Publicado em 1995, livro de ex-pastor reúne denúncias sobre a Igreja Universal do Reino de Deus

Publicado em 1995, “Nos Bastidores do Reino: A Vida Secreta na Igreja Universal do Reino de Deus”, de Mário Justino, reúne denúncias feitas por um ex-pastor sobre a instituição fundada por Edir Macedo. A obra traz a perspectiva do autor sobre a arrecadação de dinheiro, as relações entre lideranças religiosas e os conflitos que marcaram a trajetória do autor. O livro chegou a ser retirado das livrarias por decisão judicial e foi relançado em 2021. Mais de três décadas após sua publicação original, a história também ganhou uma adaptação para o cinema.

O que Mário Justino revela em “Nos Bastidores do Reino”?

Mário Justino ingressou na Igreja Universal em 1980, aos 15 anos, e atuou como pastor em diferentes cidades do Brasil e no exterior. Na autobiografia, ele relata sua ascensão dentro da instituição e questiona práticas que, segundo sua experiência, priorizavam a arrecadação financeira.

Entre as denúncias, Justino afirma que pastores responsáveis por arrecadar maiores quantias recebiam benefícios e privilégios. Ele também acusa integrantes da igreja de promover falsos milagres durante os cultos para convencer os fiéis. Do mesmo modo, a obra aborda ainda a vida pessoal do autor, incluindo seus relacionamentos, conflitos internos e o afastamento da instituição. Segundo Justino, sua saída ocorreu após Edir Macedo tomar conhecimento de seu diagnóstico de HIV, quando ele trabalhava em Nova York.

Além disso, depois do afastamento, o ex-pastor relata ter enfrentado dificuldades financeiras, dependência química e períodos vivendo nas ruas da cidade norte-americana. Em um dos episódios mais graves de sua trajetória, admite ter planejado assassinar Edir Macedo, mas não concretizou o ataque.

A Igreja Universal contestou a obra. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, em novembro de 1995, o bispo Carlos Rodrigues negou que pastores recebessem porcentagens sobre a arrecadação e atribuiu o afastamento de Justino a problemas de comportamento pessoal e familiar.

Por que “Nos Bastidores do Reino” foi retirado das livrarias?

A publicação provocou uma disputa judicial entre Mário Justino, a editora e a Igreja Universal. Em 1995, a instituição alegou ter sido vítima de calúnia e difamação e conseguiu uma liminar que determinou a retirada do livro de circulação apenas 22 dias após seu lançamento.

Segundo uma reportagem da Folha de S.Paulo, a decisão resultou na apreensão de 2.125 exemplares. O caso teve uma reviravolta em dezembro de 1997, quando a juíza Daise Fajardo Nogueira Jacot, responsável pela decisão inicial, autorizou a volta da obra às livrarias. Na sentença, a magistrada considerou que impedir a publicação significaria restabelecer a censura no país.

Em 2021, a Geração Editorial relançou o livro em uma edição de 208 páginas, que inclui a íntegra da decisão judicial ao final. A publicação também conta com um prefácio do escritor Marcelo Rubens Paiva. Na ocasião do relançamento, a Igreja Universal informou à Folha que não se manifestaria sobre a nova edição porque não havia tido acesso ao material nem recebido notificação da decisão judicial mencionada.

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“Nos Bastidores do Reino” também ganhou uma adaptação para o cinema

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Cena de “Justino – Nos Bastidores do Reino”.Crédito: Divulgação / Imovision / Festival do Rio

A trajetória de Mário Justino inspirou “Justino – Nos Bastidores do Reino”, filme dirigido por José Eduardo Belmonte e protagonizado por Christian Malheiros. O longa acompanha a ascensão de um jovem pastor e os conflitos que surgem durante sua passagem por uma poderosa instituição religiosa.

Exibido no Festival de Cinema de Gramado em agosto de 2026, o filme conquistou dois Kikitos: melhor ator, para Christian Malheiros, que dividiu o reconhecimento com José Loreto, e melhor montagem, para André Finotti e José Eduardo Belmonte. Além disso, a atriz Onna Silva também recebeu uma menção honrosa. A produção participou ainda do Festival do Rio, com sessões realizadas em outubro de 2026. Distribuído pela Imovision, o longa permanece sem data de estreia comercial anunciada.

Crédito de capa: Divulgação

Estagiária sob supervisão de Anna Flávia Lopes