Com foco na produção local de jogos e na presença nos esports, a indústria de games no Oriente Médio vem se fortalecendo a cada dia

Os games estão interligados e vivendo sob influências de diversas culturas. No Oriente Médio, a indústria dos games está em constante crescimento e com grandes investimentos, principalmente na Arábia Saudita, que se tornou um grande investidor nos esports. Buscando por uma diversificação econômica, o Oriente Médio tem atraído cada vez mais grandes empresas, além de fortalecer estúdios locais.

Indústria dos Games no Irã e a valorização da cultura local 

No Irã, os jogos mesclam as tradições do país, com a modernidade dos gêneros e performance. Sendo uma indústria culturalmente viva e forte, que se opõem aos costumes ocidentais e ao mesmo tempo, busca por mais visibilidades ao redor do mundo. 

O primeiro videogame produzido no país foi “Ali Babá e os Quarenta Ladrões”, desenvolvido no final dos anos 90 e comercializado por volta de 1999. Alireza Razzazi liderou a equipe que desenvolveu o jogo no Irã, focado para o PC

“Ali Babá e os Quarenta Ladrões” tornou-se o precursor da indústria dos games no Irã, abrindo caminho para os jogos iranianos e consolidando os jogos eletrônicos no país como algo cultural. Esse jogo se trata de uma aventura e estratégia, que une o famoso conto persa e inserção cultural nos games. Dessa forma, em 1999, Alireza Razzazi conecta o pop com as tradições culturais do país. 

No entanto, a indústria dos games no Irã demorou para tomar forma e engatar. Com isso “Ali Babá e os Quarenta Ladrões” tem o reconhecimento em ser o marco zero da produção local dos jogos no país. 

Controle Gamer
Créditos: Banco de Imagens/Freepik

Esra: sistema de classificação 

O país possui o seu próprio sistema de classificação, o Entertainment Software Rating Association (Esra). Assim, eles aplicam o controle e mediam a censura sobre os jogos comercializados, analisando os conteúdos incompatíveis com a cultura islâmica. Games que incitam a violência, nudez ou até mesmo a dança, estão inclusos no sistema de avaliação do país. 

O Esra faz parte do “Iran National Foundation of Computer Games” (Fundação Nacional de Jogos de Computador do Irã), sendo criado devido a necessidade de regulamentar os jogos importados e produzidos localmente no país. Eles garantem que os conteúdos estejam de acordo com as normas sociais iranianas, sendo também uma medida de proteção aos jovens. 

Por ser um país tradicionalmente cultural, a análise torna-se minuciosa e necessária, para não insultar a cultura e assim, aprovar a comercialização. O Irã se destaca pela identidade, deixando evidente que o país busca trabalhar com a personalidade e aplicar isso nos jogos eletrônicos, tendo a atenção para crescer no mercado com jogos que condiz com as ideologias iranianas. 

A exemplos de jogos restritos no país, está o Call of Duty, por ter uma franquia marcada por retratar conflitos no Oriente Médio. Jogos com essas premissas acabam incitando a violência, tornando, então, em um sinal de alerta. O game tem dificuldades com o acesso direto no país, em relação às compras, servidores oficiais e atualizações. 

Como os Aiatolás atua nos games 

Como parâmetro para assegurar as restrições estão os Aiatolás, o regime teocrático do Irã. O governo iraniano observa os games como uma ferramenta de “soft power” ocidental, que podem, de alguma forma, corromper os valores islâmicos. Ou seja, alguns jogos eletrônicos podem ter a capacidade de influenciar a população. 

O regime dos Aiatolás tem o poder e o controle da censura, garantindo que jogos que contenham conteúdos considerado anti-islâmico, sexualmente explícito ou politicamente subversivo seja restrito no país. 

Arábia Saudita e o investimento pesado no esports 

A Arábia Saudita se destaca com o forte investimento na indústria, com o propósito de sediar grandes eventos de esports. No ano de 2021, foi fundado, pelo Fundo de Investimento Público (PIF), da Arábia Saudita, o Savvy Games Group (SGG), sendo um aglomerado de jogos e esports. Eles investiram cerca de US$ 38 bilhões com o propósito de transformar o país em um hub global de games. 

Príncipe da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante anúncio da Copa do Mundo de esports
Créditos: Saudi Press Agency/REUTERS

Esse destaque do país para o esports pode ser visto como algo positivo, fortalecendo cada vez mais os campeonatos e se colocando no mapa para a realização das competições. Assim, eles buscaram diversificar a economia, colocando os jogos eletrônicos como um dos polos centrais do país.

Além disso, o Savvy Games Group, com o PIF, também conseguiu investir em grandes empresas, como a liderança na aquisição da Electronic Arts (EA) e a participação significativa na Nintendo, Take-Two Interactive, Capcom e Nexon. 

Copa do Mundo e Jogos Olímpicos de Esports 

Com o forte investimento e a intenção em transformar o país em um polo industrial para os games, a Arábia Saudita produz o mega evento anual de jogos eletrônicos. 

A Copa do Mundo de Esports possui premiações que vão até US$75 milhões, coroando o melhor clube mundial e fortalece o cenário competitivo global. Realizada pela Esports World Cup Foundation, sem fins lucrativos e financiada pelo PIF, o campeonato acontece em 2026. 

Jogos como League of Legends, VALORANT, Counter-Strike e EA Esports FC, compõem as competições, focando em equipes profissionais, com uma “Competição de Clubes”, pontuando o desempenho geral nas mais diversas modalidades. 

Enquanto isso, em 2027, acontece a primeira edição dos Jogos Olímpicos de Esports, também na Arábia Saudita. O evento surge como uma alternativa de aproximação do movimento olímpico com a nova geração e também foca no crescimento da indústria dos games no país. 

Imagem de capa: Banco de Imagens/Freepik

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