Uma mistura de documentário e ficção. O filme Honestino chegou aos cinemas brasileiros e promete deixar viva a história de um dos mais importantes desaparecidos políticos da Ditadura Militar. O longa, lançado originalmente no 27º Festival do Rio em 2025, conta a história de Honestino Guimarães, líder estudantil nos anos 60 e 70, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e aluno da Universidade de Brasília (UnB).
Dirigida por Aurélio Michiles, a produção traz depoimentos de familiares e imagens de uma época marcada pela política autoritária e jovens que buscavam expressar suas ideologias. O ator Bruno Gagliasso fica responsável por dar vida ao personagem central, dando voz a cartas e documentos escritos por Honestino.
A trajetória de Honestino Guimarães
A trama começa com a voz de Gagliasso dizendo que o protagonista muitas vezes foi ameaçado de morte. Nesse primeiro instante, quem ainda não sabe do que se trata a história já pode desconfiar do final trágico. Os acontecimentos são narrados e os depoimentos seguem uma linha cronológica, apesar de que, logo no início, temos o neto de Honestino falando sobre o legado do avô.
Começando com a infância, passando por uma curta apresentação da família, somos apresentados aos primeiros anos de Guimarães (ou Gui, como os íntimos costumavam chamá-lo) na faculdade. A vida dele se funde com a do movimento estudantil e, em alguns momentos, temos mais informações sobre a luta daqueles jovens do que sobre a trajetória do homem que estava muitas vezes à frente dessas pessoas.
Desde as prisões, as torturas que ele sofreu, fugas e a vida como um clandestino para fugir dos militares… Os depoimentos contam o que aquele jovem viveu entre a década de 1960 e 1970 até ser preso pela quinta vez e nunca mais retornar. O roteiro foca muito na vida política dele e, poucas vezes, toca nos assuntos mais pessoais. Sabemos quem era Honestino Guimarães, o líder, mas quase não descobrimos sobre a pessoa que ele era. Nos instantes finais, descobrimos mais seus gostos e passatempos.

Ficção dentro de um documentário…
Uma coisa que chama atenção nesse documentário é que ele não foi feito apenas com depoimentos e registros antigos. A história é contada também por meio da interpretação, não só de Bruno Gagliasso, mas também de outros atores que embarcam na máquina do tempo e retornam para a época da Ditadura Militar.
As cenas em que Gagliasso interpreta os textos de Honestino transmitem emoção e fazem com que o espectador se conecte ainda mais com aquele homem. Apesar de em alguns momentos ficar nítido que o ator não corresponde à idade real do protagonista na época, esses detalhes conseguem passar por conta da entrega de Bruno à cena. A forma como os textos escritos ficam sobrepostos nessas cenas também chama atenção.
Essa mistura de ficção com imagens reais faz com que o filme fique ainda mais interessante. Poderíamos apenas escutar os amigos e familiares falando sobre Guimarães, com imagens da época. Porém, temos cenas encenadas que conseguem agregar ainda mais à história e trazer uma imersão maior, principalmente nas cenas das prisões.
A quebra da quarta parede em alguns momentos de Gagliasso em cena acaba sendo um artifício usado para criar um ambiente interativo no filme, como se ele estivesse conversando com o espectador. A trilha sonora também ajuda a criar um ambiente envolvente, principalmente nas cenas em que Honestino está fugindo e há um suspense sobre o que vai acontecer em seguida.
Vale a pena assistir ao filme “Honestino”?
Sim! O documentário é muito mais do que um filme sobre uma pessoa que viveu e enfrentou a Ditadura Militar. A importância desse longa é deixar a memória viva e registrar o impacto dele na história política.
Honestino Guimarães foi sequestrado em 1973, aos 26 anos, e é um dos centenas de desaparecidos da ditadura militar. O atestado de óbito veio muitos anos depois. O que aconteceu com o corpo dele, entretanto, é uma pergunta que permanece sem resposta.
Ficha Técnica
Honestino
Brasil, 2025, 85 min.
Direção: Aurélio Michiles
Roteiro: Andre Finotti e Aurélio Michiles
Elenco: Bruno Gagliasso
Produção: Nilson Rodrigues
Direção fotográfica: André Michiles
Montagem: Andre Finotti
Classificação: 12 anos
Distribuição: Pandora Filmes

Imagem de capa: IMDb
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