Oratório – ou Butsudan, em referência ao altar budista tradicional é o novo projeto da diretora Caroline Okoshi Fioratti (Meu Casulo de Drywall). As filmagens aconteceram entre março e abril deste ano, no interior de São Paulo.

Misturando terror simbólico e mitologia japonesa com o cotidiano brasileiro, o filme aborda traumas e heranças culturais sob a ótica de mulheres nipo-brasileiras. “O terror foi a forma que encontramos de ressignificar padrões de comportamento e traumas que nos atravessam”, explica Fioratti.

A trama acompanha três irmãs que se reencontram durante o funeral da mãe. O ponto de conflito é um altar budista herdado pela família,o butsudan, que traz à tona segredos, medos e antigas tensões.

Surpreendentemente, mais do que um filme de assombração, “Oratório” mergulha em relações familiares complexas e subjetividades femininas pouco representadas no cinema nacional. “Não somos um estereótipo, somos muitas”, destaca Fioratti.

Dessa forma, Fioratti e Murai se aprofundaram no folclore japonês, estudando figuras como yureis e yokais, além de lendas do Período Edo, para construir uma narrativa que une medo, memória e libertação. “Criamos algo assombrado pelas nossas memórias e pelo nosso inconsciente”, diz Murai.

“Oratório” é sobre herança espiritual e ruptura com tradições patriarcais

No centro do filme está a ideia de herança espiritual e a ruptura com tradições patriarcais. “Oratório é também sobre desobediência feminina – uma desobediência revolucionária”, reforça a diretora.

Larissa Murai, Yohama Eshima e Vivi Ohno vivem as protagonistas. Vivi Ohno interpreta Yuriko, personagem inspirada em Oiwa, figura folclórica japonesa. “Foi libertador sair dos padrões de beleza e encontrar força no que não é convencional”, diz a atriz, que passou por intensa caracterização para o papel.

Certamente, a reflexão sobre ancestralidade e identidade brasileira atravessa todo o processo criativo. “Essa história vem de pessoas que compartilham raízes e dores parecidas com as minhas”, afirma Eshima.

Assim, com participações de Miwa Yanagizawa e Gabriel Godoy, a equipe do longa é majoritariamente formada por mulheres nipo-brasileiras, como a coreógrafa Key Sawao, a dublê Samira Hayashi, o diretor de fotografia Hélcio Alemão Nagamine e a diretora de arte Flora Fujii.

Por fim, “Oratório” está previsto para estrear no segundo semestre de 2026.

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