Estúdio brasileiro quer consolidar independência após sucesso de Aspire e Ironhive

A Wondernaut Studio, criada em 2020, vem se consolidando como um dos nomes populares no desenvolvimento de jogos no Brasil. Após vender mais de 150 mil cópias de Aspire e acumular mais de 70 mil wishlists com Ironhive, o estúdio agora deseja focar em lançar projetos próprios sem o apoio de publishers.

Desde a fundação, a Wondernaut não se limitou a um único gênero. Pelo contrário, o estúdio apostou em experiências variadas, tanto em mecânica quanto em estilo visual. Enquanto Aspire é um jogo 2D contemplativo, o Ironhive é um deck building com set building.

Segundo Bruno Klipel, head de tecnologia e sócio da empresa, um dos principais obstáculos foi entender o escopo de projetos muito diferentes entre si. Como resultado, a equipe precisou desenvolver uma metodologia própria de organização e produção:

Mas isso também acabou nos ajudando, de certa forma, porque moldou a nossa mentalidade de uma forma onde, independente do estilo de jogo, nós conseguimos pensar em formas de organizar o fluxo, organizar o escopo do projeto e como vai ser a produção para que funcione independente do estilo, da mecânica, tanto questão de estilo artístico ou de estética.

Bruno Klipel

Wondernaut Studio aposta em experiência imersiva e sensorial

Dessa forma, o estúdio criou processos capazes de se adaptar a diferentes tipos de jogos. Hoje, essa flexibilidade se tornou um dos pilares da Wondernaut. Assim, a proposta do estúdio gira em torno da construção de mundos ricos que levam o jogador em uma grande jornada visual, auditiva e, principalmente, narrativa dentro do universo do jogo. 

A estética, por exemplo, é pensada para refletir a dimensão e profundidade do jogo. De acordo com Klipel, “a gente sempre tenta trazer mundos incríveis onde as pessoas possam jogar e se sentir imersas e tentamos trazer isso de várias formas”. Dessa forma, os jogos estabelecem uma base sensorial que aproxima o jogador de forma única com o ambiente que está inserido ao jogar:

Não são mundos incríveis, são mundos que têm profundidade, que o jogador vai jogar. Tendo essa intenção de realmente tentar entender esse mundo, ele vai conseguir ficar imerso. E até mesmo aqui trazendo um pouco a questão do nome, o Wondernaut, ele vai ficar maravilhado com esse mundo.

Bruno Klipel

Além disso, o estúdio valoriza formas de contar histórias que vão além do texto. Ou seja, a experiência do jogador é construída também por meio das escolhas e ambientação.

Conheça o processo de desenvolvimento da Wondernaut

Ironhive é um jogo de estratégia e construção de baralhos sobre sobreviver em um mundo decadente | Crédito: Steam/Wondernaut Studio
Ironhive é um jogo de estratégia e construção de baralhos sobre sobreviver em um mundo decadente | Crédito: Steam/Wondernaut Studio

A trajetória da Wondernaut inclui tanto projetos autorais quanto trabalhos sob demanda. Entre eles, estão eChess, lançado para PC e mobile, e Stackmon, previsto para chegar ao mercado no segundo semestre, já com boa recepção inicial na Steam.

Ao mesmo tempo, o estúdio também desenvolveu protótipos e participou de game jams. Essas iniciativas serviram como laboratório para testar ideias e validar conceitos. Esse processo experimental ajudou a moldar títulos mais robustos. Ironhive, por exemplo, surgiu em uma game jam durante o BIG Festival e rapidamente ganhou destaque ao vencer na categoria de PC e consoles.

O processo de criação na Wondernaut começa ainda na pré-produção. Nessa fase, a equipe elabora uma documentação extensa que define mundo, mecânicas e experiência desejada. Em seguida, durante o desenvolvimento, essas ideias são ajustadas de forma orgânica. 

Então, a gente começa, durante o desenvolvimento, entendendo como tudo isso que foi planejado, discutido, documentado nessa pré-produção vai funcionar e vai trazer todas as experiências que a gente quer para o jogador. Como ele vai conseguir ficar imerso nesse mundo, como isso vai ser contado para ele, tanto como a arte, como a música, como a narrativa vai contar isso para ele. Então, é um processo bem orgânico que nasce de um trabalho de bastante documentação inicial, de bastante pesquisa.

Bruno Klipel

Além disso, a direção criativa atua como elo entre as áreas. Assim, arte, programação e áudio trabalham de forma integrada para entregar a experiência planejada.

Wondernaut planeja um novo ciclo de jogos independentes

Aspire Ina's Tale é  uma aventura mística de autodescoberta | Crédito: Steam/Wondernaut Studio
Aspire Ina’s Tale é uma aventura mística de autodescoberta | Crédito: Steam/Wondernaut Studio

O estúdio pretende publicar jogos de forma independente, usando a experiência acumulada nos últimos anos. Entre os projetos estão MINIKIN, um party game de objetos escondidos para até quatro jogadores, e Autogrind: Dungeon, um RPG minimalista focado em combate automático e progressão de equipe. Ambos fazem parte da estratégia de fortalecer o portfólio autoral. 

Nós sempre vamos buscar esses mundos incríveis. E a gente provavelmente vai testar diferentes mecânicas, diferentes gêneros e diferentes estilos de jogos, sempre com esses mundos incríveis.

Bruno Klipel

A expectativa é que o público reconheça a Wondernaut não por um gênero específico, mas pela qualidade e identidade de seus jogos. Portanto, independentemente do formato, os próximos projetos focam em experiências para envolver jogadores ao longo do tempo.

Eu espero que os jogadores, quando olhem para a Wondernaut, não vejam um estilo, não vejam um gênero de jogo. Ali tem um mundo que, se o jogador quiser se aprofundar nele, ele consegue. Ele vai ficar imerso, vai ser um mundo novo, um mundo maravilhoso, no sentido de ter bastante profundidade,  de ter uma estética muito bem trabalhada, de ter músicas que fazem você ficar mais imerso ainda naquele mundo. Então, isso, os jogadores, com certeza, podem esperar da Wondernaut.

Bruno Klipel

Imagem de capa: Wondernaut Studio

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