O GeekPop News conversou com a escritora MLourdes Rabelo Cruz, autora da obra “Noz Mulheres“. Na obra, ela conta a história de três mulheres que precisam se reinventar em meio a situações dolorosas. Dessa forma, elas descobrem a importância de se colocar como prioridade, desfazendo os nós que as mantêm presas em lugares pequenos demais para o que se tornaram.

Na entrevista, MLourdes divide suas inspirações, o que a guiou durante a escrita e o porquê da escrita de uma obra tão potente sobre pertencimento, assim como o impacto das escolhas que fazemos ao longo da vida.

Conte um pouco sobre a jornada, sobre como se encontrou na profissão, os livros e autores que te inspiraram.

Sempre gostei das ciências exatas, não por ser fácil para mim, mas porque precisava superar esse desafio. Nos tempos livres, usava os livros para relaxar e sonhar. Isabel Allende, Laurentino Gomes, Agatha Christie, esses com coleções completas, e muitos outros que li ao longo da vida. Quando me aposentei, fiquei com muito tempo livre e, ao ouvir e ler um portal de uma escritora, Lilian Cardoso, comecei a fazer rascunhos que aos poucos viraram “Noz Mulheres”. 

O romance apresenta três protagonistas que, mesmo em contextos diferentes, compartilham o gesto de romper com o que as prende. Como surgiu a ideia de conectar essas histórias?

O título original seria “meu avatar”, precisava sair de um espaço que me consumia. Quem eu seria se não fosse eu? Foi sofrido me olhar numa autoanálise, não aconselho ninguém a fazer isso. Precisei e fui escrevendo. Duas mulheres tão diferentes, uma linda e inteligente e outra não tão linda e não tão inteligente. Sofridas da mesma forma. A terceira veio para acalmar as duas primeiras em seus sofrimentos. 

Como você enxerga o papel das redes de apoio femininas na construção dessas personagens?

Ainda um pouco lentas, frias, desiguais, no mundo real e no livro. A avó de Maria foi fraca e deixou que levassem sua neta. Os pais adotivos dela podiam ter comprado passagens parceladas e ido assistir ao casamento da filha. Os pais da Lila não foram presentes na vida dela e os da Ayla usaram a filha única em benefício próprio. 

Houve algum personagem que te desafiou mais durante a escrita?

Steve. Ele quase insistiu em ser vítima de um acidente. Talvez por medo de não superar as expectativas de todas as leitoras. Ele sempre foi um amor de pessoa e um homem apaixonado que as mulheres desejam para si.

O livro sugere que romper expectativas impostas às mulheres é um caminho para a reinvenção. Você acredita que esse movimento é possível através dos laços que criamos ao longo da vida?

Sim, com certeza. Pode ser uma luta silenciosa, sofrida, amarga, mas é necessária e muito urgente. Somos mais do que esperam que sejamos. Temos um poder de luta inimaginável, porque acontece no silêncio e junto de um cuidado que só nós, mulheres, somos capazes de ter, e talvez alguns “Steves” perdidos por aí. 

O tema do pertencimento exerce certa força no livro. Por que ele foi central para você?

No princípio da escrita me soltei. Disse tudo o que sentia e o pertencimento é ou era muito importante para mim. Por isso trouxe o tema ao longo da escrita. 

Qual foi o momento mais desafiador do processo de escrita e qual mensagem você espera passar com “Noz Mulheres”??

Todo o processo. Medo de mostrar mais do que podia. Deslizar e escrever mais do que tinha planejado. A mensagem é: que elas tirem o manto do medo de serem excluídas. Nós sempre seremos escolhidas por nós mesmas, por nossos filhos, nossos familiares, nossos amigos e pelo mundo que finge não saber da nossa força, mas tem pleno conhecimento dela. 

Imagem de capa: Divulgação

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