Estreia nos cinemas nesta quinta-feira (14) o documentário Alma Negra – Do Quilombo ao Baile. Ao longo da produção, o diretor Flavio Frederico traz para a tela a importância da música soul e dos bailes para a afirmação da identidade negra no Brasil. É um mergulho na cultura afro-brasileira entre os anos 60 e 80, com figuras importantes do mundo artístico dando os seus depoimentos e contando suas histórias.

Cultura afro-brasileira e a música soul

No documentário, o diretor utiliza a música soul como linha central que narra a história. Uma história que vai muito além da música, mas fala da resistência e da identidade negra. O roteiro não segue uma estrutura didática tradicional, apostando mais em relatos e momentos vividos pelos entrevistados. Ele apresenta para o telespectador o surgimento dos bailes black e o impacto que eles tiveram na sociedade.

O interessante é perceber a conexão das manifestações culturais com as histórias dos quilombos, que não são apresentados nessa obra apenas como espaços físicos de fuga. Os quilombos possuem uma representatividade muito mais importante, como lugar de pertencimento e de liberdade.

Apesar de a linha central ser a música, a obra tem uma carga emocional muito mais séria e importante. A montagem alterna imagens de arquivo raras e bem tratadas, entrevistas com pessoas que fizeram e fazem parte desse movimento. Além disso, mescla as histórias com a música para construir uma narrativa que não cansa e consegue prender o telespectador.

Imagem do documentário "Alma Negra - Do Quilombo ao Baile"
Cena do documentário “Alma Negra – Do Quilombo ao Baile”. Crédito: Synapse/Atômica Lab

Retratos do passado e histórias do presente

A música sempre está presente ao longo do documentário, mas são nos relatos que deixam esse tema de lado que a carga emocional do documentário aparece. Seja com depoimentos da vida das pessoas entrevistadas ou com imagens que foram resgatadas para estarem presentes nessa produção. Inclusive, a produção fez um belo trabalho ao resgatar imagens e fotografias para a montagem da obra.

O documentário fala sobre movimentos contra racismo, música, ditadura, escravidão e muitos outros temas. Às vezes, há a sensação de que falam de tudo sem se aprofundar muito, o que acaba sendo um ponto negativo. Seria interessante aprofundar mais nos temas, mas, como a música e os bailes são o foco, acaba sendo compreensível.

O final é forte, trazendo dados atualizados relacionados à violência e discriminação racial no Brasil. Além disso, um ponto alto e com carga emocional forte é trazer nomes e imagens de pessoas importantes para o movimento da cultura afro-brasileira ao som de “Olhos Coloridos”, de Sandra de Sá. De Aqualtune (1600-1650) a Mãe Bernardete Pacífico (1951-2023), passando por Zumbi (1655-1695), Machado de Assis (1939-1908), Carolina de Jesus (1914-1977), entre tantos outros.

Vale a pena assistir “Alma Negra – Do Quilombo ao Baile”?

Sim! O documentário traz depoimentos fortes e mescla as lutas do passado com situações que ainda acontecem na sociedade, sempre trazendo a música como pano de fundo. Ao recuperar a memória dos bailes black como espaços para se expressar, terem liberdade e construírem identidade, a produção reafirma a importância da cultura negra na formação do Brasil dos dias atuais. É uma celebração à vida e à luta por um mundo sem desigualdade.

 O documentário “Alma Negra, do Quilombo ao Baile” chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 14 de maio.

Ficha Técnica

Alma Negra – Do Quilombo ao Baile
Brasil, 2024, 102 min.
Direção: Flavio Frederico
Roteiro: Mariana Pamplona, Flavio Frederico
Fotografia: acob Solitrenick, Jacques Cheuiche, Janice D’Avila, Carlos André Zalasik
Produtor: Flavio Frederico, BiD
Música: Eduardo Bidlovski (BiD)
Classificação: 12 anos
Distribuição brasileira: Synapse

Imagem de capa: Synapse/Atômica Lab

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