Em “O Último Voo”, Julie Clark cria um universo de tensão em que duas mulheres têm o destino entrelaçado por meio de escolhas equivocadas. A famosa e perfeita Claire é sozinha no mundo e conta apenas com o marido e sua equipe, que a mantêm em rédeas curtas.
Já Eva viu sua vida mudar de cabeça para baixo por uma série de decisões que a levaram a temer pela própria vida. Juntas, as duas traçam um perigoso e apressado plano para recomeçar. Esse é o enredo do suspense lançado este ano pela Faro Editorial.
A vida perfeita de Claire
A vida de Claire é descrita por muitos como perfeita. Esposa de um importante político, ela se tornou parte da família que está há anos no centro de tudo o que acontece em Manhattan. Vivendo com muito luxo e tendo acesso a tudo o que deseja, ela precisa abrir mão de algo que nunca pensou: a própria liberdade.
Na realidade, Claire está longe de ser feliz. Em um casamento abusivo com um homem que só mostra a verdadeira face quando estão a sós, ela não aguenta mais o temperamento instável, as brigas e a rotina vigiada. Assim, ela elabora um plano de fuga infalível, até que ele falha.
Após passar um bom tempo planejando cada passo de sua rota de liberdade, Claire acaba em uma grande confusão. Agora, já no aeroporto e sem nem ideia do que fazer, uma nova ideia surge quando esbarra com Eva.
A rota de fuga de Eva
Eva precisa desaparecer e é crucial fazer isso de forma que não descubram o seu novo paradeiro. No aeroporto, acostumada a observar tudo ao seu redor, ela logo percebe o desespero de Claire. É assim que as duas se conhecem.
Com passos calculados, Eva manipula a desconhecida para que elas troquem de lugar. Criando uma realidade muito diferente da que ela de fato vive, o discurso convincente faz com que elas troquem identidades e embarquem no voo da outra.
No entanto, quando o voo de Eva cai, Claire enxerga ali uma oportunidade de renascer e viver a vida como uma mulher de quem ela não sabe nada.
O Último Voo
O livro intercala os capítulos entre o presente de Claire e o passado de Eva. Ao longo dos capítulos, descobrimos como as escolhas de Eva a colocaram em uma situação em que a fuga era a única possibilidade.
Da mesma forma, vemos Claire descobrindo o quanto foi enganada e como se envolveu em uma história muito mais complicada do que imaginava. Assim, com medo de ser descoberta pelo marido e assustada com as escolhas de Eva, ela precisa encontrar uma forma de recomeçar.
A narrativa então traz momentos de tensão, com capítulos que prendem e fazem questionar o que acontece a seguir. Essa curiosidade se dá principalmente no que diz respeito a Eva e a como tudo se desenrolou.
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Impressões sobre o livro
Logo no início, a autora deixa claro o tom da obra. São vários mistérios a serem revelados ao longo da narrativa e me vi presa ali, tentando entender onde cada peça daquele quebra-cabeças se encaixava. Após o acidente de avião, surge uma grande dúvida, e aqui foi o ponto do livro de que menos gostei, torci por um desfecho e recebi um completamente diferente. Ainda assim, gostei bastante da leitura.
Entendi que essa obra é como uma carta de solidariedade de Julie Clark a todas as mulheres que já sofreram de algum tipo de violência. A autora navega por esse tema com muita sensibilidade e fica nítido o cuidado em explorar os acontecimentos.
Infelizmente, Claire é uma personagem complexa. Em uma sucessão de escolhas erradas, após a fuga, ela acaba se colocando em situações arriscadas demais, sem a menor necessidade. Ainda não entendi o porquê de ela ter se arriscado nos primeiros capítulos por um artefato que não ajudou em nada.
Por mais que alguns pontos sejam questionáveis, a obra como um todo é muito bem escrita. Torci a todo momento por Claire e Eva, na esperança de que ambas tivessem um final feliz. Com diversas reviravoltas, essa é uma obra que vale muito a pena.
Imagem de capa: Reprodução Amazon
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