Ruídos e vultos fazem da “Favela das Almas” um lugar que dá vontade de investigar e medo de olhar mais de perto
Otherside Tapes: Favela, da Pulsatrix Studios, é um jogo de terror psicológico em primeira pessoa com estética de found footage. Tudo é acompanhado pela câmera do protagonista, que registra a exploração de uma favela brasileira.
A trama se passa em 2006 e coloca o jogador no papel de Cláudio da Silva, criador de conteúdo e explorador urbano que decide investigar a Favela das Almas. Seu destino é a misteriosa Rua 7, cercada por histórias de desaparecimentos. É o tipo de lugar em que a curiosidade logo cobra seu preço.
O título chega ao PC em 22 de outubro de 2026, pelo Steam.
Rua 7 e cartazes de desaparecidos apresentam o destino da investigação. Capturas de gameplay da autora / GeekPop.
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Uma favela reconhecível
Barzinho, cachorro caramelo, escritas nas paredes e lan houses compõem um cenário cheio de elementos familiares. Esses detalhes dão personalidade à Favela das Almas e foram um dos grandes acertos da ambientação para mim.
O Bar do Samuca e o cartaz do caramelo mostram os detalhes cotidianos da favela. Capturas de gameplay da autora / GeekPop.
A narração também contribui para essa impressão. A interpretação de Cláudio transmite a credibilidade de um vlogger amador, alguém que saiu para registrar uma exploração e vai reagindo ao que encontra. Essa naturalidade combina com a proposta de acompanhar tudo pela câmera.
Ruídos, estática, a respiração ofegante de Cláudio e sons de digitação constroem a tensão durante a exploração. Vultos ao longe reforçam a inquietação. Fiquei com medo até de parar para inspecionar uma janela e encontrar uma entidade atrás de mim ao me virar: concentrar a atenção em um ponto significava deixar de vigiar o que estava fora do enquadramento.
Exploração e ritmo
A busca por pistas movimenta a história e mantém a curiosidade para entender o que aconteceu na Favela das Almas. Avançar exige observar quais caminhos estão disponíveis e aprender a circular pelos espaços conforme eles se transformam. Entender essa organização toma tempo, e retornar a lugares já visitados faz parte da investigação.
A câmera conta com visão noturna e flash, ambos dependentes de bateria. A reposição desse recurso foi tranquila no início da partida, mas a escassez na reta final tornou a exploração mais trabalhosa.
Figuras na neblina, cozinha e lan house: a câmera acompanha a exploração de espaços pouco iluminados. Capturas de gameplay da autora / GeekPop.
O vaivém entre os lugares também ficou cansativo perto do fim. A exploração continuou divertida no conjunto, mas a repetição dos deslocamentos desgastou um pouco a experiência.
Quando os bugs ofuscam o medo
O problema que mais atrapalhou a partida foi a colisão com algumas entidades. Em certas passagens, elas bloqueavam o caminho, e atravessar exigia chegar perto demais. Tentar empurrá-las às vezes funcionava; em outras, o personagem parecia entrar no corpo da entidade e acabava atacado.
Nesses encontros, o gasto de bateria com o flash pareceu pouco vantajoso, já que as entidades continuavam bloqueando a passagem.
Com a repetição, cheguei ao ponto de aceitar os ataques para conseguir passar, e os encontros perderam força como susto. Foi uma frustração que prejudicou a tensão nesses momentos.
Também houve um problema na leitura dos documentos: ao alternar rapidamente entre W e S durante a rolagem, o conteúdo ficava em branco. A falha teve menos impacto que as colisões. A partida terminou em cerca de quatro horas, com seis mortes e 44 golpes recebidos. A classificação dada pelo próprio jogo foi C.
Vale a pena jogar?
SIM! “Otherside Tapes: Favela” entrega um found footage imersivo, com uma ambientação brasileira reconhecível e um trabalho de som que sabe alimentar o medo. É aquele medinho que faz você querer olhar para trás só para conferir se continua sozinho.
Os deslocamentos repetitivos na reta final e as falhas ao passar pelas entidades incomodaram durante o teste. Ainda assim, esses problemas não mudaram o saldo muito positivo da experiência. Para quem gosta de exploração e tensão crescente, a Favela das Almas vale a visita. A ambientação, a narração e a expectativa constante de encontrar alguma coisa pelo caminho sustentaram a experiência até o fim.
Análise realizada com acesso ao jogo antes do lançamento. Os problemas descritos foram observados durante esse teste.
Créditos da capa: captura de gameplay da autora / GeekPop.
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