Uniforme que se regenera, combate considerado repetitivo, estrutura linear, aparência de Logan, ausência dos X-Men, violência extrema e uma enxurrada de críticas nas redes sociais colocam o novo jogo da Insomniac no centro da discussão
Marvel’s Wolverine ainda nem chegou ao PlayStation 5, mas já conseguiu uma façanha curiosa: tornou-se um dos jogos mais discutidos do ano antes mesmo de seu lançamento.
O título desenvolvido pela Insomniac Games recebeu novas informações, trailers e prévias nas últimas semanas e, com isso, também passou a enfrentar uma onda de críticas nas redes sociais. Algumas questionam decisões criativas legítimas; outras parecem ter sido amplificadas pelo próprio funcionamento dos algoritmos.
E existe um detalhe importante nessa história: as primeiras pessoas que tiveram a oportunidade de jogar algumas horas do título estão, em geral, bem mais otimistas do que o discurso dominante nas redes sociais.
O resultado é um cenário curioso: Wolverine pode estar sendo vítima de uma expectativa gigantesca criada pelos próprios fãs.
A Insomniac admite que a reação nas redes sociais saiu do controle

Uma das maiores novidades dos últimos dias veio da própria Insomniac.
James Stevenson, diretor de comunidade e marketing do estúdio, reagiu ao volume de críticas direcionadas ao jogo e classificou o fenômeno como uma espécie de “ataque incessante” nas redes sociais.
Segundo Stevenson, a quantidade de comentários negativos não necessariamente representa a opinião da maioria dos jogadores. O executivo também questionou o impacto dos algoritmos, que podem favorecer conteúdos negativos e controversos justamente porque eles geram mais comentários, compartilhamentos e discussões.
A preocupação chegou a ultrapassar a simples discussão sobre o jogo. Stevenson afirmou estar preocupado com o efeito psicológico que uma enxurrada constante de críticas pode provocar nas pessoas que estão trabalhando no projeto.
E aí entra uma questão interessante. Criticar um jogo antes do lançamento é absolutamente legítimo. O problema começa quando a crítica deixa de discutir o produto e passa a se transformar em uma espécie de campanha permanente contra os desenvolvedores.
A própria repercussão de “Marvel’s Wolverine” parece ter entrado nesse território.
Mas quais são as críticas reais?
Nem toda reclamação pode ser colocada na conta do algoritmo. Entre as críticas que apareceram nas primeiras prévias estão a estrutura linear da campanha e algumas discussões sobre a repetição de determinadas mecânicas, principalmente nos combates contra chefes.
Diferentemente de Marvel’s Spider-Man, “Marvel’s Wolverine” não será um gigantesco mundo aberto. A Insomniac optou por uma experiência mais concentrada, com diferentes localidades e uma narrativa conduzida de maneira mais direta.
Para alguns jogadores, isso é uma decisão acertada: Wolverine combina melhor com uma aventura cinematográfica e brutal do que com Logan passando duas horas coletando mochilas espalhadas pelo mapa. Não combina né?
Para outros, a estrutura linear reduz a sensação de liberdade e pode fazer o jogo parecer mais limitado. Essa discussão também chegou aos combates contra chefes, que foram apontados por alguns jogadores como potencialmente repetitivos.
Ainda assim, as prévias completas não chegaram a caracterizar o combate como um problema generalizado. Pelo contrário: veículos como a GamesRadar+ destacaram a variedade de habilidades, o sistema de Fúria e a maneira como a Insomniac conseguiu diferenciar Logan da movimentação acrobática de Spider-Man.
Wolverine não será um “Spider-Man com garras”
Essa é uma das informações mais importantes reveladas até agora. A Insomniac parece estar fazendo um esforço consciente para evitar que Wolverine simplesmente pareça uma versão modificada de Spider-Man.
O combate é mais pesado e brutal. Logan pode bloquear, aparar ataques, usar suas garras para realizar finalizações violentas e ativar sua habilidade de Rage, que permite liberar ataques mais poderosos e também recuperar sua saúde.
O resultado é um sistema baseado muito mais em resistência, agressividade e risco. E isso combina com a própria natureza do personagem.
Uma prévia da The Verge destacou justamente esse aspecto: embora Wolverine seja praticamente indestrutível, o jogador ainda pode morrer caso não domine adequadamente o sistema de combate. A vulnerabilidade do personagem também aparece no aspecto emocional, com momentos mais silenciosos dedicados aos traumas e relacionamentos de Logan.
Ou seja: a Insomniac parece estar tentando fazer o jogador entender que a maior fraqueza de Wolverine não é física.
A roupa de Wolverine se regenera e não existe explicação de lore

Essa continua sendo uma das polêmicas mais engraçadas do projeto. Durante os combates, a roupa de Logan sofre danos progressivos. O uniforme rasga, fica ensanguentado e apresenta sinais visíveis da violência.
Depois, porém, ele volta ao normal. A explicação da Insomniac foi surpreendentemente direta: não existe uma explicação dentro da história para isso.
O traje se regenera porque os desenvolvedores não queriam que Wolverine passasse grande parte do jogo usando roupas completamente destruídas.
Segundo Mike Fitzgerald, chefe de tecnologia do estúdio, seria estranho manter Logan durante cenas cinematográficas e momentos importantes usando apenas “trapos” depois de uma sequência de combate.
A solução foi permitir que a roupa apresente danos durante a ação e depois retorne ao estado original.
E, sinceramente? É uma daquelas decisões que provavelmente parecem muito mais absurdas quando explicadas na internet do que durante os cinco segundos em que o jogador está ocupado tentando não ser assassinado por um grupo de capangas.
O jogo terá sangue persistente
Se a regeneração da roupa parece artificial, o sistema de danos em si promete ser bastante detalhado. A Insomniac desenvolveu um sistema no qual os personagens apresentam danos progressivos durante os combates.
Sangue e sujeira podem permanecer nos personagens e no ambiente, enquanto efeitos de partículas e líquidos foram usados para reforçar a sensação de violência. Em algumas situações, inclusive, o sangue pode ser removido pela água.
Isso ajuda a explicar por que a Insomniac está tratando Wolverine como uma experiência consideravelmente mais brutal que seus jogos anteriores de super-heróis.
Wolverine será o único personagem jogável
Outra decisão que surpreendeu parte do público é que não haverá troca de personagens durante a campanha.
Jean Grey, Mística, Dentes-de-Sabre e outros personagens terão participação importante, inclusive em sequências de combate, mas o jogador permanecerá no controle de Logan.
A decisão é deliberada. A Insomniac afirmou que não queria repetir as seções com personagens secundários de jogos anteriores, especialmente as partes de Mary Jane em Spider-Man.
A ideia é manter o foco no personagem que dá nome ao jogo. Mesmo assim, outros personagens poderão participar diretamente dos combates por meio de ataques combinados e interações com Wolverine.
E finalmente sabemos mais sobre a história

A trama se passa no mesmo universo dos jogos Marvel’s Spider-Man, depois dos acontecimentos de Spider-Man 2. Mas a situação dos mutantes é bem diferente daquela mostrada em outras versões dos X-Men.
Os mutantes ainda não são uma presença pública estabelecida e são perseguidos. Consequentemente, os X-Men ainda não existem como equipe.
Logan já possui seu esqueleto de adamantium, mas sofre com problemas de memória e um passado fragmentado. É nesse contexto que ele acaba envolvido com a Team X, uma equipe clandestina que reúne personagens como Mística, Dentes-de-Sabre e Jean Grey.
O principal antagonista apresentado até agora é Bolivar Trask, associado à criação dos Sentinelas. Também teremos Nathaniel Essex, o Sr. Sinistro, interpretado por Troy Baker.
A escolha é interessante porque coloca Wolverine em um mundo mutante ainda em formação, permitindo que a Insomniac construa sua própria versão da origem dos X-Men dentro desse universo.
Madripoor será um dos grandes destaques
Uma das maiores novidades recentes foi a confirmação de que Madripoor terá um papel importante na aventura. A cidade fictícia é uma das localidades mais associadas a Wolverine nos quadrinhos e será explorada como um dos principais cenários da campanha.
O jogo também contará com o Princess Bar, conhecido ponto ligado ao personagem. E existe uma conexão curiosa com os filmes dos X-Men.
A atriz Kelly Hu, que interpretou Lady Deathstrike em X2: X-Men United, estará no jogo, mas não reprisará o papel. Ela dará voz a Tyger Tiger, proprietária do Princess Bar.
Além de Madripoor, a aventura passará por outros locais, incluindo Canadá, Japão e Tacubaya, cada um com identidade visual própria.
A aparência de Logan também virou alvo de críticas

Outra discussão que ganhou força nas redes sociais envolve o rosto de Wolverine.
Com a revelação de cenas em que Logan aparece sem a máscara, parte dos fãs criticou a aparência do personagem e sua semelhança com o ator Liam McIntyre, que interpreta vocalmente o protagonista.
Algumas reclamações falam que Logan parece excessivamente “bonito” ou diferente das versões tradicionais do personagem. Essa crítica é, obviamente, bastante subjetiva. Mas ela ganhou força porque Wolverine possui uma das aparências mais reconhecíveis da Marvel e, durante décadas, Hugh Jackman acabou estabelecendo uma referência visual extremamente poderosa para o público.
A Insomniac, porém, está claramente tentando criar sua própria versão de Logan, e não reproduzir Hugh Jackman ou simplesmente copiar o visual dos filmes.
Hugh Jackman ficou de fora e isso é proposital
O jogo também está tentando se libertar da sombra dos filmes. Logan é interpretado por Liam McIntyre, enquanto a narrativa segue uma direção própria.
Isso significa que o jogo não está tentando transformar Wolverine em uma continuação de Logan, nem em uma adaptação direta da versão cinematográfica do personagem.
A história trabalha com um Logan mais jovem, emocionalmente fragmentado e ainda tentando compreender seu passado.
A proposta narrativa também explora a ideia de que sua raiva nasce não simplesmente de violência, mas de uma profunda dificuldade de estabelecer conexões e lidar com suas próprias feridas emocionais.
New Game+ estará disponível já no lançamento
Aqui a Insomniac trouxe uma surpresa bastante positiva. Marvel’s Wolverine terá New Game+ desde o primeiro dia.
O jogador poderá iniciar uma nova campanha mantendo progressão, trajes e melhorias conquistadas anteriormente.
Além disso, haverá modificadores específicos para o modo, capazes de tornar Logan ainda mais poderoso ou aumentar a dificuldade da experiência.
Isso é uma mudança interessante em relação aos jogos anteriores da Insomniac, nos quais o New Game+ chegou posteriormente.
Nightmare Doors: Wolverine vai literalmente entrar na própria cabeça
Uma das novidades mais interessantes é o sistema chamado Nightmare Doors. Essas atividades secundárias representam manifestações dos traumas e pesadelos de Logan.
O jogador poderá entrar nesses desafios para explorar acontecimentos do passado do personagem, recuperando memórias e enfrentando situações simbólicas relacionadas aos seus traumas.
A Insomniac descreve as Nightmare Doors como experiências narrativas que permitem sair do caminho principal da campanha.
Além disso, elas terão diferentes tipos de desafios de combate e movimentação. Essa mecânica pode acabar sendo uma das melhores maneiras de diferenciar Wolverine de Spider-Man.
Outra novidade é a possibilidade de repetir missões depois de concluídas. Além de permitir revisitar momentos da campanha, o sistema servirá para procurar colecionáveis e outros recursos.
Entre os itens encontrados estão garrafas de uísque, utilizadas para progressão de Logan, e caixas de materiais que ajudam a desbloquear novos trajes.
E o jogo rodará a 60 fps com ray tracing no PS5

Tecnicamente, a Insomniac também confirmou uma informação importante. O modo de desempenho terá como objetivo 60 quadros por segundo com ray tracing, inclusive no PS5 convencional.
A intenção é fazer desse o modo padrão de funcionamento do jogo. Isso é particularmente relevante porque Wolverine apresenta uma quantidade enorme de efeitos de destruição, sangue, partículas e danos nos personagens.
A Insomniac parece estar apostando pesado na capacidade técnica do console para entregar uma experiência cinematográfica sem sacrificar a fluidez.
A edição física também virou assunto
Em meio às discussões sobre o futuro dos jogos físicos, a Insomniac confirmou que a edição física de Marvel’s Wolverine terá um disco de verdade dentro da caixa.
Ou seja, não será simplesmente uma embalagem contendo um código de download.
Mais importante: o jogo poderá ser jogado diretamente pelo disco, sem depender de um download obrigatório para funcionar.
A confirmação acabou sendo particularmente bem recebida por parte da comunidade PlayStation.
A grande questão: o jogo é realmente ruim?
Até agora, não. E essa é provavelmente a parte mais importante de toda essa discussão.
As críticas existem e algumas são perfeitamente legítimas. A estrutura linear pode não agradar quem esperava outro mundo aberto da Insomniac. Alguns combates podem acabar se tornando repetitivos. A ausência dos X-Men como equipe formada pode frustrar quem esperava uma aventura mais tradicional dos mutantes.
E sim: o uniforme se regenerar é uma decisão meio videogamezão mesmo. Mas nada disso significa que o jogo seja ruim.
As primeiras prévias foram predominantemente positivas. A The Verge destacou a construção emocional de Logan, enquanto a GamesRadar+ elogiou o combate, a apresentação técnica e a maneira como a Insomniac conseguiu criar uma identidade própria para o personagem.
Isso cria uma diferença importante entre “não gostei dessa escolha” e “o jogo é uma porcaria”. A internet, infelizmente, costuma pular direto para a segunda opção.
O verdadeiro problema pode estar fora do jogo
Provavelmente a maior polêmica de “Marvel’s Wolverine” atualmente não esteja no jogo, mas sim na forma como ele está sendo discutido.
O título parece ter entrado em um ciclo em que cada novo detalhe vira uma nova guerra. A roupa se regenera? Polêmica.
Logan aparece sem máscara? Polêmica. O jogo é linear? Polêmica. Não dá para jogar com Jean Grey? Polêmica. Não tem X-Men? Polêmica. Tem sangue demais? Polêmica. Tem pouco mundo aberto? Polêmica.
Aí a Insomniac responde e a resposta vira outra polêmica.
A questão é que o algoritmo recompensa esse tipo de conflito. Uma publicação dizendo “Marvel’s Wolverine parece divertido” dificilmente terá o mesmo alcance de outra dizendo “INSOMNIAC DESTRUIU WOLVERINE”.
E é justamente esse fenômeno que os próprios desenvolvedores estão criticando.
Afinal, o que esperar?

Neste momento, “Marvel’s Wolverine” parece ser um jogo muito menos preocupado em reproduzir a fórmula de Spider-Man e muito mais interessado em construir uma identidade própria.
É linear, extremamente violento, centrado em um único protagonista e mais focado na narrativa. Tem uma estrutura de combate baseada em agressividade e regeneração, explora os traumas psicológicos de Logan e está tentando apresentar uma versão do personagem que não depende de Hugh Jackman.
Isso pode funcionar muito bem, mas também pode não funcionar.
Mas a impressão que fica depois de todas as informações reveladas é que a maior ameaça ao jogo talvez seja a expectativa criada em torno dele.
A Insomniac está vindo de dois dos maiores jogos de super-heróis da última década. Consequentemente, qualquer decisão que fuja do modelo de Spider-Man será inevitavelmente comparada com ele.
“Marvel’s Wolverine” não quer ser outro Spider-Man. Ele quer ser algo mais próximo de uma história brutal, linear e emocional sobre um homem que passou décadas tentando descobrir quem é.
E, considerando que estamos falando de Wolverine, isso parece uma escolha bastante apropriada.
Quando Wolverine chega?
“Marvel’s Wolverine” será lançado exclusivamente para PlayStation 5 em 15 de setembro de 2026.
Até lá, provavelmente teremos mais alguns trailers, detalhes e considerando o histórico recente, aproximadamente 47 novas guerras nas redes sociais sobre alguma coisa completamente inesperada.
Porque aparentemente o maior inimigo de Wolverine em 2026 não é Dentes-de-Sabrem mas sim o algoritmo.
Crédito da capa: Insomniac / Divulgação
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