Racismo, Constante como o Tempo” é a estreia de Carlos Márcio na literatura. Violoncelista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, o autor apresenta uma obra que a todo tempo questiona como o racismo foi naturalizado no Brasil.

Divididos em três partes, os poemas trazem luz a situações que aceitamos sem questionar. Dessa forma, eles apresentam a romantização de nomes ligados à escravidão, sendo exaltados com estátuas, nomes de ruas, entre outros. A reflexão parte de um ponto de vista pessoal, trazendo vivências do próprio autor.

A obra também expõe o racismo cotidiano, partindo novamente de uma perspectiva pessoal. Nesse sentido, Carlos relata episódios em que enfrentou o racismo, como o que viveu em seu local de trabalho, o Palácio das Artes, um dos símbolos de resistência da capital mineira. Assim, em uma mistura de poesia, ensaio e crônica, o livro questiona se as marcas deixadas pelo racismo podem mesmo ser curadas com o tempo.

O lançamento da obra acontece no dia 23 de maio, às 20h, no Teatro Municipal de Sabará. O livro conta com prefácio da professora e ativista Rosália Diogo (pós-doutora em antropologia pela Universidade de Barcelona) e posfácio de Carlos Aleixo dos Reis, primeiro professor negro a alcançar a titularidade na Escola de Música da UFMG em cem anos de história.

Segundo o autor, “o violoncelo me emprestou um ouvido para o mundo; a escrita me deu uma língua para que tantos olhos enxerguem os silêncios que insistentemente são naturalizados”. “Racismo, Constante como o Tempo” foi o vencedor do Prêmio Resistência 2025.

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