrevive. Ele se torna uma figura ameaçadora, deixando uma sensação de que ele ainda pode voltar para se vingar dos criminosos de Berlim. 

Dramas novelísticos que sufocam a trama 

O romance entre Bruce e Keila assume o foco em grande parte das cenas e enfraquece o ritmo do assalto na série | Crédito: Netflix/Reprodução.
O romance entre Bruce e Keila assume o foco em grande parte das cenas e enfraquece o ritmo do assalto na série | Crédito: Netflix/Reprodução.

O principal problema da série é que os relacionamentos deixam de complementar a história e passam a dominar completamente toda a temporada. Isso prejudica o ritmo, já que os assaltos são frequentemente interrompidos para dar espaço a conflitos amorosos. Ainda mais, há pouca ação e os diálogos, em alguns momentos, soam artificiais, exagerados e inadequados.

De certa forma, Berlim e Candela formam um casal mais interessante e rendem alguns momentos cômicos. Existe química entre os dois e a relação funciona mais pela tensão psicológica, do que pelo melodrama exagerado. Além disso, a curta participação de Camille funciona apenas para reforçar o que Berlim e Candella sentem um pelo outro. 

Já Roi e Cameron não têm tanta participação na tela juntos. Eles continuam tendo conflitos e logo Berlim envia Cameron para sua missão sozinha, deixando Roi focado mais na realização do roubo de arte e como o personagem “rebelde” do grupo.

Porém, talvez o núcleo mais frustrante seja o de Bruce e Keila. O relacionamento dos dois piora bastante quando a série introduz uma terceira pessoa e cria um trisal temporário totalmente desnecessário e sem sentido. O drama aparece de forma artificial e apenas para gerar mais drama de novela adolescente. 

Diferente de “La Casa de Papel”, em que os romances foram surgindo em meio ao caos, aqui muitas vezes parece que o assalto ficou em segundo plano. 

Episódios marcantes e conexão com o universo de “La Casa de Papel”

Berlim reencontra El Profesor em uma participação especial que reforça a ligação do spin-off com o universo de "La Casa de Papel" | Crédito: Netflix/Reprodução.
Berlim reencontra El Profesor em uma participação especial que reforça a ligação do spin-off com o universo de “La Casa de Papel” | Crédito: Netflix/Reprodução.

Os melhores episódios de “Berlim e a Dama com Arminho” acabam sendo justamente o primeiro, segundo e o último. Os capítulos iniciais conseguem criar o mistério, apresentar o golpe e estabelecer uma atmosfera elegante, sem exagerar nos dramas emocionais. Já o último episódio entrega mais ação e recupera parte da tensão perdida no meio da trama, além de perdas que devolvem a sensação de urgência à narrativa.

Mesmo com uma proposta mais dramática e melancólica, a breve participação de El professor (O professor), interpretado por Álvaro Morte, ajuda a reforçar a conexão com o universo de “La Casa de Papel”. Sua aparição agrada aos fãs da franquia e acrescenta valor na construção da trama.

Cameron e o final emocional da temporada

Mesmo com pouco destaque durante a série, Cameron continua representando o lado mais impulsivo e emocional da equipe. Sua morte no episódio final tenta transformar o encerramento da temporada em um momento trágico, deixando Roi abalado e Berlim frustrado pela perda de um integrante de sua equipe. 

A ideia funciona parcialmente porque Cameron sempre carregou uma energia autodestrutiva, como alguém incapaz de separar emoção e perigo. Enquanto a trama passa boa parte do tempo focada em romances e conflitos pessoais, sua morte relembra que o golpe ainda envolve perigo real e consequências graves. 

Comparação com “Berlim: As Joias de Paris”

Diferente de “La Casa de Papel”, que equilibrava ação, tensão e romances de forma natural, “Berlim e a Dama com Arminho” prefere um ritmo mais lento, psicológico e emocional. O problema é que a série deixa de lado a adrenalina do golpe para focar em dramas amorosos de seus personagens. 

Já em “Berlim: As Joias de Paris”, a diferença está no tom. “As Joias de Paris” funcionava melhor como entretenimento, já que tinha atmosfera mais divertida, golpes mais dinâmicos e personagens carismáticos. 

O segundo spin-off de Berlim tenta ser sofisticado e emocional, mas falha ao entregar conflitos emocionais durante momentos que deveriam ser de pura tensão e perigo.  

Vale a pena assistir “Berlim e a Dama com Arminho”?

Depende. Se você procura a adrenalina, assaltos intensos e ritmo acelerado de “La Casa de Papel”, provavelmente vai se decepcionar com a série. “Berlim e a Dama com Arminho” funciona melhor quando aposta em suspense, na presença carismática de Pedro Alonso e na atmosfera fria construída pela direção.

Por outro lado, pode agradar quem prefere histórias mais focadas em romances e conflitos internos. Para os fãs do personagem Berlim e do universo da franquia, a minissérie entrega alguns momentos interessantes.  

A nova minissérie com o retorno de Berlim está disponível exclusivamente na Netflix, com 8 episódios que expandem o universo da franquia. 

Imagem de capa: Netflix/Reprodução

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