Escritora mineira, autora de obras como Ponciá Vicêncio e Olhos d’Água, estreia como atriz no filme de abertura do festival
A 20ª edição do CineBH, que começou nesta terça-feira (22) e vai até o dia 27 de setembro, homenageia Conceição Evaristo, escritora mineira que se tornou um dos nomes de destaque da literatura brasileira contemporânea. Aos 79 anos, ela também estreia como atriz de cinema em Se Eu Fosse Vivo… Vivia, novo longa-metragem de André Novais Oliveira, exibido na abertura do festival.
Durante a cerimônia de abertura, Conceição recebeu o Troféu Horizonte por sua trajetória. A escritora participou da homenagem por transmissão remota, já que o mau tempo a impediu de chegar a Belo Horizonte a tempo. Familiares receberam o troféu em seu nome.
De Belo Horizonte para a literatura
Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu em Belo Horizonte, em 1946, e mudou-se para o Rio de Janeiro na década de 1970. Formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também atuou como professora da rede pública. Mais tarde, fez mestrado em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
A escritora também teve uma trajetória ligada aos movimentos de valorização da cultura negra no Brasil. Sua experiência e suas referências aparecem em uma produção literária que reúne poesia, ficção e ensaio.
A estreia na literatura
Embora já escrevesse antes, Conceição Evaristo estreou na literatura em 1990, quando passou a publicar contos e poemas na série “Cadernos Negros“, do coletivo Quilombhoje. Seu primeiro romance foi Ponciá Vicêncio, publicado em 2003.
A obra foi seguida por títulos como “Becos da Memória“, “Poemas da Recordação”, “Outros Movimentos” e “Insubmissas Lágrimas de Mulheres“. Outro destaque da carreira é Olhos d’Água. Publicado em 2014, o livro recebeu o Prêmio Jabuti em 2015, na categoria Contos e Crônicas. Em 2019, Conceição Evaristo foi escolhida como Personalidade Literária do Ano pelo Prêmio Jabuti.
O que é a escrevivência
Um dos conceitos associados à obra de Conceição Evaristo é a escrevivência, que aproxima escrita, experiência, memória e invenção. A ideia está relacionada à forma como experiências vividas podem se transformar em matéria para a criação literária.
Na produção da escritora, aparecem histórias relacionadas às experiências da população negra e, especialmente, de mulheres negras. Obras como “Becos da Memória” também trabalham com lembranças e experiências ligadas às comunidades negras e periféricas.
Reconhecimento em Minas Gerais
Em 2024, Conceição Evaristo foi eleita para a Academia Mineira de Letras, passando a ocupar a cadeira número 40. A entrada na instituição aconteceu depois de uma trajetória de décadas dedicada à literatura e à educação. A escritora também recebeu, em 2025, o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Da literatura para o cinema
Agora, Conceição Evaristo dá um novo passo em sua trajetória artística. Em Se Eu Fosse Vivo… Vivia, ela faz sua estreia como atriz e interpreta Jacira, ao lado de Norberto Novais Oliveira, que vive Gilberto. O filme é dirigido por André Novais Oliveira e produzido pela Filmes de Plástico.
A produção teve sua estreia mundial na seção Panorama da 76ª Berlinale, em fevereiro de 2026. Em setembro, chegou ao CineBH como filme de abertura de sua 20ª edição, marcando a primeira exibição do longa em Minas Gerais. Além disso, a participação representa um novo momento na carreira de Conceição, que agora leva sua força expressiva e sua experiência com a literatura para as telas.
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Uma nova experiência para Conceição Evaristo
A estreia no cinema aproxima a escritora de uma nova forma de contar histórias. Para Marcelo Miranda, curador de filmes brasileiros do CineBH, a participação de Conceição estabelece uma relação entre a escrevivência da autora e o cinema de André Novais Oliveira.
Durante a homenagem, realizada por transmissão remota, Conceição falou sobre a experiência de atuar pela primeira vez e agradeceu ao diretor André Novais Oliveira pelo convite. A escritora também afirmou que deseja continuar atuando. Aos 79 anos, Conceição Evaristo chega ao cinema depois de construir uma trajetória de décadas na literatura. No CineBH, sua obra literária e sua estreia como atriz se encontram em uma nova experiência de criação.
Crédito da capa: Itaú Social
Estagiária sob supervisão de Anna Flávia Lopes
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