Longa metragem nacional de Daniel Porto equilibra temas do cotidiano brasileiro com naturalidade e delicadeza 

Os cinemas brasileiros recebem nesta quinta-feira (26) a chegada de “A Miss”. O filme tem direção e roteiro de Daniel Porto, sendo o primeiro longa-metragem do diretor. 

No elenco principal, “A Miss” conta com as atuações de Helga Nemetik, Maitê Padilha, Pedro David e Alexandre Lino. Os atores, respectivamente, dão vida aos personagens Ieda, os gêmeos Martha e Alan, e tio Athena. Dessa forma, a trama se desenrola com delicadeza ao contar a história da família carioca. 

O Rio de Janeiro é o cenário principal do longa-metragem

Considerado um dramédia por Daniel Porto, “A Miss” se passa no bairro do Grajaú, no Rio de Janeiro. Entre as belas paisagens e referências culturais do estado, o enredo do filme conta a história da Ieda (Helga Nemetik), uma ex-vencedora do concurso de beleza. 

Atualmente, ela é dona de um salão de beleza ao lado do fiel amigo Athena (Alexandre Lino). Já em casa, Ieda sonha que sua filha, Martha (Maitê Padilha), siga seus passos se tornando Miss. 

Entretanto, a filha se recusa a continuar alimentando as expectativas da mãe e decide se contrapor mesmo que Ieda ignore seus sentimentos. Por outro lado, Martha descobre que seu irmão gêmeo Alan (Pedro David) nutre o desejo de participar dos concursos de beleza. 

Apesar do nome, “A Miss” não é um filme sobre concurso de beleza

Sendo assim, os gêmeos se unem com a ajuda de Athena (Alexandre Lino) para realizar o plano sem que a mãe descubra. Apesar do enredo de “troca de gêmeos” e a motivação para a vitória do concurso de beleza, “A Miss” está longe de ser apenas uma dramédia de uma família em busca da faixa vencedora. 

Isso porque desde o início a dinâmica familiar expõe os medos e desejos de cada integrante. Martha tenta se libertar da atenção obsessiva da mãe, sem entender porque Ieda ainda teima em inscrevê-la nos concursos. A mãe a obriga a seguir dietas rigorosas e a se preparar para um concurso do qual ela não quer participar, muitas vezes transformando suas frustrações em brigas verbais com os filhos. 

Enquanto isso, o gêmeo Alan revela o desconforto que sente ao ter passado a vida observando a relação intensa entre as duas. Além disso, sentiu-se deixado de lado pela mãe, como se estivesse sempre em segundo plano. E, acima disso, Alan também está passando por um processo de auto descoberta e aceitação enquanto LGBTQIAPN+ em uma casa onde se sente sozinho. 

É dessa forma que Daniel Porto utiliza o concurso de beleza como um ponto de partida e um plano de fundo para trabalhar questões de gênero, vínculos familiares, pertencimento e jornadas individuais de descobertas.

Vale a pena assistir “A Miss”?

“A Miss” surpreende ao dialogar com o público com humor de forma delicada, sem muitas explicações ou exageros para representar minorias. Desde Martha tentando romper ciclos familiares com uma mãe apegada a heranças emocionais da família, até o processo de descoberta de Alan sobre sua orientação sexual. 

Em meio a tantas produções da indústria que buscam representar a comunidade LGBT+ seguindo fórmulas repetidas, Daniel Porto se destaca ao retratar Alan e sua família com naturalidade. O diretor constrói personagens complexos e humanos, sem recorrer a estereótipos ou conflitos superficiais.

Além disso, a narrativa não reduz Alan à sua orientação sexual. O filme apresenta suas inseguranças e dilemas de forma sensível e realista. Dessa maneira, a história amplia o olhar sobre a vivência LGBT+, ao mostrar que ela faz parte da identidade do personagem, mas não o define por completo.

A personagem de  Helga Nemetik é o ponto central para compreender os conflitos da trama. Apesar de ser apresentada como uma mãe rígida e a princípio caricata, o telespectador logo tem a oportunidade de também se aprofundar na história de Ieda. Dessa forma, não é somente os jovens Martha e Alan que acabam passando por um processo de redescoberta dentro do ciclo familiar.

O que também faz com que o telespectador se conecte com a história são as atuações de Pedro David e Maitê Padilha como gêmeos. Ambos apresentam o roteiro de Daniel Porto com maestria e um carisma tão natural que é difícil acreditar que eles não sejam gêmeos na vida real também. Além disso, Alexandre Lino leva humor e emoção com Athena ao acompanhar e apoiar a decisão dos filhos de sua melhor amiga. 

Ficha técnica

A Miss
Brasil, 2026, 105 min.
Gênero: Comédia e drama
Direção: Daniel Porto
Elenco: Helga Nemetik, Maitê Padilha, Pedro David e Alexandre Lino
Classificação: 12 anos
Distribuição: Olhar Distribuidora

Imagem de capa: Olhar Filmes